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domingo, 16 de outubro de 2016

Chá de Domingo #96: Ainda Sobre o Cyberpunk - Parte 5/5

Esta será a última parte sobre a essência e origem do ciberpunk. Podem encontrar a primeira parte aqui, a segunda aqui, a terceira aqui e a quarta aqui.


"Há que compreender que o nosso tempo não tem nada de banal. A realidade que conhecemos é uma explosão de novidades a cada dia que passa. Nem todas as novidades são boas. É um tempo estranho e de certo modo desconfortável para se estar vivo. Mas, gostaria que sentisse o autor como uma presença... gostaria que entendesse que a coisa invisível nesta sala é a sensação presente de viver no tempo futuro, e não nos anos que nos antecederam. Ser um futurista não é ter sempre a cabeça levantada, à espera que o futuro chegue. É saber claramente onde se está e pensar como se pode melhorar. Só hoje, viva como se estivesse num condição própria de um universo de ficção científica."

"Não existem pessoas normais - olhe para a sua família, as pessoas que você conhece melhor. De uma maneira ou de outra, todos têm as suas esquisitices. Ainda assim a ficção convencional mostra-nos, na maioria das vezes, pessoas normais num mundo normal. A partir do momento em que escreve como se fosse o único anormal, sentir-se-á fraco e apologético. Estará motivado para ir com a corrente e com medo de fazer ondas - para que não seja encontrado. Pessoas reais são estranhas e imprevisíveis, por isso é que é tão importante usá-las como personagens ao invés dos estereótipos impossíveis do bom e do mau que a cultura predominante nos trás. A ideia de quebrar a realidade consensual é ainda mais importante. É aqui que as ferramentas da ficção especulativa são particularmente úteis. Cada mente é uma realidade nela própria. Enquanto as pessoas poderem ser enganadas pela realidade do telejornal, elas podem ser conduzidas como ovelhas."

"No final do século XX, o nosso tempo, um tempo mítico, somos todos quimeras, teorizadas e híbridos entre organismos vivos e máquinas; em suma, somos ciborgues. Ciborgue é a nossa ontologia; dá-nos a nossa política. O ciborgue é uma imagem condensada da imaginação e realidade, os dois centros conjuntos que estruturam qualquer possibilidade de transformação histórica. Na tradição da ciência e política ocidental... a relação entre organismos vivos e máquinas tem sido uma guerra fronteiriça. O que está em causa nesta guerra são os territórios de produção, reprodução e imaginação."

domingo, 9 de outubro de 2016

Chá de Domingo #95: Ainda Sobre o Cyberpunk - Parte 4/5

Nesta série de artigos estou a explorar a essência e a origem do cyberpunk. Podem ler a primeira parte aqui, a segunda aqui e a terceira aqui.


"O que muita gente se esquece... é que o futuro de gancho de açougue sombrio não é um pós-apocalipse ao estilo de Mad Max, em que todos andam aos tiros uns aos outros protegidos em armaduras feitas de pneu de tractor e roupas Wilson's Leather que sobrarem. Esse futuro - imaginado por muitos como um antídoto para os espetaculares futuros cromados do Star Trek e da ficção cientifica inflexível dos anos 50 - é, de facto, inteiramente ridículo e bastante improvável assim como qualquer palermice em forma de fetiche tecnológico que os transhumanistas se lembrarem. É uma fantasia machista pelos libertários que secretamente rezam para que os pobres se revoltem e iniciem uma guerra para que os seus amigos que se parem de rir do facto de terem um arsenal de armas automáticas ao lado do seu Lexus na garagem do enclave dos subúrbios."
- Jushua Ellis

"Bem-vindo ao futuro J.G. Ballard - que rapidamente se torna um consenso pelo seu próprio mérito - onde o futuro é essencialmente banal. De momento, é a opinião mais sensata a ter. Um escritor chamado Venkatesh Rao usou recentemente o termo 'normalidade em série' para descrever isto. Tudo está pensado para activar a disposição psicológica para acreditar que nós vivemos num presente estático e aborrecido. Intemporalidade é a condição (dominante) do início do século XXI... Através da normalidade em série ninguém vence porque todos ficam adormecidos e a realidade nunca será melhorada. Mas vou sugeri-vos algo. Todas as teorias de normalidade em série e história zero podem ser destruídas por uma única coisa: olhar em volta."

"Se o futuro está morto, então temos de o invocar e aprender como vê-lo correctamente. Não se pode ver o presente em condições através do retrovisor porque ele está à frente. Hoje há seis pessoas a viver no espaço. Há pessoas a imprimir protótipos de órgãos humanos e pessoas a imprimir nanofio biológico que se ligará ao tecido humano. Já fotografamos a sombra de um único átomo. Temos pernas robóticas controladas por ondas cerebrais. Exploradores já estiveram no local insubmerso mais fundo da terra - uma cave a mais de dois quilómetros de profundidade abaixo de Abkhazia. A NASA está a preparar-se para lançar três satélites do tamanho de uma chávena de café que serão controlados por uma aplicação de smartphone. Voyager One está a mais de onze mil milhões de milhas de distância e o seu computador de 64K com fitas magnéticas de oito pistas ainda está funcional."
- Warren Ellis

Podem encontrar a quinta e última parte aqui.

domingo, 2 de outubro de 2016

Chá de Domingo #94: Ainda Sobre o Cyberpunk - Parte 3/5

Vou continuar a explorar a génese e essência do cyberpunk. Podem ler a primeira parte do artigo aqui e a segunda aqui.


"Há muita frieza no cyberpunk, mas é uma frieza honesta. Há êxtase, mas também terror... Esta geração terá de assistir a um século de desperdício e de descuido chegar aos limites, e todos sabemos disso. Nós teremos sorte em não sofrer a maioria das consequências devidas às atrocidade ecológicas cometidas; nós teremos imensa sorte em não ver milhões de humanos morrerem atrozmente na televisão enquanto nós, os ocidentais, ficamos sentados nas nossas salas de estar mastigando os nossos cheeseburgers. E isto não é uma excêntrica lamentação Boêmia; isto é uma afirmação objectiva acerca da condição do mundo, facilmente confirmada por quem tiver coragem para olhar para os factos. Esta prospectivas devem e tem que afectar os nosso pensamentos e expressões e, sim, as nossas acções; e se os escritores fecham os olhas a isto, então podem ser animadores, mas não estão aptos a serem chamarem-se a eles mesmos escritores de ficção científica."

"Cyberpunk foi atropelado na super auto-estrada da informação dos anos 90. Nem mais, nem menos. Bruce Sterling declarou-o mais ou menos morto em 1985, e estava certo; como movimento dentro a ficção cientifica o seu trabalho estava terminado. O mundo em que vivemos é o futuro do cyberpunk dos anos oitenta. Não é necessariamente uma coisa boa."

"Os meus amigos que trabalham na aeroespacial dizem-me que os veteranos que construíram a industria cresceram a ler Heinlein e Clarke, e foram para a aeroespacial para tornar essas coisas malucas que leram enquanto garotos em realidade como adultos. Bem, eu trabalho em supercomputação, e posso assegurar que esta industria está cheia de génios jovens que cresceram a ler Gibson, Vinge e Rucker - e sim, a mim - e vieram para este ramo pela mesma razão. Nós não vivemos no mundo que a ficção cyberpunk previu. Mas, vivemos num mundo que as crianças que cresceram a ler cyberpunk construíram, e isso é algo sem dúvida espectacular."

"Para mim, enquanto criança, ler cyberpunk era como ver o mundo pela primeira vez. O Neuromancer de Gibson não era só estonteante em termos estilísticos; parecia uma molde para o futuro que estávamos a construir. Eu lembro-me de ler Islands de Sterling na internet e, de súbito, perceber o potencial disruptivo da tecnologia assim que o acesso a ela se torna comum. O ciberpunk estava à porta. Não é o futuro a um quarto de hora daqui - é um futuro que te arrasta e te deixa num molde de corpo inteiro à sua passagem. Há uma necessidade enorme de corrigir a sua trajectória. A ficção cientifica perdeu a ligação à realidade. Os seres humanos não vão para a Lua, estamos a tornar-nos digitais. Alguém precisa de agarrar o género pelos colarinhos e puxa-lo - forçar os escritores a olharem para o presente e decifrar as suas implicações."

"O futuro encontra-se dividido; o futuro adorável e isolado que Joi Ito, Cory Doctorow, eu e tu habitamos, e o futuro gancho de açougue sombrio que a maior parte do mundo enfrenta, no qual eles veem os seus campos ocupados e sub-desenvolvidos tornarem-se num jogo gigante de Counterstrike entre filhos da puta jihadistas malucos religiosos e filhos da puta rednecks malucos religiosos Americanos, ambos fazendo o seu melhor para tornar o mundo inteiro num tipo de pesadelo fascista ou noutro. Claro que ninguém quer falar sobre o futuro, porque é deprimente e não é divertido quando não tens Fischerspooner a fazer a banda sonora."
- Joshua Ellis

Podem encontra a quarta parte desta série aqui.

domingo, 25 de setembro de 2016

Chá de Domingo #93 : Ainda Sobre o Cyberpunk - Parte 2/5

Decidi explorar um pouco a génese e a essência do cyperpunk. Podem encontrar a primeira parte deste artigo aqui.


"Quando iniciamos o cyberpunk, queríamos realmente dar nas vistas - sair desta pequena sub-cultura de ficção cientifica - só para surpreender toda a gente. E conseguimos fazê-lo. Ninguém pode prever os futuros que nós imaginamos. As coisas mudaram desde os primeiros dias do cyberpunk e, para começar, eu estou muito mais interessado em problemas teóricos profundos. Claro que faço coisas do género MTV, flash imaginery - que ao início me parecem boas ideias mas que acabam por não me encher as medidas. Eu quero chegar à mente das pessoas. Eu quero chegar ao estado de conhecimento como poder."

"O que é realmente bom acerca do punk é que é rápido e denso. Tem carradas de informação. Se valoriza a informação acima de tudo, então não se preocupa com convenções. Não é 'Quem é que você conhece?'; é 'Quão rápido és? Quão denso?' Não é 'Fala como os meus colegas?' é 'Isto é interessante?' Então o que eu estou a dizer é que o cyberpunk é do género: a ficção científica não é fácil de ler, tem muita informação, e fala de novas formas de pensar que advém da revolução computacional."

"O que é mais importante é que Neuromancer é acerca do presente. Não é realmente sobre um futuro imaginado. É um modo de lidar com o espanto e o terror inspirado pelo mundo em que vivemos. Estou ansioso para saber o que irão achar dele no Japão."

"Como género literário, o que aconteceu foi o que acontece a qualquer coisa nova bem sucedida em todos os ramos da cultura pop. Cyberpunk passou de algo refrescante, inesperado e original para ser a última moda, para ser uma formula comercial, para ser um estilo repetido até à exaustão, com uma lista de elementos estilísticos completa e formas reverenciadas que necessitam de ser referenciadas para que alguém escreva um Verdadeiro Cyberpunk..."

"O tempo e a sorte foram gentis com os cyberpunks, embora eles tenham mudado com os anos. A doutrina central da teoria do movimento era 'intensidade visionária'. Mas, já passou algum tempo desde que um cyberpunk tivesse escrito algo verdadeiramente surpreendente, algo que se contorça, solte, uive, alucine e parta a loiça toda. No trabalho mais recente destes veteranos, nós vemos uma trama afinada, melhores personagens, uma prosa cuidada e muito 'futurismo perspicaz e sério'. Mas também vemos muito menos back-flips espontâneos e danças loucas em cima da mesa. Os cenários ficam cada vez mais perto da realidade presente, perdendo os arabescos barrocos da fantasia solta: os problemas em causa assemelham-se horrivelmente às preocupações corriqueiras de uma pessoa de meia idade. E isto pode ser esplêndido, mas não é guerrilha."

Podem ler a terceira parte do artigo aqui.

domingo, 18 de setembro de 2016

Chá de Domingo #92: O que Procuram num Curso de Escrita Criativa?

O que procuram num curso de escrita criativa? Foi esta a pergunta que fiz a escritores lusófonos e cujos resultados vou divulgar neste artigo.


A primeira pergunta foi a idade, para estabelecer o perfil etário dos escritores:


De notar que isto não reflecte o universo de escritores, mas apenas os que preencheram o formulário que foi divulgado através das redes sociais. Grande parte dos que responderam a este inquérito (75.3%) estão entre os 18 e os 35 anos de idade.

A segunda pergunta incidiu sobre o número de obras publicadas e a intenção de o fazer:



A grande maioria (61%) ainda não publicou nenhum livro nem ebook, mas conta fazê-lo num futuro próximo.

A terceira pergunta incidiu sobre a utilidade dos cursos de escrita criativa:



84.4% dos inquiridos consideraram que um curso de escrita criativa poderia ajudá-los a melhorar a escrita.

Para os 15.6% que responderam que não ajudaria, o inquérito termina. Analisando melhor a situação, deveria ter acrescentado um par de perguntas para essas pessoas, para perceber porquê é que consideravam que um curso não os poderia ajudar.

A quarta pergunta incidiu sobre o local do curso:


A maioria (43.1%) não tem uma preferência. No entanto, existe uma tendência para o online (35.4%) mais forte do que para o presencial (21.5%).

A quinta pergunta foi sobre o que mais valorizam num formador:


Pode-se concluir que a experiência como editor é o mais valorizado (52.3%), seguido do conhecimento do mercado editorial (23.1%). A formação universitária relevante vem em terceiro com 10.8% e outras razões em quarto com 9.2% (os outros factores enunciados estão relacionados com a experiência e formação) A exposição mediática e o número de publicações não parecem ser relevantes de todo, conseguindo uma percentagem mínima (1.5% e 3.1% respectivamente).

A sexta pergunta incidiu sobre os tópicos que deveriam ser abordados num curso:


A categoria Erros Comuns e como evitá-los foi considerada importante por 78.5% dos inquiridos. Estrutura/organização da narrativa surge empatada com o desenvolvimento das personagens em segundo lugar com 76.9% das escolhas. Criação de Mundos ocupa a quarta posição com 61.5% das escolhas, seguido de perto pelas técnicas de revisão com 60%. No sexto lugar aparece a escrita de contos com 43.1%. Em sétimo lugar surge a auto-publicação com 32.4% e em oitavo o desenvolvimento da não-ficção com 27.7%.

A sétima pergunta focou-se no preço justo de um curso de escrita criativa:


A maioria do inquiridos mostrou preferência por um valor em volta dos 5 euros por hora (58.4%). 12.3% considera esse valor muito elevando e 29.3% considera esse valor muito baixo.

A oitava e última pergunta prende-se com a duração de uma curso:


Há uma clara preferência por um curso mais alargado: 44.6% preferem um dia inteiro e 23.1% uma manhã ou uma tarde. O que bate certo com o facto de terem considerado múltiplas escolhas nos assuntos a abordar. Na outra ponta, há 21.5% que considera que duas horas é o tempo ideal, havendo apenas 10.8% que considera que três horas é mais adequado.

Teria sido interessante pedido o género dos inquiridos e talvez incluir mais uma ou duas faixas etárias. Poderia também ter segmentado um pouco mais as obras publicadas e a falta delas. Na duração, seria interessante colocar a opção de uma única sessão ou de múltiplas sessões, por exemplo ao fim do dia. São dados bastante reveladores, que podem ser úteis para quem deseje leccionar cursos de escrita criativa. Gostaria que a oferta destes cursos estivesse mais coordenada com a procura. O que é que vocês acham?

domingo, 11 de setembro de 2016

Chá de Domingo #91: Ainda Sobre o Cyberpunk - Parte 1/5

Aproveitando a onda Cyberpunk gerada pelo lançamento da primeira antologia do género portuguesa, gostaria de partilhar convosco algumas citações que ajudam a contextualizar e a compreender a origem do cyberpunk.


"Apesar de agora o cyberpunk ser visto como um género bem sucedido da ficção cientifica, era bastante controverso quando começou. Mas, era como nós queríamos que fosse. Todos nós tinham, e ainda temos, um desejo incansável e implacável de quebrar os limites da realidade consensual. Se ninguém estiver chateado, então é porque não nos estamos a esforçar o suficiente... Começamos a escrever cyberpunk porque tínhamos um descontentamento forte em relação ao status quo da ficção cientifica, e também com o estado da sociedade em geral."

"Não tinha um manifesto. Tinha só algum descontentamento. Parecia-me que a ficção científica americana de massas a meio do século era frequentemente triunfalista e militarista, uma espécie de propaganda popular do excepcionalidade americana. Estava cansado da América-que-é-o-futuro, o mundo como uma monocultura branca e do protagonista da classe média ou acima. Eu queria tornar-me um espaço de manobra. Eu queria espaço para anti-heróis."

"Eu também queria que a ficção científica disse mais naturalista. Houvera uma pobreza na descrição na maior parte dela. A tecnologia descrita era tão eficiente e limpa que era praticamente invisível. O que seria de qualquer livro de ficção científica se pudéssemos melhorar a resolução? Como era na altura, a maioria dos livros era como os jogos antes da invenção da sujidade fractal. Eu queria ver a sujidade nos cantos."

"A ficção cientifica estava encravada num locus amenus nos anos 80. Podia ir a uma livraria e encontra Arthur C. Clark ao lado da Odisseia ou os livros de Asimov acerca das três leis da robótica. Robert Heinlein ainda estava a produzir sexo e filosofia em série. Mas, apesar dos esforços de uma variedade de inovações literárias, a ficção científica estava basicamente igual há vinte ou trinta anos atrás. Era uma experiência preguiçosa do futuro. Os cientistas faziam coisas competentes, a tecnologia aeroespacial estava na moda, e a política circulava à volta de conflitos entre nações. E então veio o cyberpunk - Pat Cadigan, William Gibson e Bruce Sterling. Foi subversivo e gritty, uma viagem caleidoscópio-poética ao futuro capitalista. Corporações sem face erguem-se acima dos dramas insignificantes do comum mortal, movimentando biliões de dollars e yens à volta do mundo enquanto os humanos da história vivem miseráveis. Eram cyberespaço e cowboys do teclado, casacos de cabedal, implantes de lentes Zeiss, próteses russas modificadas, extinct horses e mirrorshades. O futuro era bizarro e ameaçador - e também estranhamente real."

"A tecnologia não é neutra. Nós estamos dentro daquilo que fazemos, e ela está dentro de nós. Nós vivemos num mundo de ligações - e faz diferença quais fazemos e cortamos."
- Donna Hardaway

Podem encontrar a segunda parte deste artigo aqui.

domingo, 4 de setembro de 2016

Chá de Domingo #90: Retrospectiva - Parte 3

Recordar é viver, e por isso aqui vai outra retrospectiva de todos os artigos da rubrica Chá de Domingo. Nem acredito que já cheguei às 90!


A irmã mais velha desta aqui. Noto uma grande diferença entre os temas que abordava no início em relação aos mais recentes.

Este artigo responde à pergunta: o que é que um editor procura num manuscrito?

Este artigo sumaria e dá exemplos dos arquétipos mais comuns na ficção.

53 - Não-Ficção
Um artigo interessante para quem pensa apostar neste vertente literária.

54 - Mais Pseudo-Editoras
A minha saga para separar o trigo do joio continua. A quantidade e complexidade deste tipo de esquemas não cansa de me surpreender.

55 - Retrospectiva - Parte 2
E se comecei com a irmã mais velha, esta é a irmã do meio. Noto que me foquei mais em recursos para os escritores e que a minha abordagem é bastante semelhante à minha actual.

Há padrões interessantes dos livros que temos na nossa mesa de cabeceira.

Nem acredito que já passou quase um ano deste que escrevi isto. Só para me lembrar que o próximo Nanowrimo já está à porta.

O balanço de um desafio bem-sucedido, como espero que seja o deste ano.

Apresento-vos este extraordinário projecto nacional.

Outro projecto nacional que vale a pena seguir

O concelho de Vagos criou um livro com todos os escritores conhecidos que lá nasceram, viveram ou escreveram sobre a terra.

O ano de 2015 foi bastante agitado para mim, a prova disso é este artigo.

Depois do balanço, chega a altura de delinear projectos. Nesta altura do ano posso dizer que alguns deles já foram ou estão muito perto de ser cumpridos, contudo, há alguns que me parecem impossíveis. Há também algumas mudanças de planos.

64 - Saltei este número. Repeti o número 36 e decidi saltar o número 63, mas acabei por saltar o número 64. Haja quem entenda isto!

Um artigo que ainda continua actual, apesar de já ter sido escrito há quase um ano.

Este artigo contem algumas dicas que permitem melhorar os diálogos.

A escrita de contos é uma arte mais complexa do que muitos imaginam. Com esta série de artigos procuro desmitificar e simplificar o processo.

Este artigo foca-se na estrutura e no primeiro parágrafo de um conto. Contem ligações para outros artigos relevantes.

Neste artigo abordo as personagens, o cenário, os pontos de vista e o que não fazer num conto.

Neste artigo falo do conflito, do ponto sem retorno e da resolução de um conto.

O pesadelo de qualquer escritor e como lidar com ele.

Seis dos erros mais comuns cometidos pelos escritores e como ultrapassá-los.

E já andava há algum tempo sem falar numa pseudo-editora, por isso...

Devo dizer que vejo bastantes erros destes sempre que olho para manuscritos não editados.

O relato da minha experiência como professor de português como língua estrangeira.


E assim termina outra viagem ao baú! Qual destes artigos vos foi mais relevante ou teve mais impacto?

domingo, 28 de agosto de 2016

Chá de Domingo #89: O que é o Cyberpunk? - Parte 3/3

A primeira parte deste artigo falou sobre o origem do cyberpunk, a segunda sobre a sua definição.


Variantes do Cyberpunk
O biopunk é um sub-género do cyberpunk que se foca mais em tecnologia biológicas como por exemplo a modificação genética. Exemplos deste subgénero são Gattaca e Dark Angel. Podem ser considerados cyberpunk apesar de não terem um foco no ciberespaço nem aspectos cybernéticos, seguem a máxima high tech, low life. É apenas uma apresentação diferente das mesmas ideias.

O nanopunk é semelhante ao biopunk, embora se manifeste no uso de nanites e outras nanotecnologias. Ainda está na sua infância em relação às outras variantes. O género mostra uma grande preocupação com a vertente artística e psicológica. Generator Rex e Transcendence são exemplos de nanopunk.

O pós-cyberpunk é uma reacção moderna às visões e estilo antiquados dos anos 80. O pós-cyberpunk tem tendência a focar-se no transhumanismo, viagens espaciais tecnologias emergentes que não eram sequer imaginadas nos anos 80. Exemplos disso são Daemon, The Diamond Age e Holy Fire. 

Ser Cyberpunk
Um cyberpunk tem atitude. É uma atitude social e culturalmente consciente, tal como a ficção que lhes dá o nome. Questionam tudo e todos, decidindo por eles mesmos o que é verdade. Este caminho cria muitas perspectivas e opiniões sobre o mundo, mas a diversidade é a chave para uma população equilibrada. Um cyberpunk sabe que o sistema nunca está a teu favor e que há sempre quem te queira espezinhar. Um cyberpunk sabe como hacker um sistema, por isso não importa muito essa desigualdade. Não se metam com um cyberpunk.

Um cyberpunk tem estilo, embora este não seja homogéneo: pode ser prático (Mil-Tec) ou vistoso (Cybergoth). Os estilos variam bastante e reflectem uma interpretação pessoal. Há temas recorrentes como o punk tradicional, inspirados no Blade Runner, no Matrix e CPUs.

Quando é o Cyberpunk?
O Cyberpunk é agora. Muitas das coisas previstas pelo cyberpunk estão a tornar-se realidade hoje. Melhoramentos nas próteses e interfaces entre o cérebro e computador resultaram em próteses controladas por computador, uma das características base do cyberpunk. Cada vez mais as corporações dominam a política global e influenciam a cultura criando as condições propícias à subversão. Os pobres estão a ficar mais pobres e os ricos mais ricos, aumentando o hiato cada vez mais. O ciberespaço está a fundir-se com o mundo real: a Internet of Things, smathphones, social media, realidade virtual e realidade aumentada são exemplos disso. Hackers conseguiram dar lições de humildade a gangs, corporações, governos e outras pessoas. Bem-vindos à idade do cyberpunk.

O cyberpunk já se espalhou por todos os media, criando uma subcultura que transcende o simples género literário. Existem filmes, livros, séries televisivas, música, banda desenha e outras artes, um pouco por todo o lado. Só é preciso olhar. O cyberpunk influenciou a moda, filosofia e arquitectura. Tornou-se muito mais do que aquilo que era quando começou. E continuará a evoluir e a ficar mais relevante, à medida que transitamos de cyberpunk actual para o cyberpunk do futuro. 

O cyberpunk é agora por Khultar.

Artigo traduzido e adaptado a partir daqui.

domingo, 14 de agosto de 2016

Chá de Domingo #87: O Que é o Solarpunk? - Parte 1/2

Hoje vou falar-vos um pouco so Solarpunk.


A definição do wikipédia diz-nos que é um movimento de ficção especulativa eco-futurista. Assume um futuro em que escassez e a hierarquia são erradicadas e a humanidade é reintegrada com a natureza. Para além disso, toda a tecnologia é usada para efeitos ecológicos e humanos. O subgénero incluí a estética, arte e literatura. Surgiu após o ciberpunk em conjuntos com as suas variantes: biopunk e steampunk.

Significado do Nome
O prefixo solar surge a partir da ideia de energia verde, mais especificamente a solar, assim como fotossíntese, plantas e vegetação em geral. O prefixo é também um compromisso de uma utopia acessível e igualmente repartida por toda a humanidade, assim como todas as outras formas de vida, assim como a luz solar é para todos e não pode ser privatizada nem tornada numa mercadoria por corporações. O sufixo punk refere-se aos elementos de contra-cultura, uma revolta contra a estrutura contemporânea, governos corruptos e corporações que poluem e ignoram os problemas ambientais.


Origem
O solarpunk teve a sua origem na preocupação com problemas ambientais, nomeadamente o aquecimento global, estando fortemente ligado ao eco-activismo. Os temas recorrentes e que influenciam cada aspecto desta subcultura são sustentabilidade, energias renováveis, política verde e todas as que estão associadas a estes. Vai buscar inspiração a vários conceitos contemporâneos como cidades em transição, justiça climática e ecologia social assim como de campos mais alargados como resiliência e economia ecológica. Em termos políticos, inclina-se para uma esquerda anti-autoritária, nomeadamente para o anarquismo social: democracia directa, economia cooperativa, descentralização, oposição à hierarquia e união na diferença. Em termos económicos, descarta o capitalismo de mercado e socialismo estatal em favor duma economia comum descentralizada e equalitária. Baseando-se em empresas cooperativa geridas de modo democrático, gestão comum e local dos recursos, automatização do trabalho através de tecnologias ecológicas, percepção da economia como uma parte da ecologia, ajuste da produção com o consumo e a mudança do objectivo da economia do lucro e crescimento para um aumento do bem estar psicológico, biológico e social das pessoas e do planeta.

Esteticamente, tem grandes influências no design natural, faça você mesmo e fibras naturais. Em particular, há uma tendência para as linhas suaves e de inspiração natural da arte Nouveau. Também há inspirações Vitorianas e Eduardianas, Afrofuturismo e arte do médio oriente, em particular como moda. A maioria coloca o ênfase estético e arquitectural nas comunidades intencionais e na arte utilitária.

domingo, 7 de agosto de 2016

Chá de Domingo #86: Balanço do Camp Nanowrimo de Julho de 2016

O Camp Nanowrimo de Julho acabou há uma semana. Agora que as coisas acalmaram, é hora de fazer o balanço.


Desta feita, meti na cabeça terminar O Jarro de Porcelana, rever As Nuvens de Hamburgo e ainda escrever uns 7 contos. O primeiro dia foi passado a entrar e sair de aviões, conseguindo completar um conto. O segundo dia foi menos produtivo, mas fiquei no ponto exacto em que não há atraso nem adiantamento. No terceiro dia continuei a cumprir o plano, a faltar apenas 7 capítulos para terminar o Jarro de Porcelana. No dia seguinte decidi fazer uma pausa e começar a escrever um conto que previa ter três partes com mil palavras cada mas que acabou por ter cinco. O quinto dia foi dedicado ao Jarro de Porcelana, completando mais um capítulo, no dia seguinte repeti a proeza. O sétimo dia tornou-se no dia mais produtivo do desafio, com 1892 palavras: completei dois capítulos e terminei a segunda parte do conto. O oitavo ganhou o estatuto de menos produtivo com 83 palavras. No nono dia escrevi dois capítulos e comecei o último do livro. Para além disso, ultrapassou o sétimo dia em produtividade, com um total de 2059 palavras. Ao décimo dia terminei o primeiro rascunho do Jarro de Porcelana, cumprindo assim um dos objectivos traçados.


No décimo primeiro dia iniciei a reescrita das Nuvens de Hamburgo, tornando-o o dia mais produtivo com 2511 palavras. No dia seguinte terminei dois capítulos, ficando com um total de três. Embora tenha terminado outro capítulo, o décimo terceiro dia ficou marcado pela proposta de capa avançada pela minha esposa. O dia seguinte protagonizou a publicação mais acedida de todo o desafio e uma capa melhorada que podem ver abaixo. No décimo quinto dia terminei o sexto capítulo. Foi a primeira vez que cheguei a meio do desafio sem atrasos nem adiantamentos.


O décimo sexto dia da jornada passei-o a escrever o sétimo capítulo de raiz, ao contrário do que aconteceu com os anteriores. E passou mais um dia e escrevi mais um capítulo. O nono capítulo e a reviravolta foram atingidos do décimo oitavo dia. E outro dia, outro capítulo. Por motivos profissionais, o vigésimo dia foi muito menos produtivo.


O vigésimo primeiro dia trouxe ainda mais atraso. No dia seguinte, apesar de não ter escrito muito, terminei o capítulo 11 e a terceira parte do conto. O vigésimo terceiro dia tornou-se o dia com maior produtividade com 2567 palavras, com as duas partes que faltavam ao conto e ainda uma porção do capítulo 12. Três capítulos foi o que terminei a 24 de Julho. O vigésimo quinto roubou o título de dia mais produtivo com 2797 palavras, o completado do capítulo 15 e atingindo o Ponto sem Retorno. O Momento de Desespero chegou no vigésimo sexto dia com o décimo sexto capítulo. Apesar do cansaço: mais um dia e mais um capítulo. O vigésimo oitavo dia foi o dia oficial de carência. Ao invés continuar o 19º capítulo, passei grande parte do dia vinte e nove a escrever um artigo de não-ficção que sairá em breve numa pequena revista. Foi só no trigésimo dia que completei o décimo nono capítulo. O último capítulo das Nuvens de Hamburgo foi escrito no último dia do desafio.

O meu desempenho foi suficiente para conseguir o crachá de vencedor. O terminar do primeiro rascunho do Jarro de Porcelana e a reescrita das Nuvens de Hamburgo eram as minhas prioridades. Apenas não cumpri um dos três objectivos que tinha traçado: escrita de 7 contos - acabei por me ficar pelos 2 e mais um artigo. Foi o Camp Nanowrimo mais regular de sempre! Podem ler o diário completo do desafio aqui. Cá vos espero em Novembro!

domingo, 26 de junho de 2016

Chá de Domingo #85: Aquecimento para o Camp Nanowrimo - Julho de 2016

Este Julho vou, mais uma vez, participar no Camp Nanowrimo.


Se aprendi alguma coisa com o Camp Nanowrimo anterior, foi que é necessário enfrentar este desafio com um plano. Por isso, desta vez já estou a finalizar o plano, incluido o que tenho de escrever em cada dia. Fica a faltar a pesquisa, mas creio que não tenha de fazer muita.

Como tenho objectivos bem claros, vou passar a enumera-los para que constem no registo:

- Terminar o Jarro de Porcelana. Faltam cerca de dez capítulos, num total de cerca de 11500 palavras (mais coisa menos coisa). Já ando com este projecto em mão há bastante tempo, é altura de terminar o primeiro rascunho e meter a marinar. Isto deve-me ocupar uns oito dias e deverá ser a minha tarefa prioritária.

- Rever As Nuvens de Hamburgo. Finalmente há alguém interessado neste manuscrito e por isso vou aproveitar a oportunidade para fazer uma revisão geral. Para além disso, vou acrescentar alguns capítulos e mudar um pouco a história, no sentido das críticas que tenho vindo a receber. O livro tem 23000 palavras, mas irá crescer. Espero que isto me demore cerca de 16 dias.

- Escrever contos. Os restantes 7 dias, quero-os usar para escrever alguns contos. Um deles é para participar num concurso e os restantes são para o Fantasy and Co, num esforço de desenvolver alguns dos meus universos literários. Tenho planos para 3 e espero que me surjam ideias para outros 3.

A meta que defini foram as 45000 palavras, o que dá um pouco menos de 1500 palavras por dia (o mês tem 31 dias). Talvez seja uma meta demasiado ambiciosa, mas necessito de algo que puxe por mim. Para além disso, não acho que seja um desafio decente menos que 40000 palavras. Decidi juntar-me a uma cabina aleatória, não sei bem porquê, esperando que algo de bom saia dai.

Fica aqui a ligação para o meu perfil no Camp Nanowrimo.

domingo, 19 de junho de 2016

Chá de Domingo #84: O Que é o Cyberpunk? - Parte 2/3

Podem ler a primeira parte deste artigo aqui.

Uma versão em desenvolvimento de um cyberpunk do jogo Cyberpunk 2077

Na primeira parte do artigo falamos sobre a génese. Na segunda iremos abordar a definição e a essência do movimento cyberpunk.

Em Busca de uma Definição
Podemos obter uma definição básica dissecando a palavra: cyber refere-se à tecnologia, muitas vezes associada ao cyberespaço (termo criado por William Gibson) e aos implantes cybernéticos. Contudo, isto também se pode referir a outras tecnologias: por exemplo biotecnologia e nanotecnologia. Por outro lado, punk refere-se às pessoas e à atitude cyberpunk. Os protagonistas tendem a ser anti-heróis, rejeitados, exilados, criminosos, visionários, dissidentes e desajustados. Um aspecto subjacente que se aplica a todos estes grupos é a sua natureza subversiva.
Subverter é derrubar ou sabotar algo. O próprio género subverteu a ficção científica sem sequer olhar para trás. Para se ser punk é necessário questionar a autoridade e subverter toda e qualquer autoridade com a qual não se concorde. Pessoas diferentes fazem-no de maneiras diferentes, tal como os protagonistas das histórias cyberpunk. Um exemplo é Motoro Kusanagi do Ghost in the Shell. Aparenta ser uma agente do governo japonês. No entanto, ser um instrumento não é o que a define, nem como ela se define a si mesma. Na história, ela não tem medo de se esquivar à lei e resolver as coisas com as suas próprias mãos se isso estiver de acordo com o que considera estar certo: tramar os politicos. Ela é um elemento subversivo dentro do próprio governo.

A Essência do Cyberpunk
Existem algumas citações que ajudam a ilustrar a essência do cyberpunk.

A cidade de Hengsha, fisicamente dividida, de Deus Ex: Human Revolution

"O futuro já chegou - só não está distribuído de foram equalitária."
- William Gibson

Esta citação traz o foco do cyberpunk para a dicotomia high tech, low life. Existe a alta tecnologia, contudo, essa tecnologia não conseguiu desfazer as divisões sociais deixando uma disparidade entre classes, a qual provoca uma luta social. Para além disso, apesar da tecnologia existir, as classes mais baixas não possuem recursos para poderem beneficiar dela, provocando um alargar do fosso com a elite a ficar mais rica e a ter acesso a mais tecnologia.

"Tudo o que puder ser feito a um rato, pode ser feito a uma pessoa."
-Bruce Sterling 

Este é um conceito importante. Fazemos coisas horríveis a ratos em nome do progresso e somos quase totalmente insensíveis quanto a isso. Muitas tramas de cyberpunk giram à volta do efeito de alguma droga ou alguma adulteração do cérebro, que ja foi feita a ratos. É só uma questão de tempo até começarmos a interferir connosco da mesma maneira. Os ratos são só o exemplo.

"A rua encontra o seu próprio uso para as coisas."
- William Gibson

Isto explicita o aspecto baixo/punk e coloca-o no contexto dos movimentos de fonte aberta (open source) e faça você mesmo (DIY). A taxa de desenvolvimento é tão elevada que criamos uma data de coisas que se tornam quase de imediato obsoletas. Essas coisas perdem o seu valor e acabam por ser abandonadas, no entanto, este desperdício pode ser reutilizado de maneiras que os seus criadores nunca imaginaram. Por exemplo, usar um leitor de DVD para testar o VIH.

Podem ler a terceira parte do artigo nesta ligação.

Artigo traduzido a partir daqui.

domingo, 12 de junho de 2016

Chá de Domingo #83: O Que é o Cyberpunk? - Parte 1/3

A definição de cyberpunk não é fácil. Cyberpunk é simultaneamente um género e uma cultura. Resumindo-se a alta tecnologia, baixa vida (high tech, low life).

Uma cidade à noite, alta-tecnologia, um detective durão e uma mulher fatal

Cyberpunk é um sub-género da ficção científica, que se caracteriza por uma alta tecnologia e ciência num ambiente urbano, futurista e distópico. De um lado há as mega corporações e as empresas de segurança privadas e do outro o submundo do mercado negro, gangues, drogas e vícios. Entre as duas há política, corrupção e desordem social.

É também uma cultura com atitude e estilo próprios: anti-autoritária, contra as marcas e apaixonada por tecnologia.

A Origem

Começou por ser um movimento literário, mas acabou por se tornar numa subcultura. O que é o Cyberpunk? é uma questão complexa e com múltiplas camadas, cuja resposta vai mudando com a nossa percepção do futuro. Apesar de ter começado nas palavras, os tentáculos do cyberpunk já se infiltraram em várias formas de arte, na moda e filosofia, tornando-se numa subcultura sólida.

Existem várias maneiras de analisar a génese do cyberpunk. O termo teve origem na história com o mesmo nome de Bruce Bethe, em 1980. De seguida, surgiram vários pioneiros que delinearam as bases do género William Gibson (considerado o pai do cyberpunk), Bruce Sterling, Pat Cadigan, Rudy Rucker, John Shirley e Lewis Shiner. Para além disso, houve várias obras percursoras do género pelas temáticas e pela estética: The Demolished Man em 1953 e The Stars My Destination em 1956, ambos por Alfred Bester; Do Androids Dream of Electric Sheep? em 1968 escrito por Philip K. Dick; Dr. Adder em 1984 (embora tenha sido escrito em 1972) por K. W. Jeter; Gravity's Rainbow em 1974 por Thomas Pynchon; The Shockwave Raider em 1975 por John Brunner e. True Names em 1981 por Vernor Vinge. Mais recentemente, o autor Neal Stephenson com o seu livro Snow Crash em 1992, inaugurou a era pós-cyberpunk.


Blade Runer and Neuromancer foram os criadores do movimento. Blade Runner é o paradigma visual de todo o cyberpunk, do mesmo modo que o Neuromancer influencia toda a literatura. Cyberpunk nunca foi apenas um género literário.

“Tinha medo de ir ver o Blade Runer ao cinema porque receava que o filme fosse melhor do que eu próprio consegui imaginar. De certo modo estava correcto, porque até os primeiros minutos eram melhores.”
- Philip K. Dick

“Encontrei-me com Ridley Scott alguns anos mais tarde, talvez uma década ou mais depois da estreia de Blade Runer. Disse-lhe as ideias base do Neuromancer, e o Blade Runner tinha basicamente a mesma lista de ingredientes.”

Podem ler a segunda parte deste artigo aqui.

Artigo traduzido a partir daqui.

domingo, 5 de junho de 2016

Chá de Domingo #82: Construção de Mundos - Parte 4/4

Como construir um mundo ficcional que seja coerente e interessante? Foi o que eu procurei ensinar nestes três artigos (parte 1, parte 2 e parte3).


Estabelecer as Regras
A construção de mundos implica a criação de regras. Mais concretamente, porque é que e como é que certa coisa funciona. Porque é que certas magias são proibidas? Quem fez as pirâmides gigantes? (É óbvio que foram os extraterrestres) O que é que acontece se meteres um colher de prata no caldeirão de uma bruxa numa Quinta-feira à tarde? As regras são necessárias para ajudar os leitores a compreender o mundo criado e como é que os acontecimentos da história o irão afectar. Mas, como nos detalhes do mundo, a enumeração das regras pode criar um bloco de texto que fará vacilar o mais motivados dos leitores. A menos que sejam as regras Figth Club! Não precisam de enunciar as regras, basta que dêem pistas para que os leitores cheguem lá.

Pesquisa?
Preciso de pesquisar para construir o meu mundo ficcional? Sim! Política, comércio, religião, literatura, arte, guerra, etc. Saber como esta coisas funcionam no mundo real, fará com que consigam idealizá-las no vosso mundo fictício.

Conflito?
Sempre! Até o próprio mundo deve estar à beira de um conflito, como o nosso mundo real: seja guerra, fome, injustiça, racismo, etc. Torna o vosso mundo mais interessante e vivo. Por fim, é bom para a história e podem até conjugar com os conflitos das vossas personagens.

Tudo afecta tudo
Há que ter cuidado com a complexidade inerente à construção de mundos. Tudo depende de tudo! As consequências pode não óbvias à primeira vista, mas podem criar resultados interessantes. Por exemplo, pensem no impacto de uma tecnologia no mundo: prensa, electricidade, Internet, viagens pelo hiperespaço. Outro exemplo é a escassez de um recurso crítico: comida, água, óleo, café, deutério, etc. Pequenas alterações no sistema económico podem causar o caos. Uma nova técnica industrial pode destruir o ambiente ou resolver o problema. Tudo tem impacto em tudo, o que torna a construção de mundos interessante e ao mesmo tempo complexa.

Nas entrelinhas
As personagens dizem muito nas entrelinhas. O mundo deve fazer o mesmo. Algumas coisas ficam melhores se ficarem implícita ao invés de explícitas.

Preservar o Mistério é Fundamental
Um universo totalmente revelado é um universo aborrecido. Mistério em conjunto com o conflito, são essenciais para manter os leitores presos. Deixa muitas perguntas por responder e vai respondendo-as ao longo do livro. Preserva a incerteza no mundo que criaste e nunca puxes a cortina toda de uma vez. Deixa o leitor preso e expectante em relação à próxima revelação.

Criação de Mundos e Narração
Uma boa criação de mundo não significa uma boa narração. Se compararmos o Episódio 1 de Star Wars com o Episódio 4, notamos que o worlbuilding está mais desenvolvido e robusto no 1, no entanto, isso não faz com que a narrativa seja mais apelativa, antes pelo contrário: parece que rouba parte do poder da história.

Construir Mundos que Fascinem
Em primeiro lugar, o mundo construído tem de te fascinar. Tem de te prender o interesse! Se não gostas dele, por mais esforço que faças, toda a construção irá parecer morta. Entusiasma-te com a criação do mundo. Grita: Faça-se luz! Observa os teus maiores sonhos e medos tomarem forma numa explosão de cores, sons e cheiros! É garantido que irás construir um mundo que irá fascinar e prender também o leitor.


Este artigo foi inspirado e baseado neste.

domingo, 29 de maio de 2016

Chá de Domingo #81: Construção de Mundos - Parte 3/4

Como construir um mundo que enriqueça a história que queremos contar? Esta é a pergunta que vou tentar responder hoje, em continuação deste e deste artigos.


Misturar coisas
Vivemos numa era de misturas e do reviver de culturas. Tudo o que não é inteiramente novo parece uma mistura de coisas que já conhecemos. No caso da construção de mundos, isso não é de todo uma má abordagem. Pode até ser uma coisas divertida de fazer! Mas é preciso ter um certo cuidado, quero-se uma mistura que resulte numa poção mágica e não apenas a mistura de dois tipos de água. Misturar Star Wars e Star Trek não é tão interessante como misturar Orwell com Dune imersos na cultura Siberiana com o sentido de humor do Pratchett. Acima de tudo o importante é não se ser preguiçoso e previsível. Usa o máximo de ideias, o mais dispares possível, para criar algo novo e único.

O problema do homem branco
Voltando um pouco atrás, à parte dos estereótipos, o problema do homem branco é algo que infesta a literatura e não só. Os protagonistas são tantas vezes homens brancos e fortes que já começa a enjoar. Nem a criação de mundos se safa disso. Há uma tendência nefasta para haver o privilégio do homem branco. A maioria dos escritores dá a desculpa de que na idade Média a mulher era um mero acessório e só os homens é que mandavam. Para começar, o mundo criado não tem de ser fiel a nenhuma realidade histórica. Para continuar, a história não é tão preto no branco como a maior parte das pessoas pensam: por exemplo Elisabete I da Inglaterra. E para terminar, isto são só desculpas. Há que evitar o problema do homem branco como qualquer outro estereotipo.

O diabo está nos detalhes
É uma frase que todos conhecem e que se aplica que nem uma luva à criação de mundos. É fácil estabelecer, e perder-se, nos grandes pilares da mundicriação: história, política e religião. Uma consequência disso são os blocos de texto que enfiamos a martelo no meio da história. Agora voltando ao início: o diabo está nos detalhes, e são esses detalhes que fazem a diferença entre um construção de mundo bem sucedida e uma que aborrece de morte o mais persistente dos leitores. Mostra o que é que eles comem às diferentes refeições. Mostra o que é que eles bebem. Mostra como são as casas deles. Mostra! Mostra! Mostra! Esta é a melhor maneira de construir um mundo.

O diabo também está nas interacções
Oh sim! Da mesma maneira que se mostra os pequenos detalhes que compõem o mundo, também se deve mostrar as interacções. Mostra de que maneira partilham a comida. Mostra como é que tratam os superiores. Mostra como são as relações românticas e como é que encaixam na norma. Mostra o mundo através do que as personagens fazem e dizem.

O mundo está vivo
Outro erro comum é construir um mundo estático. O mundo não é uma enciclopédia de raças esquecidas e culturas mortas. Claro que essas raças esquecidas podem lá estar, visto que dão uma profundidade adicional ao mundo, mas não podem ser o centro do mundo. O pilar do mundo devem ser as personagens vivas, a fazerem coisas reais que mandam o mundo. Deve-se combater a tendência de criar um mundo rígido e a desculpa de que todos fazem o mesmo. O nosso mundo nunca foi estático nem rígido. Por exemplo, ao olhar para um certo país temos uma certa ideia de como ele é, mas isso não significa que todas as pessoas sigam a norma. As pessoas são seres vivos e fazem decisões, nomeadamente a de aceitar ou recusar parte da cultura em que estão imersas.

Cortar a palha
Há uma certa tentação de acrescentar certos detalhes só que os consideram geniais. Até aí tudo bem, mas é necessário garantir que eles se ligam ao resto da história. A desculpa de que é um detalhe altamente não é suficiente. Se um certo detalhe ou vertente não tem ligação ao tema, tom ou personagens, o melhor é deixá-lo de fora. Podem usá-lo mais tarde noutra história ou noutro mundo em que a sua aparição seja mais plausível. Afinal não querem que a vossa ideia genial seja apenas um detalhe numa história maior quando pode ter a sua própria história, pois não?


Adaptador a partir deste artigo.

domingo, 22 de maio de 2016

Chá de Domingo #80: Construção de Mundos - Parte 2/4

Hoje vou continuar o artigo sobre a construção de mundos que iniciei aqui.


O Mundo é mais que um apoio à trama
A história não é só a trama. O que significa que o mundo criado terá de servir de pilar para o ambiente, tema, conflito, personagens e cultura da história.  Não deve ser só apresentado para fazer avançar a história, os detalhes devem envolver toda a narrativa e não se limitarem só à trama e à acção.

Mostrar, não contar
Isto é válido para outras vertentes da história. Nunca é demais chamar a atenção para um contar excessivo! Os detalhes do mundo devem ser trazidos pelos diálogos e pela acção. Nenhum leitor gosta de ter de enfrentar um monólito de descrição.

Simples ou Complexo?
Esta é uma questão que não tem um resposta última, depende muito da história que desejam contar. Certas histórias têm uma trama tão atraente ou personagens tão carismáticas que ofuscam por completo o mundo. Certos tipos de história exigem um mundo monocromático e simples (por exemplo: as fábulas e as "Era uma vez..."). As restantes devem afastar-se da construção simplista: estes são os bons e estes os maus. Por que é que acham que o Game of Thrones tem tanto sucesso? Não tem nenhuma personagem totalmente boa e inocente, nem nenhuma só má e perversa. Todas são um misto, que as diversas circunstâncias evidenciam determinadas características. Assim deve ser o vosso mundo. Não há grande novidade se o elfos forem os bons e os trolls os maus. É muito mais interessante se em cada raça houverem personagens realistas, ou seja, nem boas nem más. Agora é só extrapolar isto para as restantes vertentes.

Falar só sobre aquilo que se sabe
Este é um daqueles conselhos que vemos repetido um milhão de vezes. Em geral é um bom conselho e que deve ser seguido, mas há excepções e a construção de mundos é uma delas. Na ficção especulativa, é um daqueles conselhos que faz o escritor querer mandar com a cabeça na parede. Como raio vou escrever sobre o apocalipse? Como vou descrever homicídio? E como vou completar aquela cena de sexo entre um alien e um elfo? A maioria dos escritores aqui presentes só passou por apenas duas delas e numa estavam notoriamente embriagados. Como é que podemos então usar este conselho na construção de mundos? Não podemos! Pode ajudar na construção de personagens e situações, mas não de mundos. Não é totalmente verdade o que acabei de escrever: pode-se pegar em coisas que entendemos e extrapolar. Nem todos têm acesso às maquinações internas de um parlamento, mas até uma reunião de condomínios pode evidenciar o mesmo tipo de jogos e interesses, portanto o segredo é observar e adaptar. À falta disso, podem ir buscar inspiração à cultura, política e história. Leiam não-ficção sobre outros lugares e sobre outras pessoas. Não deixem que escrever só sobre aquilo que sabem seja uma barreira, mas um incentivo para saberem mais.

Uso de estereótipos
No caso da construção de mundos, e noutras coisas também, devem fugir dos estereótipos como o diabo da cruz. Heróis brancos e senhoras em apuros devem-se evitar, assim como uma uma raça que age toda do mesmo modo. Nenhuma cultura é monolítica, nem a cor da pele define o comportamento e muito menos as habilidades. Os homens e as mulheres não são coisas estáticas e cópias uns dos outros e totalmente estanques em termos de género. Os estereótipos são preguiça na melhor das hipóteses e insultuosos na pior. 

Este artigo foi adaptado a partir daqui.

domingo, 15 de maio de 2016

Chá de Domingo #79: Corte do Norte

Conheçam a Corte do Norte, a qual tive o prazer de entrevistar, tal como tinha prometido aqui.

É um grupo de pessoas que tem experiência individual em participação e voluntariado de eventos, e que organizou colectivamente a EuroSteamCon 2015 de Portugal. Entre os membros contam-se escritores, músicos, designers, costureiros, roleplayers, e claro, aficionados pelo género steampunk.
(adaptado do site)

1 - Entre tantos géneros literários e artísticos, porquê o Steampunk?
A Corte do Norte não é exclusivamente um grupo de steampunk. Somos, antes de mais, um grupo de amigos com bastantes interesses em comum, quer seja livros, filmes, jogos, banda-desenhada, entre outros. O steampunk é apenas um desses géneros, visto que junta tanto daquilo que gostamos: história, época vitoriana, aventuras, gadgets, e a oportunidade de nos vestirmos a rigor e termos justificação para o fazer. Segundo experiência própria as pessoas normais tendem a olhar-nos de lado se nos vestíssemos sempre assim.

2 - Como é que se envolveram na organização do EuroSteamCon? A Corte do Norte foi criada para esse efeito ou já existia antes?
A Corte do Norte existia como um grupo informal de amigos escritores, que se conheceram através do Nanowrimo, um concurso de escrita. Estivemos nas duas edições anteriores da EuroSteamCon Portugal, e foi com pena que registamos a sua ausência em 2014. Depois de atirar algumas ideias ao ar e de muita ambição entre nós, perguntamo-nos “porque não fazermos nós?”. Com tantas pessoas de áreas diferentes no nosso grupo, com certeza que conseguiríamos fazer algo interessante. Depois de falar com a organização anterior e de obter a sua bênção, procedemos então a um ano inteiro de organização, entrevistas, e brincadeiras.

3 - Que outros projectos têm para além desse?
Ideias é algo que não nos falta, mas torná-las em projectos finais é mais difícil. Ora por ambição a mais, ora por falta de apoio por organizações e instituições do país, este tipo de convenções ou eventos ainda não têm muitas oportunidades em Portugal.
Mas temos outros projectos que podemos organizar entre nós, e estamos neste momento a debater alguns! Em breve talvez tenhamos notícias.

4 - Como está o género em Portugal, tanto em termos de artistas como de público?
Em parte aliado ao que referimos acima, Portugal ainda tem muito para desenvolver neste campo. Convenções grandes como a Comic Con ou a IberAnime têm resultados, mas projectos mais pequenos têm bastante dificuldade em vingar. Muitas vezes porque os espaços não são cedidos, ou pedem fundos que não existem em grupos sem fins lucrativos como nós. Outras vezes porque ainda não há público suficiente para garantir sucesso em eventos assim.
A comunidade steampunk em Portugal, embora não muito grande, é bastante activa. Nós não somos um grupo especificamente deste género, mas a Liga Steampunk em Lisboa é, e podemos vê-los em vários eventos ao longo do ano. Há várias pessoas a vestirem-se do género, a fazerem photoshoots, cosplays… É uma comunidade leal ao género e activa.
Mesmo assim, organizámos uma campanha de Indiegogo para trazer cá um convidado na próxima EuroSteamCon Portugal e não conseguimos o mínimo necessário. Talvez a comunidade não seja grande o suficiente, ou talvez cá ainda não haja o mindset necessário para apostar em projectos deste género. Talvez tenha sido a crise! Portugal tem potencial, mas ainda tem bastante que crescer.

5 - Steampunk não é só literatura, é também BD, Ilustração e Vestuário. Falem-nos um pouco dessas vertentes, e de outras, e do que existe em Portugal.
Infelizmente ainda não existe muito nesta área em Portugal. Se formos a ver, o steampunk é um nicho dentro dos géneros de fantasia e ficção-científica, e mesmo os autores e artistas desses géneros não são uma multidão neste país. Temos alguns artistas com banda-desenhada no género, como a dupla Marta Patalão e Tiago Bulha, ou Diogo Carvalho, e Carla Rodrigues. A SkyPirate Creations e a Elfic Wear fazem roupas steampunk. Mas o mercado steampunk português, fora dos Almanaques publicados em 2012, 2013, e 2015, tem ainda pouco (embora bom) a mostrar.

6 - Para quem nunca leu nada de Steampunk, nem tem nenhuma ideia do que se trata, qual seria o livro que aconselhariam a essa pessoa para que tivesse uma boa impressão do género? Porquê?
Escolher um só livro é limitativo, porque mesmo os fãs de steampunk têm gostos diversos! Existem várias escolhas:
- Qualquer uma das séries da Gail Carriger para quem gosta de heroínas independentes em mundos com criaturas sobrenaturais, e gadgets steampunk misturados com regras de etiqueta social;
- Os livros da Cherie Priest, história alternativa com zombies, zepelins, e bastante aventura pelos Estados Unidos em guerra civil.
- Por outro lado Scott Westerfeld em Leviathan pega na Primeira Guerra Mundial, numa mistura de máquinas steampunk e monstros criados através destas tecnologias.
Existem tantas possibilidades, não só em livros. O ano passado escrevemos um guia na revista Bang! precisamente sobre este tema. Aqui está o link para a edição online: http://revistabang.com/2015/08/04/bang-18-disponivel-online/

7 - Podem adiantar algo sobre o EuroSteam Con deste ano?
O que podemos adiantar para já é que em principio, devido à campanha Indiegogo não ter sido bem sucedida, não irá haver EuroSteamCon Portugal 2016. Talvez haja algo diferente, outro tipo de evento, mas nada como no formato do ano passado. Temos ideias e projectos que queremos anunciar, dependendo de como tudo correr, e em princípio estaremos na mesma presentes na Comic Con Portugal deste ano. Mas se houver interesse e apoio para uma futura convenção, talvez consigamos voltar no próximo ano!

Agradeço a disponibilidade da Corte do Norte para responder às minhas perguntas e faço votos que os próximos projectos sejam bem-sucedidos.

Saibam mais sobre a Corte do Norte no seu Website e no seu Facebook.