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domingo, 24 de maio de 2015

Chá de Domingo #39: Luís Miguel Rocha

Andei umas boas semanas antes de conseguir escrever este artigo.


Vi a saber do falecimento do escritor Luís Miguel Rocha nesta ligação, uma semana depois de acontecer por ter estado doente. Dei muitas voltas à cabeça de como gostaria de fazer uma pequena homenagem a este escritor que tanto aprecio. Uma morte de cancro nunca é fácil de aceitar, ainda mais quando se dá numa pessoa que nem tinha chegado aos 40 anos e era uma das promessas do triller em português.

A ideia acabou por me chegar pelo escritor Paulo Morais, num artigo do seu blogue. Ele também batalhou recentemente um cancro e venceu-o (se tal se puder dizer). Paulo Morais enfrentou a situação com uma boa dose de humor, algum do qual bastante negro. Parece-me uma alternativa mais saudável do que o desespero. Afinal é com o humor que dizemos a brincar aquilo que não queremos dizer a sério.

(imagem retirada daqui)

Do Luís Miguel Rocha apenas li ainda o Último Papa. Em casa tenho A Filha do Papa, no qual ainda não me atrevi a pegar, mas que se calhar devia. No fim de contas, nunca sabemos quando se aparece um entrave fatal nas nossa vidas. Contudo, uma única obra fez-me pegar de novo no género triller, do qual estava divorciado há algum tempo. Não só me fez pegar num livro desse género como eu próprio estou a tentar escrever um, O Jarro de Porcelana. E só por isso, já valeu a pena conhecer o autor.

Lembro-me da única vez que tive a oportunidade de pedir um autografo e ouvir um pouco este escritor falar. Foi no 5º Aniversário do Blogue Morrighan. Ao falar notava-se que era uma pessoa bem humorada, por exemplo, quando confessou que se distraía tanto a escrever os seus livros que chegou a ir do Porto para Lisboa de carro e voltar de comboio. Nem só pelas coisas que dizia, mas essencialmente pela sua postura descontraída e sorridente. Apenas consegui trocar algumas palavras com ele, em que lhe confessei que gostava muito da sua escrita, em especial o sentido de humor. Portanto, o humor acaba por ser o elo de ligação.

Se ele tiver tido nos seus leitores e nas pessoas que conviviam com ele o mesmo impacto que teve comigo, nem que seja por melhorar o dia com uma dose de humor, posso dizer que ele cumpriu a sua missão. É uma pena ele ter-nos deixado tão novo, mas o melhor que podemos fazer para o homenagear é lembrarmo-nos dos momentos em que ele nos fez sorrir. Tenho a certeza que é o que ele gostaria que fizéssemos!

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Livros: O Último Papa

Como surgiu a oportunidade de conhecer este autor pessoalmente, eu decidi fazer as pazes com os trillers e dar uma oportunidade ao género.


Autor: Luís Miguel Rocha
Sinopse: 29 de Setembro de 1978. O mundo acorda com a chocante notícia da morte do Papa João Paulo I, eleito há apenas trinta e três dias. O Vaticano declara que Sua Santidade morreu de causas desconhecidas e que o corpo será embalsamado dentro de vinte e quatro horas, impossibilitando qualquer autópsia...
2006. A jornalista Sarah Monteiro recebe na caixa de correio um envelope com uma lista de nomes que não conhece e uma mensagem codificada. Inicialmente, Sarah fica apenas confusa, mas depois de a sua casa ser assaltada percebe que aquela lista a coloca em perigo.
O conteúdo do envelope revela um mundo de corrupção que a jornalista nunca imaginara e ajuda a descobrir a verdade sobre a misteriosa morte de João Paulo I. Arrastada para uma realidade em que mercenários implacáveis, políticos corruptos e membros da Igreja conspiram com o mesmo propósito, Sarah terá de escolher entre contar ao mundo a verdade ou salvar a sua própria vida.



Depois de muitos anos a ler JRS e Dan Brown, começava a achar que a formula do triller estava esgotada e estagnada, tanto na temática como na abordagem. Devo dizer que fiquei positivamente surpreendido com este livro, mesmo sem nunca ter lido mais nenhum do mesmo autor.

Para começar, gostei que abordasse a corrupção no Vaticano de um modo mais próximo da realidade que os outros livros do género. As personagens não são cliché, como nos últimos livros que tenho lido, e são multi-dimensionais. Como tive oportunidade de dizer ao autor, adorei o seu sentido de humor. Os únicos pontos menos bons foram as primeiras linhas, que não me parecem ser o melhor início para um livro, e alguns dos capítulos que tratam do passado ficaram aquém do que esperava.

Recomendo a todos os amantes de triller e/ou apaixonados por teorias da conspiração.

Classificação: 4 estrelas