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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Livros: Gente Pobre

Já é a terceira obra que leio de Fiódor Dostoiévski.


Autor: Fiódor Dostoiévski
Sinopse: Em 1846, aos 25 anos de idade, Doistoiévski publica o seu primeiro romance Gente Pobre que anuncia a grandeza da sua obra romanesca. Escrito sob forma epistolar, contém muito pouco de descrição, mas em contrapartida o autor conferiu-lhe uma intensidade emocionante. Passa-se num bairro pobre de São Petersburgo, onde um funcionário de meia-idade troca correspondência com uma jovem costureira. Demasiado pobres para se casarem, o seu amor passa todo pelas cartas, onde contam um ao outro os pequenos acontecimentos do dia-a-dia e revelam o seu mundo íntimo, marcado pelo sofrimento e pela humilhação.


Tenho de confessar que Fiódor é um daqueles escritores que me fascina. Depois de ler Crime e Castigo, as minhas expectativas eram grandes e não fiquei desapontado. Apesar de ser o seu primeiro livro e de o autor não estar tão maduro como na sua obra prima, notam-se os traços característicos do autor. As personagens, que vivem num São Petersburgo empobrecido, são-nos apresentadas com uma personalidade complexa e com uma história cheia de voltas e reviravoltas, de modo que é fácil identificarmo-nos com elas. A acção é-nos apresentada através de cartas, com as quais tomamos conhecimento da miséria financeira e emocional que aflige as personagens. O único ponto menos positivo é o facto de a meio do livro a história parecer arrastar-se.
Recomendo a quem não conhece ainda o autor.

Classificação: 4 estrelas

sexta-feira, 6 de março de 2015

Livros: A Submissa e Outras Histórias

E que tal um regresso ao século XIX?


Autor: Fiódor Dostoiévski
Sinopse: Com A Submissa e Outras Histórias a Presença continua a publicação dos contos de Fiódor Dostoiévski, depois dos volumes Coração Fraco e Outras Histórias e O Ladrão Honesto e Outras Histórias. Os três primeiros textos incluídos nesta colectânea, publicados entre 1862 e 1867, são «Uma História dos Diabos», «Apontamentos de Inverno sobre Impressões de Verão» e «O Crocodilo». Os textos que se seguem fazem parte de «O Diário do Escritor», uma coluna que Dostoiévski publica durante a década de 70 do século XIX, pertencendo a este período alguns dos seus contos mais importantes, como «Bobok», «A Submissa» e «Sonho de Um Homem Ridículo».
A tradução, directamente a partir do russo, esteve a cargo de Nina Guerra e Filipe Guerra, vencedores do Grande Prémio de Tradução Literária APT/Pen Clube Português.


Uma História dos Diabos: A premissa é interessante e o desenvolvimento também. Pena a história ser interrompida com inúmeras explicações e divagações. Apesar disso, é uma sátira hilariante cm personagens memoráveis. 4 estrelas

Apontamentos de Inverno sobre Impressões de Verão: Prometia ser uma crónica de viagens e acaba por ser uma crítica de costumes em forma de ensaio sobre a influência da Europa na Rússia. Para quem espera um conto, é difícil de ler. 2 estrelas

O Crocodilo: Uma história fantástica, cheia de humor e sátira. Gostei bastante por as personagens serem tão vincadas que se tornam cómicas, assim como toda a acção. O único ponto negativo é o final abrupto. 4 estrelas

Bubok: Continuando na veia fantástica do autor, esta história não prima pelo enredo mas pela ideia que lhe está inerente. 3 estrelas

Menino Numa Festa de Natal: Um conto tão belo quanto breve. A ideia pode não ser original, mas é daquelas que nos causa sempre impacto. 4 estrelas

O Mujique Marei: Breve, auto-biográfico e intenso. Gostei da ideia que está por trás e da execução. 5 estrelas

A Centenária: Outra história curta e interessante, onde se compreende a ideia apesar da execução não ser tão boa quanto a anterior. 4 estrelas.

A Submissa: Este é sem dúvida o melhor conto do livro. Uma trama complexa junta-se personagens com uma profundidade psicológica que só este autor consegue atingir. O próprio narrador é humano, o que acrescenta valor à narrativa. 5 estrelas

Sonho de um Homem Ridículo: Bem mais ao estilo de Dostoiévski, este conto fantástico defende uma tese interessante. Ou pelo menos, o narrador acredita que sim. Gostei bastante deste conto, tanto pelo desenvolvimento como pela mensagem implícita. 5 estrelas

Classificação: 4 estrelas