quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Ebooks: Icarus Blues

Uma analogia com a figura mitológica clássica foi muito bem aproveitada neste conto.


Autor: Ricardo Dias
Sinopse: Um acidente deixa um astronauta a dezenas de anos-luz de casa, perdido e aprisionado por figuras alienígenas demasiado familiares. Agora, tem o tempo contado para tentar escapar e descobrir um modo de regressar...


A história começa no momento certo, fazendo-se valer da analepse para nos dar a informação que falta. Tem um ligeiro excesso de tecnobabble no que se refere ao fato. Não há uma ligação muito forte com o protagonista até o final do primeiro terço da história. Achei interessante a caracterização dos extraterrestres. A trama começa lenta mas acaba por se desenvolver bem, aumentando o ritmo até ao final, servindo o leitor com um twist ligeiro. Um destaque especial positivo para as ilustrações feitas pelo próprio autor.
Recomendo a todos os fãs de ficção cientifica!

Classificação: 3 estrelas

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Ebooks: Nó Górdio

Viagens no tempo? Paradoxos temporais? É este o conto!


Autor: Ricardo Dias
Sinopse: O líder de uma agência de correcção de anomalias temporais defronta-se com o maior dilema da sua vida. Um problema aparentemente insolúvel, mas que exige uma solução a todo o custo...


Estou dividido em relação ao início do conto, não gosto muito quando a personagem principal não nos é apresentada nas primeiras linhas, se bem que compreendo o porquê do autor o fazer. Talvez por isso seja um pouco mais difícil sentirmos empatia com a personagem principal. Assim que a trama principal começa, a tensão cresce e as revelações sucedem-se impondo um bom ritmo de leitura. Podia beneficiar de alguma descrição mais elaborada dos cenários.
Recomendo a quem goste de viagens no tempo e paradoxos temporais!

Classificação: 3 estrelas

domingo, 9 de agosto de 2015

Chá de Domingo #46: Números & CA!

Vamos lá fazer um balanço disto tudo (enquanto me auto-promovo como tudo).


No passado dia 25 de Julho o blogue atingiu as 50000 visualizações. Demorou mais de três anos a chegar a este número redondo. É um marco importante para mim (nunca nenhum dos meus blogues tinha tido tantas visualizações - aliás, nem todos os meus outros blogues juntos tiveram sequer perto desse número). É certo que a muitas visualizações chegaram-me em eventos únicos, mas o grosso do número veio pelas visitas regulares, ou seja, os leitores fieis.

Ontem cheguei aos 500 gostos na minha página do Facebook. Fui ganhando gostos a um ritmo gradual, com alguns saltinhos quando alguém fazia o favor de convidar os amigos. Tinha 473 gostos quando pedi uma ajudinha e em menos de 24 horas obtive os gostos que me me faltavam. Obrigado a todos os que convidaram pessoas. Em nome próprio só posso agradecer ao João Paiva, que foi o único que se acusou!

Amanhã, dia 10 de Agosto, se tudo correr bem, terei a minha publicação 500. Outro marco importante! Quantas horas é que já dediquei a este projecto? Não interessa muito, cada minuto valeu a pena. Críticas a livros, relatórios do progresso dos Nanowrimos, textos meus e artigos sobre literatura em geral formam o grosso dessas publicações. Deixo um destaque especial para a rubrica Chá de Domingo.

E já agora, ultrapassei os 100 seguidores algures no início do ano. E fico por aqui (eu avisei que isto ia ser uma publicação de auto-promoção).

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ebooks: O Vizinho do 4-B

O que há melhor do que coscuvilhice portuguesa e mitologia nórdica?



Autor: Ricardo Dias
Sinopse: Duas mulheres coscuvilham acerca da identidade de um vizinho misterioso, que não se mistura com ninguém. Mas será que realmente descobriram quem ele é?


Como está escrito na forma de teatro, quase toda a informação nos chega na forma de diálogo. A história tem um twist final interessante e foi muito bem explorada. Adorei o humor com que foi escrito e a crítica implícita que carrega. Recomendo vivamente!

Classificação: 4 estrelas

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Ebooks: Tua Aurora

A Aurora Boreal é sempre magica e muda todos quantos a vêem.


Autora: Sara Farinha
Sinopse: Nada tem o poder de doer mais do que uma despedida que não se deseja. Mas há despedidas inevitáveis. Tal como Aurora, a viúva de um astrónomo, descobre ao tentar despedir-se do marido. Na floresta boreal da Noruega, Aurora alheia-se da vida numa viagem há muito prometida, ignorando que poderá ter de abandonar mais do que contemplara.


A personagem principal é bem explorada e tem uma profundidade maior do que esperávamos num conto. A acção vai avançando a bom ritmo. A trama tem uma parte previsível e outra que nos apanha de surpresa. Gostei especialmente do desenlace. A linguagem é adequada ao tipo de conto.
Recomendo para quem queria um conto romântico sob uma paisagem mágica!

Classificação: 3 estrelas

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Hoc Signo Vinces - Com Este Sinal Vencerás


Os cinco exércitos cercam-nos neste monte alentejano. Estamos em Ourique, embrenhados em território inimigo. O sol de Verão está perto do horizonte. Não iremos combater hoje. Todavia, amanhã a batalha será inevitável.
Olho para os meus capitães vejo que eles esperam que lhes diga o que fazer. Sempre foi assim, desde que o meu pai morreu que todos esperam milagres de mim, o príncipe do condado Portucalense. É preciso traçar um plano para a batalha. Não me ocorre nada.
— Como podemos enfrentá-los? pergunto, olhando para o esquema do terreno.
O silêncio abate-se sobre os homens mais valorosos de Portucale. Eu sei o que eles estão a pensar. Não devíamos ter vindo tanto para Sul. Irrita-me não mo dizerem abertamente. Os inimigos excedem-nos em cinco para dois. E os nossos homens estão com medo. Até estes diante de mim estão cheios de receios. Não os posso julgar, se soubesse o que sei agora, nunca teria embarcado nesta sortida.
— Se ninguém tem ideias, eu vou pedir-vos que se retirem. Preciso reflectir. Mantenham sentinelas durante a noite e preparem o exército. Iremos dar batalha aos mouros de madrugada. Dar-vos-ei mais detalhes ao nascer do Sol.
Um a um, abandonaram a tenda. Estudo o esquema de novo. No topo do monte estamos seguros. Conseguimos defender ataques vindos de qualquer direcção. No entanto, não conseguimos sair daqui com facilidade. Se tentarmos romper o cerco nalguma direcção, eles conseguem contra-atacar pelos flancos e pela retaguarda. Preciso de algo que possa mudar o rumo da batalha decisivamente. E, claro, algo que moralize os meus homens.
O céu escurece sem que me surja nenhuma ideia. Estou a ver que irei passar uma noite em branco. Um dos servos entra na tenda com o meu jantar.
— Não desejo comer explico, acenando para que me deixe. Não desejo ser incomodado até uma hora antes do nascer do sol. Preciso de orar.
Sou de imediato deixado só. A desculpa da oração resulta sempre. Não tenho intenções de o fazer, pelo menos não agora. Todavia, seria perfeito se aparecesse Jesus Cristo e me dissesse como ganhar esta batalha.
— Deus tem muitas formas constata um idoso, vestido em trapos.
Não dei pela entrada dele. Como teria passado os guardas?
— Eu disse que...
— … que querias ficar sozinho completou o velho, sorrindo.
— Como é que entrou aqui? pergunto incrédulo.
— A pergunta certa não é como, mas para quê. Dom Afonso, quão forte é a tua fé? inquire, aproximando-se.
— A minha fé é forte e sempre será replico, a mesma frase que repeti vezes sem conta.
— O que dizes não é totalmente verdade. E digo-te mais, se a tua fé for forte, vencerás a batalha e serás rei. Se a tua fé vacilar por um momento, a derrota e morte esperam-te aqui.
— Como assim?
— Hoc Signo Vinces diz-me, mostrando-me as palmas das mãos, as quais ostentam uma enorme cicatriz cada.
E desvaneceu-se no ar.

***


Assim que o escudeiro acabou de me prender a armadura, abandonei a tenda, encontrando os capitães à entrada. Tinham um ar cansado. Não devem ter conseguido dormir. Eu passei a noite em oração, ainda sem saber se Jesus realmente me visitou.
A escuridão ainda era quase completa. Os soldados atarefavam-se nos preparativos para a batalha. Sons distantes indicavam que o inimigo fazia o mesmo. Desde cavaleiros em armadura completa a lanceiros, todos receavam o combate.
— Durante a noite orei comuniquei-lhes, elevando a voz para que os soldados comuns o ouvissem também. E Jesus Cristo apareceu-me, mostrou-me as suas chagas e disse-me Hoc Signo Vinces, com este símbolo vencerás. Os infiéis não nos poderão vencer enquanto a nossa fé for forte.
Várias cabeças se voltaram. Espero que a fé deles seja tão forte como a minha.
— Preparem-se, é o nosso dever derrotar os infiéis! comando, aproximando-me dos capitães.
Faço-lhes sinal para se aproximarem.
— O grosso do exército deve formar uma coluna única, excepto a cavalaria pesada que irá ficar na retaguarda e fora de vista. A cavalaria ligeira deve atacar o inimigo com armas de arremesso para o forçar a atacar, mas deve recuar assim que ele avance explico, colocando o elmo.
Afasto-me em direcção à minha guarda de honra, os mais valorosos cavaleiros do Condado. A luminosidade aumentava, revelando os cinco campos do inimigo. Cinco exércitos contra um. Em coluna única, posicionamo-nos na encosta, o Sol irá nascer nas nossas costas. Os batalhões inimigos formam-se à pressa, não estavam preparados para que tomássemos a iniciativa nem que lhes déssemos batalha tão cedo. A cavalaria não perde tempo, atirando lanças e flechas contra as fileiras sarracenas. O efeito em termos de baixas era reduzido. Olho para os soldados mais próximos. Parecem estar mais confiantes que eu.
Ainda sem estar completamente organizado, os mouros avançam pela colina acima. Dois dos exércitos inimigos ainda não se movimentaram. Estão descoordenados. A cavalaria continua a atacar a infantaria almorávida. Os cavaleiros adversários juntam-se à investida. Preparamo-nos para o embate.
O choque de metais é terrível. Deito um olhar furtivo à minha volta. As fileiras ameaçam ceder em vários pontos. A minha guarda protege-me do pior. Assim que termina o ataque, ordeno que o estandarte com a cruz de Cristo seja erguido. O campo está adornado de corpos, tanto de cavalos como de soldados. Não consigo saber se levamos vantagem ou não, mas sei que não resistimos a outra investida semelhante.
O encontro de infantarias está prestes acontecer. Trocam-se flechas e lanças. Quando as espadas se encontram com os escudos e as lanças com as armaduras, noto que a cavalaria está prestes a executar a manobra que eu lhe ordenei.
— Pater noster, qui es in cælis... oro, apertando apega do escudo.
Duas fileiras ordenadas, uma de cada lado, com as lanças em riste, preparando-se para a carga. Duzentos cavaleiros, cem de cada lado.
Sanctificétur nomen tuum; advéniat regnum tuum; fiat volúntas tua sicut in cælo, et in terra...
E num instante não são duzentos soldados. São muitos mais. Cada um torna-se em dois. E o efeito repete-se. A linha fica com uns vinte cavaleiros de espessura. Tenho a certeza que são mais de mil! Parece que multiplicaram-se por dez.
Nesse momento, o inimigo rompe o contacto e tenta recuar. Vejo o pânico nos seus olhares. A matança começa. A cavalaria persegue os mouros pela encosta abaixo, causando inúmeras baixas. Os restantes exércitos, desistem de se juntar à batalha e iniciam a retirada.
— É um milagre! comenta um dos meus guardas.
— A fé salvou-nos!
Não tarda que se juntem todos em meu redor.
— É um sinal dos céus conclui um dos capitães mais religiosos.
— Um sinal de que não estamos perante um príncipe, mas de um rei anuncia Dom Gualdim Pais.
— A vontade divina assim o ditou disse o velho, que entretanto aparecera entre os soldados.
E assim me aclamaram como rei, ainda no campo de batalha.

domingo, 2 de agosto de 2015

Chá de Domingo #45: Balanço do Camp Nanowrimo - Julho de 2015

E aqui fica o balanço do último Camp Nanowrimo.


Este foi o primeiro Camp Nanowrimo em que consegui cumprir o objectivo estabelecido. Já tinha tentado 3 vezes (Abril de 2013, Julho de 2013 e Abril de 2015), sem nunca conseguir ficar sequer perto do objectivo final. Podem encontrar todas as publicações referentes a este desafio com a etiqueta Julho de 2015.

Se bem se lembram das minhas expectativas antes do evento começar, que podem encontrar aqui, eu impus uma meta de 1100 palavras diárias. Acabei por conseguir 1210! Das 34100 de total a que me propunha, atingi as 37528 palavras.

O meu grande objectivo era terminar O Canto do Rouxinol, o que consegui no dia 12. Podem relembrar o momento aqui. Era um projecto que já estava pendente há mais de três anos. Queria também avançar O Jarro de Porcelana, o que consegui, deixando o livro a meio. Desenvolvi bastante a história e creio que a conseguirei terminar sem problemas no próximo desafio. Além disso, escrevi um conto e terminei quase outro.

Foi também durante o Camp Nanowrimo que o meu blogue atingiu as 50000 visitas! Podem recordar o momento aqui.

E agora? Depois de um Nanowrimo, é necessário apostar na revisão e é isso que irei fazer nos próximos tempos. Irei-me focar na Menina dos Doces, sobre o qual espero poder dar mais novidades em breve. Obrigado a todos os que me encorajaram a continuar, em especial à minha esposa que não me deixou desistir.

Algumas estatísticas do desafio:

Dia com mais palavras: 3207 (dia 30)
Dia com menos palavras: 14 (dia 8)
Maior Atraso: 2953 (dia 8)
Menor Atraso: 127 (dia 1)
Maior Adiantamento: 3918 (dia 30)
Menor Adiantamento: 233 (dia 2)
Número de projectos desenvolvidos: 4
Número de projectos concluídos com sucesso: 2