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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Livros: Pequenas Memórias

Um livro muito diferente, não só no estilo como no tema.


Autor: José Saramago
Sinopse: As Pequenas Memórias é um livro de recordações que abrange o período entre os quatro e os quinze anos da vida de José Saramago. O autor tinha As Pequenas Memórias na cabeça há mais de 20 anos, por isso a altura para o escrever era esta: "Queria que os leitores soubessem de onde saiu o homem que sou".
"Deixa-te levar pela criança que foste", 'Livro dos Conselhos'


Este livro é um conjunto de recordações dos primeiros anos de vida do único prémio Nobel da Literatura Português. Nesta auto-biografia, o autor opta por frases um pouco mais curtas que o normal e o discurso é mais fácil de seguir. O escritor dialoga o com o leitor, como só Saramago consegue. Dá-nos mesmo a impressão que é o próprio que nos conta estas histórias. Há muitas situações interessantes, que apelam à criança/jovem que vive em nós.
Recomendo quem o queira conhecer melhor.

Classificação: 3 estrelas

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Livros: A Viagem do Elefante

Este é um daqueles autores que, cada vez que termino um livro, olho para a lista de títulos que me faltam ler e fico triste.

Autor: José Saramago
Sinopse: Em meados do século XVI o rei D. João III oferece a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um elefante indiano que há dois anos se encontra em Belém, vindo da Índia.
Do facto histórico que foi essa oferta não abundam os testemunhos. Mas há alguns. Com base nesses escassos elementos, e sobretudo com uma poderosa imaginação de ficcionista que já nos deu obras-primas como Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago coloca agora nas mãos dos leitores esta obra excepcional que é A Viagem do Elefante.
Neste livro, escrito em condições de saúde muito precárias não sabemos o que mais admirar - o estilo pessoal do autor exercido ao nível das suas melhores obras; uma combinação de personagens reais e inventadas que nos faz viver simultaneamente na realidade e na ficção; um olhar sobre a humanidade em que a ironia e o sarcasmo, marcas da lucidez implacável do autor, se combinam com a compaixão solidária com que o autor observa as fraquezas humanas.
Escrita dez anos após a atribuição do Prémio Nobel, A Viagem do Elefante mostra-nos um Saramago em todo o seu esplendor literário.


Como o título indica, a história anda à volta da viagem de um elefante. Não só elefante mas do seu conarca, o tratador do elefante, que acaba por se tornar o verdadeiro protagonista. É um personagem que diz muito ao leitor, por ser verdadeiramente humano, como o autor nos habituou. Não achei a obra difícil de ler, talvez por já me ter habituado ao estilo do autor. As divagações, aparentemente irrelevantes, acabam por ser relevantes pelo eco que causam no leitor. Essa divagações conjugam bem com o estilo de escrita, obrigando o leitor a ler mais devagar. Adorei o sarcasmo que que narrou alguns costumes, em especial os ligados à igreja. A trama é simples, mas as implicações deixam-nos material de reflexão para muito tempo. Pode não ser o melhor livro do Saramago, mas sem dúvida que não deve ser posto de lado.
Recomendo a que se deseja iniciar ao Nobel da Literatura Português.

Classificação: 4 estrelas

segunda-feira, 2 de março de 2015

Livros: Caim

Sinto um grande fascínio por Saramago. Este foi o último livro que escreveu em vida.


Autor: José Saramago
Sinopse: Quem diabo é este Deus que, para enaltecer Abel, despreza Caim?
Se em O Evangelho Segundo Cristo José Saramago nos deu a sua visão do Novo Testamento, em Caim regressa aos primeiros livros da Bíblia. Num itinerário heterodoxo, percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha pela mão dos principais protagonistas do Antigo Testamento, imprimindo ao texto o humor refinado que caracteriza a sua obra.
Caim revela o que há de moderno e surpreendente na prosa de Saramago: a capacidade de fazer nova uma história que se conhece do princípio ao fim. Um relato irónico e mordaz no qual o leitor assiste a uma guerra secular, e de certa forma, involuntária, entre o criador e a sua criatura.


A premissa do livro é bastante interessante. O autor parte das histórias do Velho Testamento mais conhecidas, reinterpretando-as em modo de sátira. É fácil de compreender porque é que algumas pessoas, com convicções religiosas mais fortes, se queiram afastar desta leitura. A personagem principal, Caim, consegue atrair a nossa empatia por se revelar humano. ao contrário dos textos sagrados, Deus é o antagonista, uma mudança de perspectiva importante. Precisamos de estar habituados ao modo de escrever de Saramago para conseguir apreciar o livro, se bem que não foi dos mais difíceis de ler. A trama avança de um modo simultaneamente previsível e imprevisível. Os cenários são retratados e costumes com uma clareza inegável, não sendo de todo historicamente exactos, quiçá outra facada nos escritos sagrados. Uma leitura muito agradável.
Recomendo a quem gostar de Saramago ou quiser ter um olhar diferente sobre as religiões que derivam do Velho Testamento.

Classificação: 4 estrelas 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Livros: Todos os Nomes

Para quem gosta de reflectir, este é um bom livro.
Autor: José Saramago
Sinopse: O protagonista é um homem de meia idade, funcionário inferior do Arquivo do Registo Civil. Este funcionário cultiva a pequena mania de coleccionar notícias de jornais e revistas sobre gente célebre. Um dia reconhece a falta, nas suas colecções, de informações exactas sobre o nascimento (data, naturalidade, nome dos pais, etc.) dessas pessoas. Dedica-se portanto a copiar os respectivos dados das fichas que se encontram no arquivo. Casualmente, a ficha de uma pessoa comum (uma mulher) mistura-se com outras que estás copiando. O súbito contraste entre o que é conhecido e o que é desconhecido faz surgir nele a necessidade de conhecer a vida dessa mulher. Começa assim uma busca, a procura do outro.


Mesmo deixando de parte as particularidades da escrita de Saramago, este livro não é fácil de ler. O autor tem o dom de nos deixar a pensar enquanto conduz a história com mestria e, sem repararmos estamos colados às páginas.
Como sempre a história começa de um modo inofensivo, um homem de meia idade que colecciona notícias sobre gente célebre até ao dia em que decide invadir o Registo Civil, onde é funcionário, para recolher informações exactas sobre essas pessoas. É nesse roubo que encontra o registo de uma mulher, a qual se torna a sua obsessão.
Já me habituei à maneira como Saramago escreve, tanto às suas longas frases, como aos diálogos em narração e até às digressões e listas exaustivas que ele tanto gosta. A personagem inspira a nossa simpatia e o mistério que se gera em trono da mulher desconhecida é um bom meio de manter o interesse. O tema não é tão relevante como outros livros. Por isso, se o compararmos a outras obras do mesmo autor poderemos ficar desapontados. Foi isso que me aconteceu
Em todo o caso, recomendo a todos os que gostem de Saramago ou de pensar sobre quem na verdade somos.

Classificação: 4 estrelas