sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Ebooks: Inspiração, Procura-se!

Aqui fica mais um ebook criado no projecto Fantasy & Co.

Autor: Pedro Pereira
Sinopse: João é um escritor em bloqueio, cujo romance foi rejeitado por várias autoras. Necessita de inspiração urgentemente! Será que os deuses lha darão?



Gosto do tom leve com que foi escrito. O inicio é um tanto lento em que se diz mais do que se mostra. O sentido de humor quase sempre presente, assim como as referências mitológicas ajudam a tornar a leitura agradável. As personagens são estereotipadas, contribuindo para o efeito cómico.
Recomendo!

Classificação: 3 estrelas




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Livros: O Clube das Chaves Caça a Pantera

E aqui fica mais um livro juvenil.


Autoras: Maria Teresa Maia Gonzalez e Maria do Rosário Pedreira
Sinopse: A mensagem nº 18, semelhante a um boletim de totobola, levará os membros do clube a tornarem-se os protagonistas de uma empolgante aventura desportiva, finda a qual terão oportunidade fantástica de conviver com um campeão nacional. Contudo, para vencerem mais este desafio, os quatro sócios terão de recuperar urgentemente a chave que lhes foi roubada pelo fantasma...


Não tenho outra escolha senão ficar aborrecido com as digressões das autoras e da tentativa de moralismo. Para além disso, salta dois dos melhores momentos do livro, que ainda me deixam mais decepcionado. As personagens tem alguma profundidade, mas fica difícil de compreender todas as suas motivações se não tivermos lido os livros imediatamente anteriores. E claro são toneladas de informação enfiada a martelo. Para acumular ao problema, o título, tema e a sinopse na parte de trás contam logo a história toda. Ok, pior que isso, fazem-nos crer que uma certa cena se vai passar e que depois as autoras omitem. Muito decepcionante! Para terminar, o tema do futebol não é um dos meus favoritos. Deve ser de já ter lido tantos deste que já não tenho paciência para eles.
Recomendo só a quem tiver lido os anteriores e gostado.

Classificação: 2 estrelas

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Livros: O Clube das Chaves Sobe ao Pódium

Mais uma voltinha pelas colecções das minha infância.


Autoras: Maria Teresa Maia Gonzalez e Maria do Rosário Pedreira
Sinopse:  A chave com o nº 7 proporciona aos membros da O. R. D. E. M. um mergulho no mundo do desporto. Orientados pela rosa-dos-ventos, os quatros dirigem-se para a terra natal do avô Cosme, em busca de uma glória antiga, que os ensinará a não desistir de lutar. Sempre no rasto dos investigadores, o fantasma do clube comete a sua mais ousada proeza...


A sensação que fica é que as autoras usam estes livros para despejarem meia tonelada de informação sobre um determinado tema. Certas cenas e diálogos servem só para isso. Para além disso, outras cenas foram ali enfiadas a martelo e parecem servir apenas como moralismo forçado. Por lado, os arquétipos de personagens de um grupo de aventuras juvenis está bem conseguido e até tem alguma profundidade. A trama não é imprevisível, mas também não é de todo óbvia. As descrições dos espaços são pobres. A minha classificação está ligeiramente inflacionada porque quando era jovem gostei bastante desta colecção e para um público juvenil estes problemas que apontei não são relevantes.
Recomendo somente a um público mais juvenil, os mais velhos poderão aborrecer-se!

Classificação: 3 estrelas

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Chá de Domingo #31: Vamos falar do Interstellar - Parte 1

Vamos dar uma voltinha pela física?


Interstellar foi um dos grandes lançamentos do final do ano passado. Um filme de ficção cientifica que encheu as medidas de muitos, sem desagradar ao publico em geral nem se tornar massudo ou pesado. Houve alguns detalhes que não agradaram aos mais exigentes, mas vou deixar isso de parte por agora.
Sendo eu um físico de profissão, não pude deixar de estar atento aos detalhes da física que na maioria dos filmes são negligenciados, apesar de serem do conhecimento público, como por exemplo a propagação dos sons no espaço.


Recentemente, saíram dois artigos científicos no arXiv (uma plataforma que disponibiliza de forma gratuita o que melhor se faz nalgumas áreas da física). Ambos os artigos se referiam ao Interstellar. Podem dar uma olhada aqui e aqui. Os dois artigos foram escritos pelos físicos que colaboraram nos efeitos especiais do filme, nomeadamente no wormhole e no buraco negro.
O wormhole é um fenómeno puramente teórico, não tendo ainda sido descoberto nenhum no nosso universo observável. Os buracos negros, pelo contrário, já foram detectados, por exemplo, no centro da nossa galáxia. Se o estudo de um wormhole é puramente teórico, o de um buraco negro não é melhor, visto que não é possível saber o que acontece para além do horizonte de eventos (o ponto crítico para além do qual nem a luz consegue escapar).
No caso do wormhole (que é uma espécie de atalho entre dois pontos do universo tridimensional, o mesmo a que estamos habituados, usando extra-dimensões) está em causa o efeito de lente criado por ele. Uma preocupação que nunca foi equacionada em nenhum filme antes deste. Os cientistas deram-se ao trabalho de calcular o efeito, que se traduziu neste sublime detalhe:

Detalhe do wormhole do filme Interstellar (Imagem proveniente do filme e publicada aqui)

Para além disso, o artigo contem as equações necessárias para transformar qualquer imagem com a presença de um wormhole e até mesmo visualizar as distorções da viagem através de um. Os cálculos são possíveis de serem feitos com a maioria do software disponível nas universidades: Matlab, Maple ou Mathematica. Para os mais curiosos ou com um bichinho pela matemática, as equações e o método de cálculo estão no artigo, apêndice final. O nível de distorção depende dos parâmetros do wormhole, tendo sido considerados várias topologias e ficando a escolha final ao cabo do realizador. Tudo isto foi feito tendo em consideração a teoria da relatividade. Um verdadeiro tesouro para um amante da ciência e da ficção cientifica, que nos faz desejar que todos os filmes fossem assim.
Na próxima semana falaremos da Gargantua (o buraco negro do Interstellar). Podem ler o artigo aqui.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Livros: Clepsydra

E continuo na minha digressão pelos clássicos, desta vez com um dos favoritos de Fernando Pessoa.


Autor: Camilo Pessanha
Sinopse: "Os versos do primeiro poema de Clepsydra, «Inscrição» - »Eu vi a luz em um país perdido. / A minha alma é lânguida e inerme. / Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído! / No chão sumir-se. como faz um verme...» - , dizem o essencial da biografia e da obra deste poeta nascido em Coimbra (1867) e falecido em Macau (1926), após uma existência segregada desde o nascimento e a reunião tardia num escasso volume duma obra publicada dispersamente. (...) A poética da pura sugestão encontra em Pessanha um cultor de excepção; tudo é apenas insinuado, nunca dito, através de atmosferas onde o mistério e o sonho se cruzam para dizer o indizível como nesse extraordinário poema de amor e morte que é «Floriram por engano as rosas bravas...» Ao serviço daquela poética coloca o poeta o decassílabo para o qual encontra desvios inovadores e expressivos que trazem à sua poesia um timbre musical único. Fernando Pessoa terá confessado que conhecia quase todos os poemas de Pessanha de cor. É natural: a modernidade não vanguardista de Pessanha está-lhe nos genes."


Achei o livro muito difícil de ler. As poesias de Pessanha são demasiado elípticas, não sendo acessíveis à todos. As temáticas exploradas são pessimistas e podem não agradar a todos os leitores, se bem que para mim não foi um problema. Houve algumas rimas ridículas, visto que o poeta rimou a palavra com ela mesma várias vezes. Ouve outras instâncias em que as poesias não pareciam ter um propósito. Demorei bastante tempo a ler o livro, porque não consegui ler mais do que meia dúzia de poemas numa assentada. Reconheço que poderá derivar do facto de não conseguir apreciar devidamente a poesia vanguardista.
Recomendo a quem gostar muito de poesia!

Classificação: 3 estrelas

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Livros: Renascer das Chamas

Este é o segundo livro da editora Letras com Asas, a qual aprecio bastante pelo esforço que faz para publicar autores portugueses.


Autora: Susana Almeida
Sinopse: É na Festa da Colheita que os caminhos de Cecília e Laerte se cruzam pela primeira vez. Ao contrário de todas as outras raparigas, Cecília não exibe um vestido bonito, ou prende os cabelos num penteado elegante.
Escondida no escuro de um beco, ela observa a festa como uma criança deslumbrada. Mas Cecília não está só, um homem mais velho acompanha-a.
Curioso com o motivo que fez Cecília pedir-lhe ajuda no final da festa, Laerte procura informações sobre o homem que a acompanhava. Informações que acabarão por lhe revelar um segredo que mudará a sua vida.
Perseguidos, Laerte e Cecília lutam para sobreviver, enfrentando os perigos que surgem no seu caminho. Conseguirão eles chegar sãos e salvos ao seu destino?

Antes de mais gostava de dar os parabéns por esta iniciativa editorial, é necessário que continuemos a apostar nos autores nacionais.
Devo confessar que este tipo de romance não costuma ser das minhas leituras habituais. Em primeiro lugar estranhei o título, que remete mais para um livro de fantasia do que romance, se bem que acabamos por perceber a intenção da autora (mais não revelo para não estragar a surpresa). O nome da personagem é estranho tendo em conta que todos os outros nomes são perfeitamente normais. As personagens estão muito bem conseguidas, mesmo apesar de estarem muito perto dos arquétipos usados neste tipo de história: rapaz corajoso e bondoso e rapariga maltratada e frágil. A história avança a um ritmo muito bom, num crescendo de emoções e surpresas, a combinação entre a história de amor e a acção foi bem executada, conseguindo agradar a vários tipos de leitores. Compreende-se a quebra de ritmo das últimas páginas, que poderia ter sido um pouco mais bem conseguida. Nota positiva para a lutas que foram bem descritas. Para terminar, muitos dos defeitos que apontei não são relevantes para a maioria dos autores, o que faz com que nos esqueçamos destes detalhes.
O trabalho de edição foi bem feito, se bem que deixaram escapar um par de gralhas. A capa está vistosa e com um ar profissional, fico só um pouco triste esta enrolar um pouco quando o livro está fora da estante.  A paginação interior está simples mas apelativa, penso só que o tamanho da letra poderia ser um pouco maior.
Recomendo vivamente a quem gostar deste tipo de romances, não se irão arrepender.

Classificação: 4 estrelas

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Livros: Immortallis - Histórias de Sombra e Redenção

Andei quase dois meses de olho neste livro antes de o comprar e o ler.


Autora: Carla Ribeiro
Sinopse: Todas as almas carregam uma sombra. Do momento que mudou tudo, de um caminho que não foi o certo, da vida que ficou para trás. Mas também da alma da mais temível das criaturas ou do coração de quem não pode ser perdoado pode emergir o sentido de um novo caminho.
Assim acontece com as histórias deste livro, histórias de mundos diferentes, em que um cavaleiro desonrado, um morto com saudades da vida e o último ser de uma espécie destruída terão de enfrentar os rumos que os seus próprios passos lhes traçaram. E encontrar-se, talvez, diferentes do que julgavam ser.


Antes de mais gostava de dar os parabéns por esta iniciativa editorial, é necessário que continuemos a apostar nos autores nacionais.
Não esperava encontrar aqui um livro de contos. As três histórias apresentadas são de universos distintos, o que é a maior força e ao mesmo tempo a maior limitação da obra. Se por um lado há três tramas independentes, de género diversos e uma temática em comum, não creio que devessem estar juntas. Por outro, abordar uma temática deste modo é interessante.
O trabalho de edição foi feito de um modo competente. A capa está vistosa e com um ar profissional, fico só um pouco triste da capa enrolar para fora quando deixamos o livro fora da estante.  A paginação interior está simples mas apelativa, penso só que o tamanho da letra poderia ser um pouco maior.
Quanto à personagens, não foram muito desenvolvidas, mas não dava para o serem mais devido à limitação no número de páginas. Em geral, a autora capturou e apresentou os ambientes de uma forma a que deixasse o leitor preencher os espaços em vazio, mas sem o deixar sem referências. As tramas não são previsíveis, mas esperava reviravoltas maiores nos finais. O meu conto favorito foi o primeiro. Talvez por já conhecer o restante trabalho da autora é que esperava um pouco mais e  vejo-me obrigado a ser um pouco mais modesto na minha classificação do livro.
Recomendo a quem nunca leu nada da Carla Ribeiro e gostasse de conhecer as várias vertentes desta autora!

Classificação: 3 estrelas