quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Ebooks: Sete Vezes Sete

Um bom conto para quem adora o universo arturiano.


Autora: Inês Montenegro
Sinopse: Na história da criação de Excalibur, muito foi o que Nimueh, Dama do Lago, perdeu.


A execução é competente. Apesar das diversas personagens e do foco ir mudando, há um fio condutor sólido. A trama vai-se desenrolando e os acontecimentos vão mantendo o leitor interessado. Gostaria que o conto se tivesse focado mais na personagem principal, que acabou por ser descrita de um modo muito superficial para o tamanho do conto. As descrições estão bem conseguidas, não se destacando nem se mostrando ausentes. Em suma, um bom conto em que lhe ficou a faltar a vivacidade das personagens.
Recomendo a quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho desta jovem escritora.

Classificação: 3 estrelas

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ebooks: Universos Literários

Quem quer dar uma volta pelos universos literários de sete autores portugueses?


Autores: Ana Ferreira, Carlos Silva, Carina Portugal, Liliana Novais, Pedro Cipriano, Pedro Pereira e Sara Farinha
Sinopse: A antologia contem os seguintes contos:
Imtharien - O Canto da Ninfa de Carina Portugal
Inbicta - Vamos Pintar os Franceses de Carmim de Ana Ferreira
Apocalipse - A Queda de Berlim de Pedro Pereira
Percepção - Túmulo 62 de Sara Farinha
Urbania - A Destilação do Absurdo de Carlos Silva
Ahelanae - O Primeiro Voo de Liliana Novais
Era Dourada - A Alvorada de Pedro Cipriano


Como é normal nestas antologias, vou passar o meu conto à frente. A pontuação da antologia será dada em função dos contos individuais através duma média aritmética.

O Canto da Ninfa - Carina Portugal
A história está bem escrita e não me desapontou. Gostaria apenas que a autora tivesse sido mais dinâmica na narrativa e não fosse apenas um seguimento de eventos.
3 estrelas

Vamos Pintar os Franceses de Carmim - Ana Ferreira
Gostei do tom humorístico e das personagens caricatas. Infelizmente não me cativou por aí além.
3 estrelas

A Queda de Berlin - Pedro Pereira
Esta história é mais um fragmento. Gostava de ter visto algum tipo de conclusão nos temas que abriu.
2 estrelas

Túmulo 62 - Sara Farinha
A personagem está bem explorada, é pena é não percebermos as suas motivações. Algumas partes podem ser confusas para quem não conhece este universo. Gostei do facto de o conto ter bastante tensão.
3 estrelas

A Destilação do Absurdo - Carlos Silva
Gostei do conto. O autor conseguiu descrever o processo sem contar, o que só por si é excelente. Para além disso, há uma reviravolta final que é muito recompensante.
4 estrelas

O Primeiro Voo - Liliana Novais
Outro fragmento. A história podia ter sido terminada um pouco antes sem deixar nada em aberto.
2 estrelas

Classificação: 3 estrelas

domingo, 18 de setembro de 2016

Chá de Domingo #92: O que Procuram num Curso de Escrita Criativa?

O que procuram num curso de escrita criativa? Foi esta a pergunta que fiz a escritores lusófonos e cujos resultados vou divulgar neste artigo.


A primeira pergunta foi a idade, para estabelecer o perfil etário dos escritores:


De notar que isto não reflecte o universo de escritores, mas apenas os que preencheram o formulário que foi divulgado através das redes sociais. Grande parte dos que responderam a este inquérito (75.3%) estão entre os 18 e os 35 anos de idade.

A segunda pergunta incidiu sobre o número de obras publicadas e a intenção de o fazer:



A grande maioria (61%) ainda não publicou nenhum livro nem ebook, mas conta fazê-lo num futuro próximo.

A terceira pergunta incidiu sobre a utilidade dos cursos de escrita criativa:



84.4% dos inquiridos consideraram que um curso de escrita criativa poderia ajudá-los a melhorar a escrita.

Para os 15.6% que responderam que não ajudaria, o inquérito termina. Analisando melhor a situação, deveria ter acrescentado um par de perguntas para essas pessoas, para perceber porquê é que consideravam que um curso não os poderia ajudar.

A quarta pergunta incidiu sobre o local do curso:


A maioria (43.1%) não tem uma preferência. No entanto, existe uma tendência para o online (35.4%) mais forte do que para o presencial (21.5%).

A quinta pergunta foi sobre o que mais valorizam num formador:


Pode-se concluir que a experiência como editor é o mais valorizado (52.3%), seguido do conhecimento do mercado editorial (23.1%). A formação universitária relevante vem em terceiro com 10.8% e outras razões em quarto com 9.2% (os outros factores enunciados estão relacionados com a experiência e formação) A exposição mediática e o número de publicações não parecem ser relevantes de todo, conseguindo uma percentagem mínima (1.5% e 3.1% respectivamente).

A sexta pergunta incidiu sobre os tópicos que deveriam ser abordados num curso:


A categoria Erros Comuns e como evitá-los foi considerada importante por 78.5% dos inquiridos. Estrutura/organização da narrativa surge empatada com o desenvolvimento das personagens em segundo lugar com 76.9% das escolhas. Criação de Mundos ocupa a quarta posição com 61.5% das escolhas, seguido de perto pelas técnicas de revisão com 60%. No sexto lugar aparece a escrita de contos com 43.1%. Em sétimo lugar surge a auto-publicação com 32.4% e em oitavo o desenvolvimento da não-ficção com 27.7%.

A sétima pergunta focou-se no preço justo de um curso de escrita criativa:


A maioria do inquiridos mostrou preferência por um valor em volta dos 5 euros por hora (58.4%). 12.3% considera esse valor muito elevando e 29.3% considera esse valor muito baixo.

A oitava e última pergunta prende-se com a duração de uma curso:


Há uma clara preferência por um curso mais alargado: 44.6% preferem um dia inteiro e 23.1% uma manhã ou uma tarde. O que bate certo com o facto de terem considerado múltiplas escolhas nos assuntos a abordar. Na outra ponta, há 21.5% que considera que duas horas é o tempo ideal, havendo apenas 10.8% que considera que três horas é mais adequado.

Teria sido interessante pedido o género dos inquiridos e talvez incluir mais uma ou duas faixas etárias. Poderia também ter segmentado um pouco mais as obras publicadas e a falta delas. Na duração, seria interessante colocar a opção de uma única sessão ou de múltiplas sessões, por exemplo ao fim do dia. São dados bastante reveladores, que podem ser úteis para quem deseje leccionar cursos de escrita criativa. Gostaria que a oferta destes cursos estivesse mais coordenada com a procura. O que é que vocês acham?

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Ebook: Histórias Fantásticas de Portugal

Partes da história de Portugal contadas com um pouco de fantasia à mistura!


Autores: Carina Portugal, Pedro Cipriano, Pedro Pereira e Ricardo Dias
Sinopse: "O Anel do Rei", de Pedro Pereira
D. Afonso Henriques, príncipe herdeiro do condado, lidera o exército dos barões portucalenses contra as forças de Fernão Peres de Trava. Porém, no frente-a-frente com o conde, quando tudo parecia estar perdido, Afonso recebe uma preciosa ajuda de uma velha amiga…

"Hoc Signo Vinces: Com este Sinal Vencerás", de Pedro Cipriano

Os cinco exércitos cercam uma expedição cristã num monte alentejano. Estão em Ourique, embrenhados em território inimigo. Os inimigos excedem-nos em cinco para dois. E os homens estão com medo. Será a fé do príncipe forte o suficiente para vencer a batalha? 

"A Pedra de Dighton", de Carina Portugal

Há mais de 500 anos, o navegador português Miguel Corte-Real desapareceu na costa atlântica do Novo Mundo. A única pista do seu paradeiro distante está contida nas misteriosas inscrições da Pedra de Dighton. E Cecília, sua descendente, não descansará até desvendar a verdade que há nelas.

"O Relatório para o Marquês", de Ricardo Dias

Um investigador apresenta-se perante um conselho secreto, encabeçado por uma das figuras mais proeminentes da época, para relatar a verdadeira causa do Terramoto de 1755.


Como é normal nestas antologias, a classificação será a média aritmética das pontuações individuais de cada conto excluindo o meu.

O Anel do Rei - Pedro Pereira
As falas inicias são demasiado informais e a linguagem usada é anacrónica. Fora estas imprecisões históricas, a história tem um bom ritmo e é capaz de entreter com facilidade.
3 estrelas

Hoc Signo Vinces: Com Este Sinal Vencerás - Pedro Cipriano
Creio que vou saltar este.

A Pedro de Dighton - Carina Portugal
Gostei da história mas achei que gostaria de saber um pouco mais da personagem principal. As descrições estão bem conseguidas e a trama prende o leitor, excepto para duas pequenas quebras de ritmo: uma no início e outra no final.
3 estrelas

O Relatório para o Marquês - Ricardo Dias
Uma boa ideia, que poderia ter tido uma melhor execução. Gostei da explicação criada para justificar o terramoto de Lisboa. Preferia que o autor tivesse usado outra táctica narrativa.
3 estrelas

Classificação: 3 estrelas

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Ebooks: Raktabija

Mitologia indiana reencarnada na época contemporânea.


Autora: Carina Portugal
Sinopse: Uma gota de sangue, mil demónios… Há milénios, a deva Kali enfrentou o terrível general-asura Raktabija, quando este atacou o mundo dos homens com os seus terríveis exércitos. Pensou tê-lo derrotado, contudo uma pequena parte do demónio escapou incólume.


Por não conhecer a mitologia que estava subjacente a este conto, pude lê-lo sem preconceitos. A cena inicial desperta o interesse e o desenvolver da mesma não desaponta. As descrições ajudam a ambientar o conto. As personagens contem a profundidade que se pode esperar de um mito. A trama desenvolve-se num crescendo muito bem conseguido e com o final bem executado. Em suma, um excelente conto.
Recomendo vivamente a quem se interessar por mitologia indiana e quiser conhecer o trabalho de uma escritora emergente.

Classificação: 5 estrelas

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Ebooks: O Domador de Dragões

Dragões, anões e humor: o que mais se pode querer?


Autora: Inês Montenegro
Sinopse: Aldrabar o currículo pareceu a João uma mais-valia. Mas talvez, e apenas talvez, não o devesse ter feito quando o novo emprego implicaria domar um dragão.


Gostei da maneira como o conto foi conduzido. Passamos uma boa parte da história sem saber se haveremos de gostar ou de detestar o protagonista. A autora cria tensão, embora só quanto baste para ir mantendo o leitor atento. Gostei das descrições e do tom usado. O desenlace era esperado e ainda tem o bonus de dar uma "lição". Em suma, um conto bem escrito que entretem, embora não se destaque no repertório da autora.
Recomendo a quem quiser conhecer um pouco mais da obra des jovem promessa nacional.

Classificação: 3 estrelas

domingo, 11 de setembro de 2016

Chá de Domingo #91: Ainda Sobre o Cyberpunk - Parte 1/5

Aproveitando a onda Cyberpunk gerada pelo lançamento da primeira antologia do género portuguesa, gostaria de partilhar convosco algumas citações que ajudam a contextualizar e a compreender a origem do cyberpunk.


"Apesar de agora o cyberpunk ser visto como um género bem sucedido da ficção cientifica, era bastante controverso quando começou. Mas, era como nós queríamos que fosse. Todos nós tinham, e ainda temos, um desejo incansável e implacável de quebrar os limites da realidade consensual. Se ninguém estiver chateado, então é porque não nos estamos a esforçar o suficiente... Começamos a escrever cyberpunk porque tínhamos um descontentamento forte em relação ao status quo da ficção cientifica, e também com o estado da sociedade em geral."

"Não tinha um manifesto. Tinha só algum descontentamento. Parecia-me que a ficção científica americana de massas a meio do século era frequentemente triunfalista e militarista, uma espécie de propaganda popular do excepcionalidade americana. Estava cansado da América-que-é-o-futuro, o mundo como uma monocultura branca e do protagonista da classe média ou acima. Eu queria tornar-me um espaço de manobra. Eu queria espaço para anti-heróis."

"Eu também queria que a ficção científica disse mais naturalista. Houvera uma pobreza na descrição na maior parte dela. A tecnologia descrita era tão eficiente e limpa que era praticamente invisível. O que seria de qualquer livro de ficção científica se pudéssemos melhorar a resolução? Como era na altura, a maioria dos livros era como os jogos antes da invenção da sujidade fractal. Eu queria ver a sujidade nos cantos."

"A ficção cientifica estava encravada num locus amenus nos anos 80. Podia ir a uma livraria e encontra Arthur C. Clark ao lado da Odisseia ou os livros de Asimov acerca das três leis da robótica. Robert Heinlein ainda estava a produzir sexo e filosofia em série. Mas, apesar dos esforços de uma variedade de inovações literárias, a ficção científica estava basicamente igual há vinte ou trinta anos atrás. Era uma experiência preguiçosa do futuro. Os cientistas faziam coisas competentes, a tecnologia aeroespacial estava na moda, e a política circulava à volta de conflitos entre nações. E então veio o cyberpunk - Pat Cadigan, William Gibson e Bruce Sterling. Foi subversivo e gritty, uma viagem caleidoscópio-poética ao futuro capitalista. Corporações sem face erguem-se acima dos dramas insignificantes do comum mortal, movimentando biliões de dollars e yens à volta do mundo enquanto os humanos da história vivem miseráveis. Eram cyberespaço e cowboys do teclado, casacos de cabedal, implantes de lentes Zeiss, próteses russas modificadas, extinct horses e mirrorshades. O futuro era bizarro e ameaçador - e também estranhamente real."

"A tecnologia não é neutra. Nós estamos dentro daquilo que fazemos, e ela está dentro de nós. Nós vivemos num mundo de ligações - e faz diferença quais fazemos e cortamos."
- Donna Hardaway

Podem encontrar a segunda parte deste artigo aqui.