domingo, 28 de agosto de 2016

Chá de Domingo #89: O que é o Cyberpunk? - Parte 3/3

A primeira parte deste artigo falou sobre o origem do cyberpunk, a segunda sobre a sua definição.


Variantes do Cyberpunk
O biopunk é um sub-género do cyberpunk que se foca mais em tecnologia biológicas como por exemplo a modificação genética. Exemplos deste subgénero são Gattaca e Dark Angel. Podem ser considerados cyberpunk apesar de não terem um foco no ciberespaço nem aspectos cybernéticos, seguem a máxima high tech, low life. É apenas uma apresentação diferente das mesmas ideias.

O nanopunk é semelhante ao biopunk, embora se manifeste no uso de nanites e outras nanotecnologias. Ainda está na sua infância em relação às outras variantes. O género mostra uma grande preocupação com a vertente artística e psicológica. Generator Rex e Transcendence são exemplos de nanopunk.

O pós-cyberpunk é uma reacção moderna às visões e estilo antiquados dos anos 80. O pós-cyberpunk tem tendência a focar-se no transhumanismo, viagens espaciais tecnologias emergentes que não eram sequer imaginadas nos anos 80. Exemplos disso são Daemon, The Diamond Age e Holy Fire

Ser Cyberpunk
Um cyberpunk tem atitude. É uma atitude social e culturalmente consciente, tal como a ficção que lhes dá o nome. Questionam tudo e todos, decidindo por eles mesmos o que é verdade. Este caminho cria muitas perspectivas e opiniões sobre o mundo, mas a diversidade é a chave para uma população equilibrada. Um cyberpunk sabe que o sistema nunca está a teu favor e que há sempre quem te queira espezinhar. Um cyberpunk sabe como hacker um sistema, por isso não importa muito essa desigualdade. Não se metam com um cyberpunk.

Um cyberpunk tem estilo, embora este não seja homogéneo: pode ser prático (Mil-Tec) ou vistoso (Cybergoth). Os estilos variam bastante e reflectem uma interpretação pessoal. Há temas recorrentes como o punk tradicional, inspirados no Blade Runner, no Matrix e CPUs.

Quando é o Cyberpunk?
O Cyberpunk é agora. Muitas das coisas previstas pelo cyberpunk estão a tornar-se realidade hoje. Melhoramentos nas próteses e interfaces entre o cérebro e computador resultaram em próteses controladas por computador, uma das características base do cyberpunk. Cada vez mais as corporações dominam a política global e influenciam a cultura criando as condições propícias à subversão. Os pobres estão a ficar mais pobres e os ricos mais ricos, aumentando o hiato cada vez mais. O ciberespaço está a fundir-se com o mundo real: a Internet of Things, smathphones, social media, realidade virtual e realidade aumentada são exemplos disso. Hackers conseguiram dar lições de humildade a gangs, corporações, governos e outras pessoas. Bem-vindos à idade do cyberpunk.

O cyberpunk já se espalhou por todos os media, criando uma subcultura que transcende o simples género literário. Existem filmes, livros, séries televisivas, música, banda desenha e outras artes, um pouco por todo o lado. Só é preciso olhar. O cyberpunk influenciou a moda, filosofia e arquitectura. Tornou-se muito mais do que aquilo que era quando começou. E continuará a evoluir e a ficar mais relevante, à medida que transitamos de cyberpunk actual para o cyberpunk do futuro. 

O cyberpunk é agora por Khultar.

Artigo traduzido e adaptado a partir daqui.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Ebooks: História de um Mal

Todos os males tem uma história!


Autora: Inês Montenegro
Sinopse: Um bichanou a outro, que cochichou a outro, que segredou a outro. “Já sabes?” E um mal nasceu.


Gostei bastante da ideia do conto, embora não tenha gostado da execução. Não há ligação com a personagens, nem sequer com o protagonista. Não há grande desenvolvimento da trama e a autora acaba essencialmente contar sem mostrar. Necessitava de uma abordagem diferente.
Recomendo a quem se quiser inteirar com um conceito novo!

Classificação: 2 estrelas

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Ebooks: Aos Teus Olhos

O último conto do Vitor Frazão no Fantasy & Co a ser lido por mim.



Autor: Vitor Frazão
Sinopse: Carvão alimenta o Império, mas nas ruas de Nova Opida o coração do povo é movido por outro combustível: ódio. Três anos volvidos desde o fim do sangrento e dispendioso conflito a população da Callacia continua incapaz de perdoar os derrotados. Entretanto a tensão acumula…


Creio que o maior problema da história é ter dois pontos de vista distintos. Tal não ajuda a quem se tenha empatia pelo protagonista. Aliás, quem é o protagonista? A resposta não é clara até meio do conto. Os infodumps foram controlados, embora ainda sobressaiam um pouco. As descrições estão bem conseguidas e a criação do mundo ficcional foi feita de um modo competente. A partir do meio a história consegue realmente prender o leitor. Em suma, um conto interessante que poderia ter uma mãozinha de um bom editor para ficar excelente.
Recomendo a quem quiser conhecer mais um pouco da obra deste escritor emergente.

Classificação: 3 estrelas

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Livros: Verum

Este é o último volume publicado da colecção, mal posso esperar para que haja mais.


Autor: Mário de Seabra Coelho
Sinopse: Nº 9 da "Colecção Barbante" pela Imaginauta.


Este conto pega no mito do escolhido e dá-lhe uma volta completa. Para além disso, o ritmo da narrativa prende o leitor e o mundo criado foi apresentado num detalhe a que convém num conto. Pena não termos qualquer ligação à personagem principal.
Recomendo vivamente a quem quiser descobrir um bom autor nacional.

Classificação: 4 estrelas

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Livros: A Verdade

Esta colecção proporcionou-me, neste volume, mais uma oportunidade de conhecer outro escritor.


Autor: Sérgio Santos
Sinopse: Nº 8 da "Colecção Barbante" pela Imaginauta


O maior problema deste conto é contar muito mais do que mostra. A informação é simplesmente enunciada ao leitor num bloco de texto. Esses dois problemas, acabam por fazer por perder todo o impacto que poderia causar ao leitor. No entanto, estamos perante um autor que com a devida orientação poderá mostrar todo o seu potencial.
Recomendo a quem quiser conhecer mais autores iniciantes.

Classificação: 2 estrelas

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Livros: Danças

Nesta colecção nota-se uma clara tendência para o terror.


Autora: Júlia Pinheiro
Sinopse: Nº 7 da "Colecção Barbante" pela Imaginauta


Temos aqui outra ideia interessante que gostei bastante e que está bem explorada. No entanto, a execução não foi a melhor: o texto parece demasiado morto e não procura ligar-se ao autor.
Recomendo a quem quiser conhecer novos escritores.

Classificação: 3 estrelas


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Livros: Algures em 2045

Como é que será o mundo em 2045?


Autor: Fábio Carvalho
Sinopse: Nº 6 da "Colecção Barbante" pela Imaginauta.


Há uma ideia interessante por detrás do conto, mas a execução não foi das melhores. Falta empatia com a personagem principal e a narrativa tem um tom muito morno. Teria sido interessante criar mais tensão.
Recomendo a quem quiser descobrir autores portugueses.

Classificação: 3 estrelas