quarta-feira, 29 de junho de 2016

Livros: Going Postal

Cada livro de Terry Pratchett é uma surpresa.


Autor: Terry Pratchett
Sinopse: Terry Pratchett puts his stamp on the new Discworld novel. 
Moist von Lipwig was a con artist and a fraud and a man faced with a life choice: be hanged, or put Ankh-Morpork’s ailing postal service back on its feet. It was a tough decision. But he’s got to see that the mail gets through, come rain, hail, sleet, dogs, the Post Office Workers Friendly and Benevolent Society, the evil chairman of the Grand Trunk Semaphore Company, and a midnight killer. Getting a date with Adora Bell Dearheart would be nice, too. Maybe it’ll take a criminal to succeed where honest men have failed, or maybe it’s a death sentence either way. Or perhaps there’s a shot at redemption in the mad world of the mail, waiting for a man who’s prepared to push the envelope...



A escolha da personagem principal é simplesmente genial. O sarilho espreita a cada esquina e vai ficando cada vez mais complicado. As personagens secundárias provam a generalidade do autor, proporcionando situações hilariantes. A história prende-nos desde o início, através das curvas e contra-curvas do enredo até ao final que nos deixa satisfeitos. algumas coisas são previsíveis, o que não é um problema, tendo em conta o público alvo. Tanto as descrições como o estilo de escrita são bastante adequados, não distraindo o leitor do que realmente importa: a história. O humor é muito inteligente e está cheio de referências, o que o torna a obra ainda mais interessante e com potencial de ser lida várias vezes. Estamos perante um trabalho de mestre.
Recomendo a todos os fãs de Terry Pratchett e quem gosta de livros com humor inteligente.

Classificação: 5 estrelas

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Livros: Jesusalém

Quem lê Mia Couto tem uma experiência inesquecível.


Autor: Mia Couto
Sinopse: Jesusalém é seguramente a mais madura e mais conseguida obra de um escritor em plena posse das suas capacidades criativas. Aliando uma narrativa a um tempo complexa e aliciante ao seu estilo poético tão pessoal, Mia Couto confirma o lugar cimeiro de que goza nas literaturas de língua portuguesa. A vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado, diz um dos protagonistas deste romance. A prosa mágica do escritor moçambicano ajuda, certamente, a reencantar este nosso mundo.


Os livros de Mia Couto não devem ser lidos de modo literal, embora o possamos fazer. A miriade de significados escondidos faz com que uma segunda e terceira leituras tragam novas descobertas. A história é como uma parábola com várias lições escondidas. As personagens são inesquecíveis e são-nos mostradas com um detalhe e realismo que só uma pessoa real pode conter. Digo mesmo que me irei recordar das personagens mais tempo do que da trama. O desenvolvimento da narrativa é um pouco hermético, sendo necessário que nos adaptemos à escrita de Mia para conseguirmos compreender aquilo que está a acontecer. A meu ver esse é o maior obstáculo a quem não conhecer este escritor. Não tenho nada a apontar às descrições: estão lá, transmitem-nos a informação e não roubam o protagonismo. Em suma, um livro muito bom.
Recomendo vivamente a quem ainda não tiver descoberto este genial escritor lusófono.

Classificação: 5 estrelas

domingo, 26 de junho de 2016

Chá de Domingo #85: Aquecimento para o Camp Nanowrimo - Julho de 2016

Este Julho vou, mais uma vez, participar no Camp Nanowrimo.


Se aprendi alguma coisa com o Camp Nanowrimo anterior, foi que é necessário enfrentar este desafio com um plano. Por isso, desta vez já estou a finalizar o plano, incluido o que tenho de escrever em cada dia. Fica a faltar a pesquisa, mas creio que não tenha de fazer muita.

Como tenho objectivos bem claros, vou passar a enumera-los para que constem no registo:

- Terminar o Jarro de Porcelana. Faltam cerca de dez capítulos, num total de cerca de 11500 palavras (mais coisa menos coisa). Já ando com este projecto em mão há bastante tempo, é altura de terminar o primeiro rascunho e meter a marinar. Isto deve-me ocupar uns oito dias e deverá ser a minha tarefa prioritária.

- Rever As Nuvens de Hamburgo. Finalmente há alguém interessado neste manuscrito e por isso vou aproveitar a oportunidade para fazer uma revisão geral. Para além disso, vou acrescentar alguns capítulos e mudar um pouco a história, no sentido das críticas que tenho vindo a receber. O livro tem 23000 palavras, mas irá crescer. Espero que isto me demore cerca de 16 dias.

- Escrever contos. Os restantes 7 dias, quero-os usar para escrever alguns contos. Um deles é para participar num concurso e os restantes são para o Fantasy and Co, num esforço de desenvolver alguns dos meus universos literários. Tenho planos para 3 e espero que me surjam ideias para outros 3.

A meta que defini foram as 45000 palavras, o que dá um pouco menos de 1500 palavras por dia (o mês tem 31 dias). Talvez seja uma meta demasiado ambiciosa, mas necessito de algo que puxe por mim. Para além disso, não acho que seja um desafio decente menos que 40000 palavras. Decidi juntar-me a uma cabina aleatória, não sei bem porquê, esperando que algo de bom saia dai.

Fica aqui a ligação para o meu perfil no Camp Nanowrimo.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Ebooks: Nas Margens do Rio




Autor: Pedro Pereira
Sinopse: Para Kazue, aquele era um dia como tantos outros. A menina brincava com o seu gato nas margens do rio enquanto o pai e os irmãos pescavam. Mal ela podia imaginar, que um grupo de seres antigos estava prestes a voltar ao rio, reivindicando aquele local como seu, colocando toda a aldeia em risco.


Creio que o maior defeito é mesmo a falta de ligação à personagem principal. Apesar de as descrições estarem bem conseguidas e evocarem imagens cinematográficas, houve algumas que ficaram a faltar e que ajudariam a dar envolvência à história. Mesmo mantendo a tensão, as sequências não foram aproveitadas da melhor maneira. Uma revisão cuidada e uma maior atenção à época teriam tornado este conto em algo muito bom. Em suma, a ideia está boa mas ficou um pouco aquém do potencial.
Recomendo a quem queria conhecer um pouco mais do trabalho deste autor.

Classificação: 3 estrelas

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Livros: Balada da Praia dos Cães

Recomendaram-me este clássico da literatura policial portuguesa.


Autor: José Cardoso Pires
Sinopse: O romance foi escrito no período pós-revolução de 25 de Abril de 1974. A acção situa-se no princípio dos anos 60, e retrata alguns aspectos da sociedade portuguesa em plena época da ditadura salazarista. Relata a investigação dum assassínio; e a história começa com o relatório da descoberta de um cadáver enterrado na Praia do Mastro em 3 de Abril de 1960. Mais tarde, a polícia descobre tratar-se do major Luís Dantas Castro, um militar preso por tentativa de rebelião contra o regime vigente e que escapara da prisão.


O protagonista é muito realista, creio que a meio do livro haverá quem se irá queixar que é demasiado realista. As restantes personagens também estão bem desenvolvidas, contendo uma profundidade emocional bastante interessante, algumas assentando mesmo no paradigma da cebola: há camadas que é preciso retirar para se chegar à essência. As descrições estão bem conseguidas e conseguem fazer-nos ver Lisboa como era nos anos 60. A trama desenvolve-se ao seu ritmo, sem grandes safanões, mas mantendo o leitor interessado em todos os desenvolvimentos: o Diabo está nos detalhes! No entanto, é o estilo que impede que haja uma cereja no topo do bolo: o autor explora a narrativa de um modo que aparenta desorganização, dando a impressão que estamos a ler um rascunha da obra ao invés da obra final. A mistura de relatórios policiais com a narração em muito contribui para essa impressão: para algumas pessoas, poderá ser confuso. Em resumo, é uma obra genial que embora padeça de um estilo menos apelativo, está excelente em todos os outros aspectos.
Recomendo vivamente a quem gostar de policiais!

Classificação: 4 estrelas

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Ebooks: No Carnaval Ninguém Leva a Mal

Podemos estar em pleno Verão, mas o Carnaval é quando quisermos.


Autora: Carina Portugal
Sinopse: Risos, gargalhadas, festa… o Carnaval chegou, mas não para o Sr. Jacinto, o coveiro da cidade. Para seu azar, foi encarregado de deter uma assassina em série, que é também sua prima. E, como se não chegasse, tem somente a ajuda da sua pá de aço e de uma bruxinha que não é nada de confiança.


Eu decidi avaliar esta história como se fosse infanto-juvenil. O início é um pouco morto, mas assim que o conto pega, prende o leitor. O final é um pouco previsível, mas tendo em conta o possível publico alvo, não é nada de negativo. É fácil criar empatia com a personagem principal e com o coveiro. As descrições estão bem conseguidas, embora seja difícil seguir o que acontece em certas alturas.
Recomendo aos mais novos e aos mais velhos que ainda tenha um espírito jovem.

Classificação: 4 estrelas

domingo, 19 de junho de 2016

Chá de Domingo #84: O Que é o Cyberpunk? - Parte 2/3

Podem ler a primeira parte deste artigo aqui.

Uma versão em desenvolvimento de um cyberpunk do jogo Cyberpunk 2077

Na primeira parte do artigo falamos sobre a génese. Na segunda iremos abordar a definição e a essência do movimento cyberpunk.

Em Busca de uma Definição
Podemos obter uma definição básica dissecando a palavra: cyber refere-se à tecnologia, muitas vezes associada ao cyberespaço (termo criado por William Gibson) e aos implantes cybernéticos. Contudo, isto também se pode referir a outras tecnologias: por exemplo biotecnologia e nanotecnologia. Por outro lado, punk refere-se às pessoas e à atitude cyberpunk. Os protagonistas tendem a ser anti-heróis, rejeitados, exilados, criminosos, visionários, dissidentes e desajustados. Um aspecto subjacente que se aplica a todos estes grupos é a sua natureza subversiva.
Subverter é derrubar ou sabotar algo. O próprio género subverteu a ficção científica sem sequer olhar para trás. Para se ser punk é necessário questionar a autoridade e subverter toda e qualquer autoridade com a qual não se concorde. Pessoas diferentes fazem-no de maneiras diferentes, tal como os protagonistas das histórias cyberpunk. Um exemplo é Motoro Kusanagi do Ghost in the Shell. Aparenta ser uma agente do governo japonês. No entanto, ser um instrumento não é o que a define, nem como ela se define a si mesma. Na história, ela não tem medo de se esquivar à lei e resolver as coisas com as suas próprias mãos se isso estiver de acordo com o que considera estar certo: tramar os politicos. Ela é um elemento subversivo dentro do próprio governo.

A Essência do Cyberpunk
Existem algumas citações que ajudam a ilustrar a essência do cyberpunk.

A cidade de Hengsha, fisicamente dividida, de Deus Ex: Human Revolution

"O futuro já chegou - só não está distribuído de foram equalitária."
- William Gibson

Esta citação traz o foco do cyberpunk para a dicotomia high tech, low life. Existe a alta tecnologia, contudo, essa tecnologia não conseguiu desfazer as divisões sociais deixando uma disparidade entre classes, a qual provoca uma luta social. Para além disso, apesar da tecnologia existir, as classes mais baixas não possuem recursos para poderem beneficiar dela, provocando um alargar do fosso com a elite a ficar mais rica e a ter acesso a mais tecnologia.

"Tudo o que puder ser feito a um rato, pode ser feito a uma pessoa."
-Bruce Sterling 

Este é um conceito importante. Fazemos coisas horríveis a ratos em nome do progresso e somos quase totalmente insensíveis quanto a isso. Muitas tramas de cyberpunk giram à volta do efeito de alguma droga ou alguma adulteração do cérebro, que ja foi feita a ratos. É só uma questão de tempo até começarmos a interferir connosco da mesma maneira. Os ratos são só o exemplo.

"A rua encontra o seu próprio uso para as coisas."
- William Gibson

Isto explicita o aspecto baixo/punk e coloca-o no contexto dos movimentos de fonte aberta (open source) e faça você mesmo (DIY). A taxa de desenvolvimento é tão elevada que criamos uma data de coisas que se tornam quase de imediato obsoletas. Essas coisas perdem o seu valor e acabam por ser abandonadas, no entanto, este desperdício pode ser reutilizado de maneiras que os seus criadores nunca imaginaram. Por exemplo, usar um leitor de DVD para testar o VIH.

Podem ler a terceira parte do artigo nesta ligação.

Artigo traduzido a partir daqui.