domingo, 20 de março de 2016

Chá de Domingo #75: Aulas de Português

Em Fevereiro iniciei as aulas de português. A maior diferença entre estas e outras aulas que frequentei na minha vida é que eu seria o professor!


Estando eu na Croácia, que é um país bastante distante de Portugal, seria de esperar que não houvesse grande aderência. Contudo, a directora do local onde eu iria realizar o meu voluntariado avisou-me que havia uma grande procura. Eu pensei cá para os meus botões: umas cinco ou seis pessoas. Bem, estava redondamente enganado: na primeira aula apareceram 17 pessoas!
Como era de esperar, o número de pessoas diminuiu logo após as primeiras aulas, contudo, cerca de dez a doze pessoas frequentam o curso no momento em que estou a escrever esta publicação. Alguns não vêm a todas as aulas por via de obrigações laborais, mas pedem-me para que lhes dê o conteúdo das aulas que falharam num esforço genuíno para seguirem o programa.


Decidi seguir um manual de ensino de Português para estrangeiros, adaptando as lições. Ao preparar as aulas, aprendi muito sobre a minha própria língua: essencialmente percebi o porquê de algumas coisas e meti muitas regras preto no branco. Posso dizer que beneficio tanto do curso como os alunos.
Tendo em atenção que isto é um curso para iniciantes, outro facto surpreendente foi a quantidade de pessoas que já sabia algum português. Uma das alunas tinha frequentado o meu curso anterior, contudo, encontrei até quem visse diariamente videos no youtube em Português do Brasil. Para além disso, para quem sabe Espanhol ou Italiano, a tarefa fica muito facilitada. Assim, as aulas avançam a um ritmo alucinante com os alunos a acompanhar com facilidade. Creio que no final deste curso eles conseguirão falar melhor Português que eu Croata.



Nunca aprendi nada sobre pedagogia, por isso tive de improvisar o meu método de dar aulas, imitando as qualidades de professores que já tive. As lições não são só de gramática nem interpretação, mas também jogos e um pouco de cultura. Parece-me uma boa forma de aprender. É claro que há muitas arestas para limar, mas isso só lá vai com a experiência.
Estou a ser estranhamente bem sucedido numa tarefa que nunca me imaginei a desempenhar. Em suma, está a ser uma experiência muito interessante e divertida. 

sexta-feira, 18 de março de 2016

Ebooks: Nanozine nº7

Muitos contos de diversos autores portugueses é que vos espera neste número da Nanozine.


Autores: Ana Filipa Ferreira, Telmo Marçal, Marcelina Leandro, Rui Tinoco, Joel Puga, Carlos Silva, Olinda P. Gil, Joel G. Gomes, Célia Loureiro, Pedro Cipriano e Maria João Moreira.
Sinopse: Uma ezine com vários artigos e contos:
Artigo: Críticos de Gaveta - Ana Filipa Ferreira
Contos: O Solucionador - Telmo Marçal
Carrosséis - Marcelina Leandro
O Desenho - Rui Tinoco
O Saltador - Joel Puga
A Última Viagem do Sud Expresso - Carlos Silva
Destilação - Olinda P. Gil
A Sopa - Joel G. Gomes
O Livro das Horas - Célia Loureiro
O Fruto Proibido - Pedro Cipriano
Poesia: Saberás - Maria João Moreira
Entrevistas: Carla M. Soares e Cláudia Silva




Este número abre com um artigo fundamental, escrito pela Ana Ferreira, para quem deseja enveredar pela carreira da crítica literária, seja ela a um nível amador ou mais profissional. Há também duas entrevistas interessantes: Carla M. Soares e Cláudia Silva.

O Solucionador - Telmo Marçal
Este conto tem um bom sentido de humor, que esconde logo o problema das divagações. No global é um conto agradável e divertido de se ler.
3 estrelas

Carrosséis - Marcelina Leandro
Um conto de terror que teve uma boa execução. No entanto, parece que lhe faltou algo, talvez descrições mais vívidas ou um criar de suspense.
3 estrelas

O Desenho - Rio Tinoco
Sinceramente não percebo o objectivo deste conto. Houve quem dissesse que era humorístico: não consegui entender
2 estrelas

O Saltador - Joel Puga
Gostei deste conto. Simples e directo, com uma mensagem.
3 estrelas

A Última Viagem do Sud Expresso - Carlos Silva
Creio que o ponto alto deste conto foi a complexidade da personagem principal. A acção arrasta um pouco, o que se consegue tolerar bem por estarmos a querer descobrir mais sobre a personagem principal. O final foi quiçá demasiado filosófico.
4 estrelas

Destilação - Olinda Gil
Achei o conto bastante confuso. Tive recomeçar umas três vezes para conseguir seguir o fio à meada. Gostei bastante da ideia.
2 estrelas

A Sopa - Joel G. Gomes
Este conto prima pela ideia original, ao estilo de Jorge Luis Borges. Infelizmente, não tenho a certeza se captei o objectivo do conto, que acaba por ser demasiado surrealista.
4 estrelas

O Livro das Horas - Célia Loureiro
Este conto tem alguns problemas de ritmo. Contudo, acaba por ser uma leitura agradável, em especial pela reviravolta final.
3 estrelas

O Fruto Proibido - Pedro Cipriano
Não irei comentar este por razões óbvias.

Saberás - Maria João Moreira
É-me difícil avaliar poesia e este poema passou-me um pouco ao lado.
2 estrelas

Infelizmente, continua a haver erros de paginação. Por outro lado, o design está apelativo. Notou-se que apostaram em vozes distintas, umas mais conhecidas que outras, o que acaba por ser a grande força desta ezine. A classificação é a média dos contos.
Recomendo a quem quiser conhecer o que melhor se faz em Portugal.

Classificação: 3 estrelas

quarta-feira, 16 de março de 2016

Ebooks: Nanozine nº7 - Extra Nanowrimo

Um mês, 50 mil palavras e uma ezine!



Autores: Ana Filipa Ferreira, Ana C. Nunes, Claudia Silva, Tomás Passeiro, Adoa Coelho, Marcelina Leandro, Alexandra Rolo, Leonor Ferrão,  Hélder de Castro, Rui Leite, Diana Sousa, Inês Montenegro, Rafaela Ferreira, Ambar van Slooten, Álvaro Holstein
Sinopse:  Nanozine extra especial dedicada ao NaNoWriMo com textos dos participantes do NaNoWriMo portugueses. Contém diversos artigos sobre o que é que os NaNoNinjas fazem durante Novembro, que incluiu chapéus, chocolate quente e 50 mil palavras.


Visto que esta edição não contem ficção, irei comentar cada um dos artigos e dar apenas uma avaliação à ezine como um todo. Para além destes artigos, há uma nota de editora, um contrato de que podemos assinar e em que nos comprometemos a cumprir o objectivo e um calendário que relaciona os dias do mês com os pontos-chave da história.

Introdução - Ana Ferreira
Um bom e útil artigo para quem não conhece o Nanowrimo.

Nanowrimo em Portugal - Ana Nunes
Como o título sugere, este artigo foca-se mais na realidade portuguesa. Mensagem importante: no Porto usam-se chapéus e em Lisboa usam-se peluches.

Crouching Structure, Hidden Plot - Cláudia Silva
Um excelente artigo, com tudo o que um escritor precisa de saber para organizar a estrutura do seu livro. Incluí também várias recomendações de livros sobre o tema. Uma referência!

A Criação de Personagens - Tomás Passeiro
Este guia é muito útil. De uma forma simples e directa, diz-nos o que precisamos de saber.

Como Fazer Sentido Sem Ter Plot Prévia - Adoa Coelho
Um artigo útil para quem não gosta ou não consegue organizar a estrutura antes de começar a escrever. Também tem conselhos bastante pertinentes para quem quer participar num desafio deste tipo.

O Guia do Nanowrimo - Marcelina Leandro
Apesar de ser específico para 2012, dá para ter uma ideia sólida dos eventos que acontecem no Porto durante o mês de Novembro.

Lisboa - Alexandra Rolo
Este artigo é muito reduzido, mas dá para ter uma ideia dos locais usados por Lisboa durante o Nanowrimo.

10 Dicas para Sobreviver ao Nanowrimo - Leonor Ferrão
Conselhos muito úteis. suplementados com as dicas de Ana C. Nunes e Hélder de Castro.

Send-Off Party - Rui Leite
Este artigo mostra-nos as vantagens de irmos aos encontros do Nanowrimo de um modo tão convincente que fiquei com vontade de ir.

Receitas Nanowrimo
Estas receitas abrem mesmo a apetite. Quem é que as escreveu?

Depois da Tempestade... Não vem a Bonança - Diana Sousa
Depois do Nanowrimo, vem a revisão. Este artigo dá algumas dicas de como fazer a mesma.

O Meu Primeiro Nanowrimo - Inês Montenegro, Ana Filipa Ferreira, Ana C. Nunes, Hélder Castro, Rafaela Ferreira e Cláudia Silva
Um artigo muito interessante e informativo para quem nunca participou num Nanowrimo. As experiências relatadas são bastante distintas e cobrem uma boa parte dos cenários possíveis que esperam quem se aventurar neste desafio pela primeira vez.

As Barbaridade do Nanowrimo - Ana C. Nunes, Cláudia Silva, Ana Filipa Ferreira, Hélder Castro e Rui Leite
Com estes excertos podem ficar com uma ideia do estado do vosso manuscrito depois de terminarem o Nanowrimo.

Camp Nanowrimo e Outras Formas de Nano - Ambar van Slooten e Inês Montenegro
Há outros desafios semelhantes ao Nanowrimo: Script Frenzy, Camp Nanowrimo e Young Writers Program.

Nanocoisa - Álvaro Holstein 
Mais uma opinião sobre o desafio, desta vez visto de fora.

É um bom trabalho que contem tudo o que um iniciante nestas andanças precisa de saber.

Classificação: 4 estrelas

PS: A quantidade de marcadores atingiu o limite sem ter marcado todos os autores. Peço desculpa.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Ebooks: Nanozine 6

Este número acabou por ser um dos mais falados de sempre!


Autores: Vitor Frazão, Anton Stark, Pedro Cipriano, Marcelina Leandro, Álvaro Holstein, Carina Portugal, Rui Serra, Rui Alex
Sinopse: Uma webzine com um número dedicado ao Steampunk e outros tipos de punk.
Contos:
O preço: parte II | Vitor Frazão
Uma corda quebrada | Anton Stark
A alergia | Pedro Cipriano
Do carvão pra metralha | Marcelina Leandro

Poesia:
Um Assobio Longe | Álvaro de Sousa Holstein
Semeador de chumbo | Rui Serra
Hangar do coração | Carina de Portugal

Entrevista a:
Anton Stark
ClockWork Portugal

Ilustração:
Um Adeus Longíquo | Rui Alex (BD)
Cupcake bunny | Bernardo Dias

Artigos:
Roménia punk | Michael Haulica
Abney Park | Alexandra Rolo
O presente e futuro do punk | Adeselna Davies
Porque é que escrevo Steampunk? | Shelley Adina

Crítica literária:
Contos para o Kindle
Incarceron de Catherine Fisher
Leviathan de Scott Westerfeld
Viridis de Calista Taylor
Lady of devices & Her own devices de Shelley Adina

Subordinado ao Steampunk, este número contêm imensa informação, tanto para quem não conhece o tema como para quem já conhece: é explicado o que é o Steampunk, depois são várias dadas sugestões de livros. Existem duas entrevistas: à Clockwork Portugal e ao autor Anton Stark. Para além disso, há alguns artigos subordinamos ao tema punk e críticas a vários livros do género.

O Preço (Parte 2) - Vitor Frazão
O mesmo problema do anterior: o autor conta demais. O final decepciona um bocado. Definitivamente, não é dos melhores contos do autor.
2 estrelas

Uma Corda Quebrada - Anton Stark
Este conto está muito bom em todos os aspectos: seja na caracterização das personagens, como no ritmo da trama ou na construção do mundo. Infelizmente, é um tanto previsível.
4 estrelas

A Alergia - Pedro Cipriano
Por razões óbvias, não vou comentar este.

Do Carvão Pra Metralha - Marcelina Leandro
Este conto gasta algum tempo a introduzir o mundo criado, mas acaba por desenvolver bem. Podia ser melhorado ao nível de mostrar versus contar e em questões de linguagem.
3 estrelas

Um Assobio ao Longe - Álvaro Holstein
Parece faltar-lhe musicalidade.
3 estrelas

Semeador de Chumbo - Rui Serra
Este poema consegue mostrar-nos imagens e contar um história.
4 estrelas

Hangar do Coração - Carina Portugal
Um contraste interessante entre o vivo e a máquina.
4 estrelas

Um Adeus Longínquo - Rui Alex
Esta BD é visualmente muito atractiva. A personagem principal está muito bem conseguida.
4 estrelas

O número de colunas aleatório, por vezes não ajuda à leitura. Há também algumas gralhas. Fora isso, temos aqui um excelente manual de introdução ao Steampunk, que foi muito bem organizado e executado. Recomendo vivamente a todos!

Classificação: 4 estrelas

domingo, 13 de março de 2016

Chá de Domingo #74: 12 Erros que Escritores Iniciantes Cometem - Parte 2

Na primeira parte deste artigo, que podem ler aqui, expus 6 dos 12 erros mais comuns que os escritores iniciantes comentem. Hoje irei apresentar os restantes.


Falta de variação na extensão das frases
Este erro não é de todo trivial. O texto necessita de um ritmo e isso é-lhe dado pela variação do comprimento das frases. Não se pode fazer uma descrição de uma divisão com o mesmo tipo de frases com que se descreve uma perseguição. Para além disso, ajuda a quebrar a monotonia.

Demasiados Advérbios
Um conselho tão batido como ignorado. Os advérbios empatam na leitura. A quantidade máxima é um por página, tudo o resto é excessivo. Em especial, quando usados para caracterizar os diálogos, dão uma muita má impressão do escritor.

Evitar Palavras Incomuns
Muitos escritores iniciantes caem no erro de usarem todas as palavras obscuras que conhecem, obrigando o comum dos leitores a usar um dicionário para compreender até as frases mais simples. Longe de impressionar os leitores, irão fazer com o que os editores atirem o vosso manuscrito para o lixo por o considerarem intragável. O objectivo não é impressionar o leitor com o vosso vocabulário, mas sim contar a história do melhor modo que conseguirem.

Usar todos os sentidos
A maioria dos iniciantes descrevem tudo o que a personagem principal vê. Isso não chega para fazer o leitor sentir-se na história. É necessário usar os outros sentidos para que a história salte das páginas e invada a imaginação dos leitores.

Mostre, não Conte!
Este é o conselho mais dado aos escritores, mesmo àqueles que já andam nestas lides há mais tempo. É um dos aspectos mais complicados de conseguir pôr em prática e pode levar anos a aperfeiçoar. Contudo, fará uma grande diferença no resultado final.

Mau exemplo: O João está furioso.

Bom exemplo: O João atirou o prato à parede.
- Vai-te lixar! - ouviu-o dizer, antes de ele bater com a porta.

Clichés
Nada faz um editor odiar mais um escritor do que os clichés. Em especial, os clichés que já foram demasiado usados e que nem sequer foram bem aproveitados. São de evitar tanto quanto possível.


Espero que estas dicas vos tenham ajudado a melhorar as vossas escritas. Estejam à vontade para comentar e sugerir alterações a esta lista.

Artigo traduzido e adaptado daqui.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Ebooks: O Monociclo

Um conto de terror muito bem construído.


Autor: Vitor Frazão
Sinopse: Uma bizarra e aparentemente inofensiva velharia passa de mão em mão graças à ganância, ignorância e curiosidade humana, transportando consigo uma perigosa maldição. Agravando a loucura, o legítimo dono e os seus lacaios querem recuperá-la.


Confesso que demorei alguns dias até conseguir escrever a crítica a este conto. Tenho de dizer que o autor está de parabéns, visto que a história ficou-me na cabeça. Mais importante que isso: assustou! as personagens tem características únicas que a fazem ser memoráveis. A trama desenvolve-se num crescendo que culmina num final bem executado. Mas o melhor do conto são as descrições, que nos metem na pele das personagens. Em suma, um bom conto que vale a pena ser lido.
Recomendo este conto a quem quiser uma amostra do melhor terror que se escreve em Portugal.

Classificação: 4 estrelas

quarta-feira, 9 de março de 2016

Ebooks: Migalhas de Ontem

Uma viagem no tempo à Batalha de Aljubarrota.


Autora: Sara Farinha
Sinopse: A História é composta de histórias. Algumas chegam às páginas escritas e são passadas aos descendentes. Outras permanecerão, para sempre, na obscuridade. E se tivesses o poder de mudar a História? E se a tua vida depender disso?


O início do conto podia ter sido mais trabalhado. A mim induziu-me em erro e eu não gosto quando me fazem isso nos inícios. A ambientação lenta teve a utilidade de aproximar o leitor à personagem. As descrições estão bem conseguidas. O episódio final podia ter sido muito mais bem explorado, visto que toda a narrativa conflui para esse momento. A autora podia ter trabalhado um pouco mais para criar tensão na narrativa. Gostei bastante da ideia.
Recomendo a quem gostar de ficção histórica e/ou quiser conhecer o trabalho desta escritora emergente.

Classificação: 3 estrelas