segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Ebooks: Nanozine 4

Com uma capa desta, quem é que consegue resistir a abri-la?


Autores: Joel Puga, Cristiano Estevão, Rui Sousa, Adoa Coelho, Pedro Vicente, Ricardo Cunha, Liliana Novais e Telmo Marçal.
Sinopse: A Nanozine é um projecto amador surgido em 2011 que publica autores portugueses.




O Mestre Arquitecto - Joel Puga
Este texto acaba mais por ser mais uma parábola que um conto. O autor conta quase tudo, mostrando muito pouco. Com um desenvolvimento mais cuidado, teria passado uma mensagem mais forte.
3 estrelas


Floresta Maldita - Parte 1 - Cristiano Estevão
Escrita parcialmente no mesmo estilo de Drácula de Stoker, este conto peca pelos extras que são completamente desnecessários. Há muita informação que é completamente desnecessária. Os diálogos são muito artificiais.
2 estrelas


100 Palavras - Rui Sousa
Este conto é uma boa prova de conceito, apesar de não ser mais que isso.
2 estrelas


O Cálice da Vingança - Parte IV - Adoa Coelho
O sentido de humor que caracterizava este conto começa a desgastar-se. Espero que termine em breve, caso contrário a autora arrisca-se a estragar o bom trabalho que fez.
2 estrelas


O Ditador - Pedro Vicente
O título remete para algo completamente diferente e acaba por nos causar algumas surpresas. Gostei da ideia. A execução podia ser um pouco mais trabalhada.
4 estrelas


They're Just Memories - Ricardo Cunha
Um conto curto e rico numa imagética interessante.
3 estrelas


Um Grito de Liberdade - Liliana Novais
Um conto interessante em forma de relato, apesar de ter uma ou duas incongruências históricas.
3 estrelas


Dia de Libertação - Telmo Marçal
Poesia em forma de conto. Gostei do formato e do desenvolvimento.
3 estrelas


Segunda Oportunidade - Telmo Marçal
O tom foi muito bem escolhido. A ideia fui bem trabalhada, tornado-o num conto que se lê com facilidade e prazer.
4 estrelas


Esta edição tem muitos problemas de frases repetidas. O aspecto gráfico está superior ao da edição anterior, embora os contos, na generalidade, estarem mais fracos. Há que felicitar a coragem destas três escritoras na criação deste projecto.
Recomendo a quem quiser conhecer o que se faz em Portugal.

Classificação: 3 estrelas

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Chá de Domingo #72: 12 Erros que Escritores Iniciantes Cometem - Parte 1

Hoje vamos falar dos erros mais comuns que os escritores iniciantes comentem e os prejudicam mais.


Para muitos escritores, a primeira publicação é a mais extenuante. Enviam o seu manuscrito para dezenas ou até centenas de editoras e agentes e nem sequer recebem uma resposta. Se é comum, e quase uma piada entre os autores, o facto de os editores não responderem às submissões, há certos erros que tornam essa resposta demorada em algo que nunca se concretizará. Um editor poderá receber dezenas de manuscritos numa semana. Podem-se perguntar como é que ele os lê a todos? Não lê. Passa os olhos pelas primeiras páginas e se lhe interessar é que lê o resto.

Como evitar que isso aconteça? Evitar os erros mais comuns para que possamos causar uma boa impressão no editor. Aqui ficam os 12 que definem se o vosso manuscrito algum dia vai deixar a pilha dos por ler:

Gramática e Ortografia
Nenhum editor irá querer ler uma história cheia de erros. Para além de lhe dificultar a vida, dá uma má impressão do autor. Um autor que submete uma história com este problema mostra que é um amador e que não se dedicou o suficiente ao livro. Não esperem, sequer, que passe da primeira página.

Evitar a Prosa Purpura
Uma prosa adornada em demasia por adjectivos e advérbios não é um sinal de um bom escritor. Muito pelo contrário, desencoraja os leitores a mergulharem na história, distraindo-os do que realmente interessa: a trama! O mesmo é válido para o escritor: quando gasta muito tempo a polir as frases, esquece-se das outras vertentes.

Exemplo: A sua face era como o Sol Nascente, os seus olhos como o infinito do oceano. Cada olhar era como se uma vida inteira se esvaísse num único segundo de contemplação desta deusa alada e bela.
Frase cheia de metáforas que não fiz nada e confunde o leitor.


Frases com Demasiados Verbos
Ninguém quer ler frases com demasiados verbos. Estas transmitem uma sensação de simultaneidade, que quase nunca é intencional, e são mais complicadas de ler.

Exemplo: Ela levantou-se, tomou banho, vestiu-se, lavou os dentes e tomou o pequeno-almoço antes de sair.
Para além de intragável, esta frase é provavelmente redundante.


Não usar a voz passiva
A voz passiva diminui o impacto daquilo que o autor quer transmitir. A mensagem perde força que a voz activa lhe dá. Para além disso, o seu uso pode ser interpretado como vindo de um escritor pretensioso.

Exemplo: A carta foi escrita por Rita.


Demasiada descrição
Este problema afasta os leitores da história. Por muito que queira descrever o exacto tom de azul da cortina, a frequência dessas descrições extenuantes acaba por cansar o leitor. Não é só a quantidade de descrição, mas também quão exaustiva esta é. Este erro aumenta o hiato entre o escritor e o leitor, quando desejamos que o oposto aconteça. É particularmente grave no caso de descrição de objectos/cenários pouco relevantes para a história.


Demasiadas Palavras sem Dizer o Essencial
Seja conciso e claro na sua escrita. Uma boa maneira de treinar isto é escrever vinhetas, visto que obriga a chegar rapidamente ao cerne da história. Uma revisão cuidada de caneta vermelha ajuda a eliminar toda a palha do manuscrito. Em caso de dúvida, peça uma segunda opinião de um escritor mais experiente.


Artigo parcialmente adaptado e traduzido daqui.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Ebooks: A Flecha Perdida

Mais uma peça no universo ficcional deste autor.


Autor: Pedro Pereira
Sinopse: Escondidas pela vegetação, as irmãs Geerlings seguem o rasto da sua presa. Empenhadas na caçada, ignoram por completo o perigo que se aproxima da colónia de Drunen.


A primeira parte do conto serve para nos dar a conhecer as personagens. Este é um dos exemplos em que usar prólogo não é mau de todo. Contudo, duvido que os animais deixem tufos de pêlo agarrados às árvores tão frequentemente. As personagens são-nos dadas a conhecer de uma forma dinâmica. O universo é-nos descrito com detalhe suficiente para que percebamos que estes acontecimentos se situam numa história maior. A trama, apesar de não ter reviravoltas, vai aumentando a tensão até ao final. Creio que o conto foi bem executado.
Recomendo a quem quiser conhecer este universo pós-apocalíptico fantástico e o trabalho deste autor.

Classificação: 4 estrelas

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Ebooks: A Filha da Peste

Um dos melhores contos desta autora.


Autora: Carina Portugal
Sinopse: Oriunda de um passado infecto, a morte esconde-se por de trás de uma máscara dourada, pronta a tomar Veneza, quando todos menos esperam – sob o disfarce do Carnaval.


Este é um daqueles raros casos em que o prólogo não é dispensável. Para além de ajudar a definir o tom do conto, dá-nos uma visão sobre o antagonista. As personagens estão muito bem desenhadas atingindo a complexidade que só é limitada pelo formato. As descrições estão excelentes, não sendo difícil a imersão no Carnaval de Veneza. A trama flui com facilidade, prendendo o leitor às páginas até ao final, que não desaponta. A linguagem é cuidada sem florear em demasia. Em suma, este conto está muito bom em todas as vertentes.
Recomendo vivamente este conto, a quem já conhece e a quem quiser descobrir uma nova autora português.

Classificação: 5 estrelas

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Livros: Oriente, Ocidente

Este livro permite-nos viajar entre dois mundos.


Autor: Salman Rushdie
Sinopse: Salman Rushdie nasceu em Bombaim em 1947 e viveu grande parte da sua vida em Londres. É o consagrado autor de obras como 'Os Versículos Satânico', 'O Último Suspiro do Mouro', ' O Chão que Ela Pisa' e 'Fúria'.
Oriente, Ocidente é uma colectânea de contos onde o autor observa os seus dois mundos, ao mesmo tempo íntimos e distante, a história partilhada de ambos, e os equívocos - cómicos e trágicos - que os separam e unem.
O que Oriente, Ocidente demonstra, é que Salman Rushdie, o mais informado e actualizado dos nossos escritores, tem um excepcional talento para todas as «antigas artes»: o domínio excepcional da língua, de contar histórias e da imaginação.


Irei comentar cada um dos contos em separado, deixando a apreciação global para o final.

Um Bom Conselho e Uma Jóia Rara
É fácil simpatizar com esta mulher misteriosa que chega. As personagens estão muito bem construídas e o conto consegue invocar essa Índia que já não existe. A surpresa final ajuda com que fiquemos com uma impressão muito positiva.
4 estrelas

O Rádio Grátis
O autor assumiu o risco de contar a história na terceira pessoa e saiu-se muito bem. A gestão de informação foi bem conseguida e conseguiu despertar o interesse do leitor.
4 estrelas

O Cabelo do Profeta
Esta história é contada sob o ponto de vista de um narrador omnisciente, o qual o autor também domina. O mistério inicial contamina-nos desde a primeira página e as reviravoltas prende-nos até ao final.
4 estrelas

Yorick
Depois do anteriores, este conto decepcionou-me grandemente. Foi uma sátira sem grande sentido de humor e desnecessariamente confusa.
1 estrela

No Leilão dos Sapatinhos de Rubis
Apesar de muito melhor que o anterior, este conto deixa muito a desejar em relação aos primeiros. No entanto, gostei da temática e da forma como foi desenvolvido.
3 estrelas

Cristóvão Colombo & rainha Isabel de Espanha consumam a sua relação
O que é que raio acabei de ler? Apesar da premissa, acabou por alongar-se em demasia tornando-se aborrecido.
2 estrelas

A Harmonia das Esferas
Excelente! Este conto tem tudo o que espero encontrar numa grande história. A aura de mistério foi muito bem conseguida e as reviravoltas recompensam cada virar de página.
5 estrelas

Chekov e Zulu
Este conto de espionagem, entre dois mundos, está ao mesmo nível dos primeiros contos do livro. Consegue manter o interesse e o final compensa. As metáforas usadas foram-no muito bem, aumentando o potencial do texto.
4 estrelas

O corteiro
Este conto consegue despertar emoções no leitor e é uma boa escolha para encerrar este livro. As personagens são tão reais que acabam por ecoar em todos os leitores, assim como as situações.
4 estrelas

A segunda parte do livro era completamente dispensável. Os três contos contidos no Ocidente não tinham uma qualidade comparável aos restantes, onde o autor mostrou que consegue dar cartas com facilidade.
Recomendo vivamente este livro, assim como recomendo que saltem o quarto, quinto e sexto conto.

Classificação: 3 estrelas

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Chá de Domingo #71: Bloqueios de Escritor

Hoje vou deixar umas dicas de como enfrentar o Bloqueio de Escritor.


Não é a primeira vez que abordo o tema. Esse artigo está muito superficial e acaba por não apresentar soluções.

Mesmo quando temos tempo, uma história organizada e seguimos todas as boas práticas, há vezes em que simplesmente não conseguimos colocar uma palavra à frente da outra. Ficamos bloqueados e não conseguimos escrever nada. A isto chama-se bloqueio de escritor. Felizmente, existem algumas técnicas para lidar com isso:
  • Experimentar: tente escrever em locais diferentes, a horas diferentes e com materiais diferentes. Se escreve todas as manhãs antes do emprego, no escritório usando o computador, porque não tentar escrever ao fim do dia, num caderno, sentado na varanda?
  • Escrita Livre: seleccione uma frase do último parágrafo que escreveu e escreva um parágrafo sobre ela. Repita o processo algumas vezes (duas a quatro).
  • Formar Grupos: escolha palavras e ideias-chave. Escreva ideias e palavras associadas a estas de modo a formar um grupo. Está é uma boa maneira de formar novas ideias.
  • Seja Flexível: esteja disposto a deitar fora parte do que escreveu. Embora esta possa ser uma tarefa difícil para muitos escritores, por acharem que estiveram a desperdiçar tempo, acaba por lhes poupar tempo. E, além disso, não precisa de deitar fora, pode simplesmente guardar esse pedaço à parte e reutilizar mais tarde.
  • Siga uma Rotina: embora seja contraditório em relação ao primeiro conselho, para alguns escritores funciona muito bem ter um local e uma hora dedicados à escrita.
  • Movimento: dê uma volta à sala ou vá dar uma caminhada. Faça alongamentos. Movimento físico ajuda a aclarar as ideias e a explorar novos caminhos.
  • Faça uma Pausa: vá comer ou beber qualquer coisa. Falar com outra pessoa, sem ser relacionado com a escrita também pode ajudar. À falta disso, pare por cinco minutos e relaxe, vai ver que é mais fácil concentrar-se.
  • Concentrar-se: foque-se numa parte ou vertente diferente do que está a escrever. Isso ajuda a conseguir novas perspectivas sobre a história e continua a avançar no projecto.
  • Leia de Novo: imprima o rascunho e leia-o de novo. Aproveite a oportunidade para rabiscar ideias à margem.
  • Não se preocupe! Quando mais se preocupar, mas difícil é pensar com clareza.
Artigo adaptado a partir daqui.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Ebooks: Paixão

Outro conto que o ensemble Fantasy & Co nos oferece.


Autora: Liliana Novais
Sinopse: Tobi é um ser com magia, num mundo em que isso descriminado. Sentimentos adormecidos durante anos fazem com que desafie a ordem estabelecida.


Este conto revela as mesmas limitações que encontrei noutros da desta autora. Há demasiada informação no primeiro parágrafo. Toda a história nos é contada ao invés de ser mostrada. A parte do romance foi muito pouco desenvolvida. Esta história com mais cuidado por parte da autora teria potencial, assim parece-me mais como um trabalho em fase de desenvolvimento. 
Apesar disso, recomendo a quem desejar seguir o trabalho desta escritora.

Classificação: 2 estrelas