quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Livros: O Clube das Chaves na Crista da Onda

E é o último desta coleção por agora...


Autoras: Maria do Rosário Pedreira e Maria Teresa Maia Gonzalez
Sinopse: Pela décima vez desde a fundação, o Clube das Chaves volta a investigar sobre o paradeiro de um objecto que, desta feita, parece ter-se perdido no meio dos mares. Seguindo uma rota misteriosa, os quatro sócios adivinharão as maravilhas de um arquipélago que esconde lagoas e vulcões. Porém, é o presidente quem entra em erupção com as ameaças do fantasma...


Os mesmo defeitos que já apontei nos outros livros desta colecção existem também neste: demasiadas cenas que não fazem parte da trama e excessivo cunho de professor. O mistério era impossível de solucionar sem as informações que só nos são reveladas no fim do livro. Infelizmente, a autoras falharam em criar tensão o que tornou o livro muito pobre.  As personagens não são planas nem unidimensionais, e as descrições são competentes.

Classificação: 2 estrelas

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Livros: O Clube das Chaves dá Tempo ao Tempo

E voltei a pegar noutro dos livros da minha juventude para o ler com outros olhos.

Autoras: Maria do Rosário Pedreira e Maria Teresa Maia Gonzalez
Sinopse: Na sua segunda aventura, Pedro e os seus sócios terão de decifrar uma estranha mensagem em verso que os lança na busca de uma ave misteriosa - a única que poderá indicar-lhes o paradeiro de objecto que procuram.
Percorrendo a cidade de Lisboa, os quatro jovens irão envolver-se em inúmeras peripécias sem, porém, suspeitarem de que o fantasma da O.R.D.E.M., sempre alerta, vai continuando a assombrar o clube...


Tenho de admitir que a classificação deriva da leitura tardia. O mistério da chave era demasiado evidente e bastou uma leitura para descobrir de que se tratava. As autoras deixam transparecer em demasia a sua vocação de escritoras, incluindo bastantes episódios que não adiantam em nada a resolução da trama, servindo só com um fim educativo. Gostei das personagens, que não são tão simplistas como noutros livros do género. Não é o dos melhores da colecção, mas entretém um leitor mediano.
Recomendo a quem goste de livros infanto-juvenis!

Classificação: 2 estrelas

domingo, 3 de janeiro de 2016

Chá de Domingo #63: Projectos para 2016

Depois do balanço anual, é hora de traçar os objectivos para o próximo ano.


Começando pelos livros lidos, espero voltar a cumprir a meta dos 100 livros num ano. Tenho de parte duas trilogias do Dune, os dois últimos do Game of Thrones e a trilogia do século do Ken Follet. Para além disso, espero continuar a fazer críticas ao trabalho do Fantasy and Co.

Em relação ao blogue, espero continuar com o mesmo esquema de artigos, com uma forte componente de críticas e textos próprios, para além da rubrica Chá de Domingo. Espero que o número de visitas se mantenha elevado!

Espero conseguir escrever, pelo menos, seis contos no ano 2016. Tenho alguns na gaveta, que não contam. Não falta muito para terminar o universo Era Dourada e atar as pontas soltas. Gostaria também de publicar nalguma antologia impressa em papel.

Em termos de livros, espero levar dois livros a concurso: A Menina dos Doces e Teia de Memórias. Conto terminar O Jarro de Porcelana e começar outro livro. E claro, a participação nos Camp Nanowrimos e Nanowrimo não se põe sequer em causa. Os restantes (Nuvens de Hamburgo e O Canto do Rouxinol) precisam de mais tempo de maturação e ainda não sei quando os poderei mostrar ao mundo.
Este projecto ainda está muito por alto, os detalhes vou ter que afinar à medida que o ano for progredindo. E é hora de ir indo, que o chá já deve estar frio.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Livros: Ismael

Uma boa leitura para começar este ano.



Autor: Daniel Quinn

Sinopse: TEACHER SEEKS PUPIL.

Must have an earnest desire to
save the world. Apply in person.

It was just a three-line ad in the personals section, but it launched the adventure of a lifetime... 
So begins Ishmael, an utterly unique and captivating novel that has earned a large and passionate following among readers and critics alike—one of the most beloved and bestselling novels of spiritual adventure ever published.


Este livro desponta reacções antagónicas e muito fortes: ou se adora ou se odeia! Como livro que entretem, não é uma grande leitura, contudo, quando o levamos como uma alegoria, começamos a ver o seu valor. Não podemos levar tudo o que se diz nesta páginas como factual, até porque detectei um par de erros. Devemos lê-lo como manifesto. Concordemos ou não, parece-me importante reflectir sobre o tema, que acaba por estar ligado a outros livros de indole alternativa.
Recomendo a quem tiver a mente aberta.

Classificação: 4 estrelas

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O Guia - Parte 4

Podem encontrar a primeira parte do conto aqui, a segunda aqui e a terceira aqui.

“Mas aquele que as ouve, e não as observa, é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre a terra sem alicerces; na qual a torrente deu com ímpeto, e logo caiu; e foi grande a ruína daquela casa.”
Lucas 6, 49

Desceu pelo caminho, aproveitando o sol matinal. Parou antes da curva que dava acesso ao acampamento. Inspirou de um modo profundo. Eram vidas que estavam em jogo, não podia falhar. Ao aproximar-se das tendas, já os nativos tinham dado pela sua presença. 
- Povo da floresta, chegou a vossa hora - clamou, estendendo os braços. - Venham comigo e serão salvos.
Os adultos olharam-no e um dos homens deu um passo em frente.
- Nós não queremos a tua ajuda. Nós somos felizes e livres aqui - declarou.
Já recebera respostas iguais. Não havia dúvidas na voz. No entanto, não queria baixar os braços.
-Há um inimigo poderoso que pode atacar a qualquer momento. Eu já os vi assim como a destruição que são capazes de fazer…
O homem trocou um olhar com o outro adulto.
- Nós somos fortes. Nós podemos combatê-los.
Amir notou, pela primeira vez, agressividade na expressão. Deixara de ser bem-vindo ali. Vislumbrou as armas, lanças primitivas. Não teriam hipótese. A sua missão falhara. Esperava-o uma longa viagem com apenas os seus demónios pessoais como companhia.
Poderia insistir, mas as forças faltavam-lhe. A velhice e o cansaço tomaram conta dele. Deixou de conseguir estar direito, encurvando-se e tomando apoio no cajado. Saber o destino que os aguardava, não ajudava em nada. Virou as costas e recomeçou a subir a colina.
A meio da subida, uma corneta fez-se ouvir em todo o vale. O coração falhou-lhe uma batida. Este era o som dos seus pesadelos. Desceu de volta o mais rápido que conseguiu, perdendo o fôlego. Não havia tempo a perder, eles poderiam chegar ali a qualquer momento. Quando chegou às habitações, viu que estavam num estado de aflição. Talvez fosse disto que precisavam para serem convencidos.
-O inimigo vem aí! Precisamos de fugir - suplicou-lhes.
Ninguém sequer olhou para ele. Notou que estavam a arrumar as suas coisas. O som repetiu-se, ecoando nos montes. Não os conseguia ver. Talvez ainda estivessem longe, mas a corneta significava que já tinham sido avistados.
- Têm de fugir agora! Eles podem chegar a qualquer momento!
As palavras já não tinham qualquer efeito. Encostou-se à árvore mais próxima e deixou-se deslizar até ao chão. A humidade começou a turvar-lhe os olhos. O destino deles estava traçado. O resto das forças abandonou-o. Sabia que cada segundo que perdesse ali diminuía as suas possibilidades de sobrevivência.
Já escapara outras vezes, para mais tarde voltar e não encontrar um único sobrevivente. Os corpos mutilados acompanhavam-no para onde quer que fosse, em especial quando estava sozinho. Os seus erros perseguiam-no. Ergueu-se com dificuldade e embrenhou-se pelo monte, sem se preocupar com os arranhões que os arbustos lhe causavam. As pernas ameaçavam deixar de responder a qualquer momento e os pulmões ardiam com o esforço.
Fez uma pausa a meio da encosta, apercebendo-se de que os nativos ainda se encontravam na aldeia. Nesse momento, os cavaleiros entraram no acampamento. Os dois homens foram atingidos por flechas. Os guerreiros estavam cobertos por uma armadura completa, que não deixava sequer ver a face. As armas estavam longe de ser primitivas. A mulher que parecida com Shira foi trespassada por uma lança. Os gritos preenchiam o ar, só abafados pelos cascos dos cavalos. Não conseguiu olhar mais. Não tardaria que os cavaleiros iniciassem as buscas nos bosques mais próximos.


Amir afastou-se dos caminhos trilhados. Ao longe os sons iam-se desvanecendo. A subida transformou-se em descida. Os joelhos suplicavam-lhe que parasse. Um grito mais profundo trespassou o ar. Era uma das mulheres. Ao pensar nas crianças, um arrepio subiu-lhe pela espinha.
E nesse momento sentiu uma dor lancinante no peito. Parou. Tentou agarrar-se ao tronco mais próximo mas os dedos não lhe responderam a tempo. Caiu no chão. Tentou inspirar. O ar não entrava. A dor espalhava-se pelo braço esquerdo. A visão turvou-se. O seu último pensamento foi para Bea.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O Guia - Parte 3

Podem ler a primeira parte deste conto aqui e a segunda aqui.

"É semelhante a um homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala e pôs os alicerces sobre a rocha; e vindo uma enchente, deu a torrente com ímpeto naquela casa, e não a pôde abalar, porque tinha sido bem edificada."
Lucas 6, 48


- Filhos da floresta, ouçam o meu chamamento – gritou em plenos pulmões.
Já ninguém parecia interessado nele. Faziam as suas tarefas como se não estivesse ali. Nunca lhe havia acontecido que o ignorassem por completo.
- O momento esta a chegar em que eles virão pelos vosso filhos. Eu vi com os meus próprios olhos. Não haverá momento do dia ou da noite em que estejamos seguros. Eles vêm de qualquer direcção. Os seus números são imensos e as suas armas mortíferas.
Uma das mulheres escutava-o. Uma era quanto bastava. Uma pessoa e o grupo viria todo.
- Vi-os levarem filhos e mães. Matarem e comerem a carne. Carne humana. Levaram muitos mais para nunca mais os vermos. Eles são maus e violentos. Eles são a encarnação do mal. Sozinhos não os podeis parar. Vinde comigo e podereis viver na nossa cidade que é segura. As portas estão abertas para vós.
A mulher trocou um olhar com a que estava a seu lado.
- Povo da floresta, eu sou vosso amigo. Vi ter com vocês desarmado e com palavras de salvação. De vós, apenas quero que me sigam, não por mim, mas por vocês mesmos.
Não havia muito mais que podia dizer. Sentia que as dúvidas da mulher ainda eram demasiadas. Conhecia bem aquela expressão. Vira-a centenas de vezes. Teria de jogar a sua última cartada. Fitou as suas faces, compreendia as suas dores e problemas. Já os experimentara ele próprio. Esperava que eles compreendessem isso.
- A vossa existência é precária. A vossa comida não é certa, nem o vosso abrigo. Há animais que vos atacam. Há um frio do qual não conseguem escapar. As vossas crianças morrem antes de darem os primeiros passos. Ouçam filhos da floresta. Eu construí a cidade com as minha mãos e com as dos meus filhos. Criamos um lugar seguro onde não há fome. Queremos que vós partilheis desse paraíso. Queremos que se juntem a nós.
Parou. Já não havia mais nada para dizer. A face das mulheres traia uma reflexão profunda. Era bom sinal. Era hora de ir embora.
- Povo da floresta. Amanhã eu irei voltar. Os que quiserem, poderão seguir-me e eu vos levarei à segurança, à cidade onde nunca falta comida. Povo da floresta, ouçam, é uma amigo que vos fala.
Ainda última palavra ecoava nos montes, já Amir virara costas. Uma vez na encosta perdeu-se nos seus costumes. Adorava observá-los. A sua maneira pura e natural de viver a vida seria a melhor, não fosse o mundo estar a mudar.
As mulheres continuavam as suas tarefas. Pareciam conversar entre si. Talvez debatessem o que haviam ouvido. Esperava que sim. Os homens voltaram a meio da tarde. Haviam caçado algo grande. Noutras circunstâncias, Amir ficaria contente com o seu sucesso, contudo, neste caso não ajudava ao seu argumento. Pelo menos, haveria comida para todos.
Desviou o olhar para uma pequena planta que crescia ao lado. Tinha picos e era da mesma espécie que o arranhara no primeiro dia que vira o sol. Crescia apenas em solos férteis e as bagas escuras eram deliciosas e ricas. Lembrava-se desse dia como se tivesse acontecido ontem. Os sons, as cores, os cheiros, sabores e o tacto inundavam-no com sensações que julgara impossíveis. Dentro de si, crescia um desejo incontrolável. Era uma energia sem fim que se apoderava dele. Cada célula do seu ser exigia uma e só uma coisa. A culpa fora dele. Fora toda dele. Reconhecia que havia uma coisa boa na sua idade, há mais de dez anos que não procurava parceira. Duvidou que conseguisse resistir se encontrasse uma e ela o deixasse. Podia suportar muitas privações e desconfortos, mas essa dor estava para além do seu ser.


Voltou a focar-se na aldeia. A mulher que duvidara fazia-lhe lembra Bea. A sua doce Bea. Tinha os mesmos traços embora fosse mais madura. Era mais velha do que a sua irmã e amante, que morrera a dar à luz o segundo filho. Ambas as crianças, de olhar e corpo disforme tinham também perecido. Apertou um ramo da planta, deixando que os espetos se enterrassem na carne. Um fio de sangue percorreu o fundo do punho velho e calejado, começando a alimentar o solo. Havia dias que necessitava de dor física para acalmar o sentimento de culpa. O braço começou-lhe a tremer. Relaxou a mão e abriu-a. Tinha quatro buracos na palma. Afastou-se uns passos, procurando as folhas que podiam curar os ferimentos. Quando as encontrou, mascou-as e usou a pasta resultante para cobrir os cortes.
Apoiou-se na árvore e deixou-se deslizar até ao chão. Encoberto pelos arbustos, ninguém o poderia ver ali. O nó na garganta era grande e as lágrimas teimavam em não sair. Deixou que a noite caísse. Não quis sair dali, nem sequer para observar o acampamento. Não tinha vontade para se mover sequer, mas a dança de pensamentos não o deixou dormir. Quase que nem sentia a temperatura a descer. Bea. Era o seu dever protegê-la e acabou por ser ele o carrasco. À medida que os anos passavam essa noção perseguia-o cada vez com mais vigor. O cerco apertava-se a cada dia. Nesses momentos tinha receio que a sua mente falhasse primeiro que o seu corpo.
A madrugada encontrou-o com os músculos doridos e frios. Nada disso o incomodou. Tinha uma missão importante a cumprir. Era hora de ir buscar a tribo para a civilização.

Podem ler a última parte deste conto aqui.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Chá de Domingo #62: Balanço Anual de 2015

Senhores e Senhoras, interrompemos a nossa programação habitual para fazer o balanço de 2015!


Livros Lidos

Começamos pelos livros lidos! Este ano propus-me à redonda meta de 100 livros, a qual cumpri à risca. Podem consultar a lista completa aqui.

O meu top é o seguinte:
  1. The Evolution Man de Roy Lewis
  2. A Hat Full of Sky de Terry Pratchett
  3. The Amber Spyglass de Philip Pullman
  4. A trilogia dos Hunger Games (1, 2 e 3)
  5. The Cuckoo's Calling de Robert Galbraith
The Evolution Man foi, sem qualquer dúvida o melhor livro que li durante o ano. Genial e uma agradável surpresa. A Hat Full of Sky pode não ter sido o melhor livro que li do Terry Pratchett, mas é uma escolha em jeito de homenagem à grande obra e ao falecimento deste grande escritor (este ano foi terrível em termos de perder escritores que gostava). The Amber Spyglass dispensa apresentações assim como a trilogia dos Hunger Games. Uma excelente surpresa foi o livro de Robert Galbraith (pseudónimo usado por J. K. Rowling).


Artigos Mais Lidos no Blogue

Este ano ainda se falou muito no Caderno Vermelho, a prova disso é que a oferta do exemplar foi a publicação mais acedida. O Chá de Domingo teve duas publicações entre as mais vistas, o que me deixou muito satisfeito, por ter conseguido escrever alguns artigos interessantes para serem partilhados. Outra novidade foi um texto extremamente curto sobre o Nanowrimo ter chegado ao top. Por fim, a crítica ao The Amber Spyglass ficou em segundo lugar. Uma mudança crítica em relação ao ano anterior.

Contos Publicados


Este ano continuei a colaborar com o Fantasy and Co, onde publiquei a maioria dos meus contos.
  1. O Poeta no Fantasy and Co
  2. Os Cadáveres no Fantasy and Co
  3. Hoc Signo Vinces no Fantasy and Co
  4. Jardim do Éden no Fantasy and Co
  5. O Lago no Fantasy and Co
  6. O Guia no Fantasy and Co
  7. A Canção da Fornalha no Fantasy and Co
  8. O Mineiro no Fantasy and Co
  9. O Pinheiro de Natal no Jornal O Ponto
A produção literária e as publicações de contos aumentaram, como me tinha proposto, apesar de dois deles não terem sido escritos este ano.

Outros Projectos


Este ano foi marcado pelo lançamento do livros Vagos de Escrita, no qual há duas modestas páginas sobre a minha pessoa. No campo da Editorial Divergência organizei a antologia Nos Limites do Infinito em parceria com o Blogue FLAMES
Participei em dois Camp Nanowrimo, o de Abril e o de Julho, para além do Nanowrimo anual.  Só o de Abril não correu como gostaria. Terminei a primeira versão do Canto do Rouxinol, que já me perseguia há anos. Iniciei a escrita de um policial, de nome O Jarro de Porcelana.

O que é que espero para o novo ano? Ainda estou em reflexão e deverei fazer uma publicação nos próximos dias sobre o assunto.