sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O Pinheiro de Natal

Ouviu a voz pela primeira vez ao encinhar as bicas. Raul ergueu-se apoiado no encinho, olhando em volta. Estava certo que não havia ninguém por ali.
“Devo estar a imaginar coisas” concluiu, dobrando-se para juntar o resto das agulhas que jaziam debaixo do pinheiro manso no quintal da avó. A árvore fora plantada pelo avô há quase uma década e já tinha a altura de duas pessoas. O dia estava solarengo e nessa noite noite poderiam usá-las para apeirar o fogo no borralho. Com a forquilha, encheu o carro-de-mão.
— Espero que tenhas um bom Natal — ouviu.
O seu coração deu um salto. Conseguia visualizar o velho de bigode branco e cabelo desgrenhado. A voz corresponderia na perfeição, não fosse o avô ter morrido há mais de cinco anos. À pressa, arrumou as ferramentas junto com a palha que ficara abandonada e trancou a porta. Pegou no carrinho de mão e saiu dali o mais depressa que conseguiu.
Ao voltar para casa, assolado pelo vento frio, pensou na avó. Pela primeira vez ela iria passar o Natal longe da família devido a uma doença súbita. Talvez mais logo rezasse um terço pelas melhoras da anciã hospitalizada, que estava já perto dos oitenta anos.
Apesar de ter quase trinta anos, Raul ainda vivia em casa dos pais. Não era por querer, o ordenado que a fábrica lhe pagava não dava para arrendar nada. E estudar era só para os ricos.
Várias centenas de metros e alguns terrenos em baldio separavam as duas casas. A estrada de alcatrão velho já conhecera melhores dias. Quando caísse a noite, só metade dos postes daria luz. Raramente um veículo motorizado atravessava a rua. Aquela zona rural era o fim do mundo e, à medida que a população ia envelhecendo, ficava cada vez mais deserta.



Assim que chegou a casa, que só fora decorada com um discreto presépio, dedicou-se à tarefa de apeirar um bom fogo para a noite de Consoada.
— Não te preocupes com a avó, eu tomo conta dela.
A acha caiu-lhe das mãos, e Raul olhou em volta. Estava sozinho em casa, tinha a certeza. De onde raio teria vindo a voz?
Várias vezes tinha ouvido a avó dizer que o marido tomava conta dela mesmo depois de ter falecido. Nunca acreditara nela. Como poderia ser verdade? Só podia estar a ficar maluco! Ela ficara num estado de depressão assim que ele morrera de forma súbita. Contudo, a avó recuperara quase milagrosamente pouco depois, quando passara a achar que ele lhe falava. Ninguém se atrevia a contrariá-la.
Fechou os olhos e inspirou fundo. Fez uma cama de agulhas e sobre ela depositou uma pinha. Cobriu a construção com galhos, duas achas mais finas e um toro não rachado. Riscou um fósforo e colocou na base, deixando que o fogo apeirasse. As chamas cobriram a matéria volátil e propagaram-se rapidamente.
— Em breve estaremos os dois juntos.
Estremeceu, deixando-se ficar no mesmo sítio a observar o fogo. Imagens do casal inundaram-lhe a mente. Uma lágrima escorreu-lhe pela face.
A família chegou dos empregos pouco antes da hora normal, com os semblantes cansados. O pai nem mudou de roupa e a irmã enfiou-se num roupão, longe iam os tempos em que a Missa do Galo era insubstituível. Durante a Consoada, saborearam o bacalhau no forno que só comiam em épocas de festa, Raul nunca deixou de ouvir a voz do avô na sua mente. Eram só quatro naquela mesa nesse ano.
— Estás estranho — comentou a mãe.
— Não é nada, deve ser do cansaço — desculpou-se, de olhar fixo no prato.
À meia-noite trocaram os presentes simbólicos, quando já só restavam as brasas da fogueira. Foi nessa altura que ouviu a voz pela última vez.
— Agora estamos juntos. É o ciclo da vida. Sê feliz.
Ele interrompeu o que estava a fazer, o coração falhando-lhe uma batida. Ninguém se apercebeu.
Quando as últimas brasas perderam o seu brilho igneo, todos se foram deitar. Raul ficou na cama, durante muito tempo, a olhar fixamente para o tecto. Não conseguia deixar de pensar no que havia acontecido. Adormeceu somente de madrugada, cansado e confuso.
Acordou com o tocar do telefone. Ouviu uma troca indistinta de palavras entre o pai e a pessoa do outro lado da linha. Pouco depois, a figura paterna surgiu à entrada do quarto. Trazia abundantes lágrimas na face.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O Guia - Parte 2

Podem ler a primeira parte do conto aqui.

"Todo aquele que vem a mim e ouve as minhas palavras e as observa, eu vos mostrarei a quem é semelhante."
Lucas 6, 47

Ainda era noite cerrada quando Amir despertou. Doía-lhe o corpo, em especial as costas. Não era o modo mais confortável de dormir. Desceu com cuidado. Os ossos estalavam a cada movimento. Tinha uma ligeira dor de cabeça. Era uma boa hora para ir procurar alimento. O luar abundante ajudava-o na tarefa. 
Na clareira que encontrou à frente, consumiu as pétalas retraídas das flores de Verão. Algumas folhas eram comestíveis, mas o estômago pedia mais. A sua vista podia já não ser o que era, mas conseguiu distinguir uma árvore na orla. Os seus frutos arredondados eram raros mas nutritivos. Aprendera isto ao longo da vida. Aproximou-se, constatando que nem precisava de subir para os conseguir colher. Comeu quantos quis.
Todavia, o homem não fora feito para morar na floresta. O seu habitat era a cidade. Como fora antes do cataclismo. Ultimamente, já ninguém falava nele, parecia que o tinham esquecido. Haviam passado cento e dois anos e Amir não tinha esquecido. Às vezes encontrava restos das cidades antigas, cobertas de vegetação. Em algumas não sobrava muito, fruto da arma que a humanidade jamais deverá construir de novo. Havia, no computador planos para o fazer. Não os compreendera e, no fim, decidira apagá-los de vez. Acontecera no dia depois da morte de Vera.
Cada vez que a recordava, era como se lhe arrancassem um pedaço do coração. Ela dera-lhe oito filhos, dos quais cinco ainda se contavam entre os vivos, só para um vómito terrível a levar. O único consolo que tinha é que ficara com ela até ao fim. Nestes momentos, recordar a cidade ajudava-o a desviar a mente do pior. Não era tão grande como as de outrora. Talvez os antigos não lhe chamassem sequer cidade. As casas eram de pedra, com telhados sólidos e lá viviam quase trezentas pessoas. Todos os anos nasciam duas ou três dezenas de crianças. Os campos em redor eram férteis e a muralha já os protegera da ameaça três vezes. Um monte de pedras e um portão de madeira era tudo o que havia entre eles e a morte. Era o preço que haviam pago por se tornarem sedentários. Era o preço a pagar pela civilização.
O céu começou a clarear. Era a hora de voltar a falar com eles. Desceu a encosta, aproximando-se da aldeia como se lá morasse. Sentiu as palmas das mãos suarem. Sabia que não era a vida dele que estava em jogo mas isso não deixava relaxar. Chegou antes do nascer do sol, enquanto despertavam. As mães dormiam com os filhos em seu redor. As crianças estava magras, mas pareciam saudáveis. Nestas condições, só os mais fortes sobrevivem.



- Filhos da floresta, ouçam a minha mensagem – clamou, com todo o seu ser. - O momento está perto. Ouçam a minha mensagem e viverão. Ignorem-na e serão tragados pela terra, vós e os vosso filhos. Ouçam-me, o momento está perto. Partam comigo, deixem tudo para trás se quereis viver.
As faces fitavam-mo com surpresa, mas a excitação do dia anterior já não existia. Não era um bom sinal. Não percebia porquê é que resultara tantas vezes e depois ficara mais e mais difícil. Preocupava-o saber que o mundo estava a mudar de maneiras que não compreendia.
- Que é ele? - ouviu uma das mulher perguntar.
Até a ouvir, tivera dúvidas de que falassem a mesma língua. Não era comum, mas j+a lhe acontecera. Teria de insistir. Teria de os fazer ver.
- Se quereis que os vossos filhos e filhas vivam, terão de vir comigo. Que ficar irá morrer.
Os olhares ficaram desconfiados. Amir achou que era melhor deixá-los por agora. Voltou ao seu refugio devagar, parando sempre que encontrava algo comestível. Sentia-se cansado. Não podia ficar mais do que um dois dias. Se eles não viessem, teria de os abandonar ao seu destino certo e sangrento. Estremeceu ao pensar nisso. Apesar de tudo, ele não mereciam isso. Ninguém merecia isso. Não tinha palavras para descrever os horrores que havia presenciado.
Vagueou, até encontrar um curso de água onde matou a sede. Voltou ao seu posto e ficou a mirá-los. Havia um par de peles maiores a secar ao sol. Era impressionante terem conseguido matar um animal tão grande com as suas armas primitivas. Talvez o tivessem encontrado morto. Os dois homens, os prováveis pais daquela prole, saíram com as suas lanças pouco depois. Será que sabiam que havia cada vez menos animais? O cataclismo também os havia dizimado. Havia alguns que já não via há mais de dez anos. Sem sabe se já teriam morto o último. Por isso é que a agricultura era a única forma subsistência. Tudo o resto estava condenado ao fracasso.
Olhou-os com ternura no olhar. Lembravam-lhe os seus filhos. De certo modo, se o seguissem, seriam seus filhos. Iriam renascer para uma vida melhor.
O calor aumentava, de modo que procurou a sombra de uma árvore. Mesmo ali, as gotículas de água formavam-se na sua testa. Sentia-se indolente. Acabou por adormecer.
O sonho levou-o à cidade. As muralhas tinham desaparecido. Eles vinham aí. Ordenou que se trancassem nas suas casas. As portas e as paredes eram massivas. Estavam assustados. Tentou confortá-los, para descobrir que nem sequer o ouviam. As crianças choravam e os adultos abraçavam-nas. Então algo começou a embater contra a porta. O barulho era ensurdecedor. Não se conseguia mexer. Tentou dar ordens, descobrindo que ficara sem voz. Ninguém procurava a sua ajuda sequer, como haviam feito nos últimos vinte e tal anos. As pancadas aumentavam de intensidade. A madeira começou a rachar, como se de simples galhos se tratasse. A porta desabou num estrondo e eles entraram.
Acordou sobressaltado. Estava banhado em suor. Apercebeu-se que tremia. Na sua cabeça sabia que era um sonho, mas parecia-lhe tão real. Tanto pelo que sabia, podia estar a ocorrer neste exacto momento.
Fraco mas determinado, levantou-se. Estava na hora de dizer à tribo aquilo que vira. Se isso não os convencesse, não saberia o que o poderia fazer.

Podem continuar a ler este conto nesta ligação.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O Guia - Parte 1

“Por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?”
Lucas 6, 46

Quando o idoso chegou ao acampamento, todos se juntaram para o ouvir. Vinha descalço, coberto com uma manta grosseira. O cabelo era branco e longo, escasseando no topo. A barba tinha anos e formava emaranhados permanentes. O que eles não sabiam era que ele vagueara durante vários dias pelas florestas, só para encontrar este grupo.
Eram uns vinte, incluindo as crianças. Vestiam peles de animais e envergavam lanças primitivas. Assim que o avistaram, Amir sabia que tinha a sua atenção. Não recebiam muitas visitas. A sua excitação e nervosismo eram quase palpáveis. Era um bom sinal não se terem mostrado hostis.
— Povo da floresta – a sua voz trovejante assustou os mais novos que eram a maioria. — Ouçam o que vos digo! Estão a aproximar-se tempos de mudança e vós tereis de fazer uma escolha. — Parou para voltar a encher o peito de ar. – A escolha é simples: abandonar o vosso meio de vida primitivo e vir comigo para a civilização ou ficar e esperar que a decadência vos leve.
Como resposta, obteve apenas silêncio. Não iria ser fácil. Não era a primeira vez que interpelava os povos livres e, se tivesse forças, não seria a última. Virou costas e voltou para a floresta.
Ainda faltava um par de horas para o sol se pôr. Apesar de ter vivido numa cidade nos últimos anos, conseguia sobreviver melhor na floresta do que qualquer um dos membros desta tribo. À sua esquerda encontrou uma árvore com frutos comestíveis e foi dela que se alimentou. Olhou para as árvores, tentando escolher uma boa candidata para passar a noite. Não precisava de tenda enquanto houvesse um ramo que suportasse o seu peso. Também, na sua idade não precisava de um grande sono.
Os passos levaram-no à encosta da qual se podia ver o acampamento. Contou-os. Havia cinco adultos e catorze crianças. Teriam problemas genéticos se não se juntassem ao resto da civilização. Suspirou, deixando-se cair sobre a camada de folhas na sobra de um carvalho centenário. Ali não o podiam ver. Aliviado, deixou correr uma lágrima. E autorizou que outras a seguissem. As crianças faziam-lhe isso.
Obrigou-se a recompor-se depressa, não fosse o caso de algum dos nativos o ter seguido. Era interessante observar os seus costumes. Quase todos os grupos que encontrara eram caçadores recolectores. A ideia de agricultura ainda não tinha chegado a estes lados. Se não fosse o legado dos pais, não teria chegado à cidade. Não haveria cidade de todo.
Estão a empilhar lenha. É um bom sinal, devem conhecer o fogo, mas não o arco. Será um choque se se mudarem para a civilização, contudo o preço de ficarem é caro demais. Um dos mais velhos, usou um mecanismo que raspa madeira em madeira. Teria de ser paciente, constatou Amir. Apreciou uma das mulheres. Pele clara e cabelos negros longos e entrançados. Baixa, mas forte. Lembrou-lhe uma das suas esposas. Sentiu que lhe faltava um pedaço no peito. Fora a sua terceira mulher e perecera com uma febre. As doenças dizimavam-nos. Uma mãe que tivesse dez filhos iria morrer depois de enterrar pelo menos metade. Não havia explicação.
— Shira — murmurou, relembrando-se do nome.
O aperto no peito aumentou. Às vezes preferia não se lembrar. Desejava esquecer-se de quem era e deslizar para o nada sem dor nem arrependimento. Contudo, não o podia fazer. A Humanidade dependia dele, mais do que gostaria.
Finalmente o fogo ateou-se e as chamas ergueram-se. A caçada não havia sido numerosa. Três peças do tamanho de ratos era tudo o que iriam comer. Talvez tivessem encontrado alguma fruta, esperou. Ao início, aceitara muitas vezes a hospitalidade das tribos, até perceber que eles lhe estavam a dar aquilo que não podiam dar. A comida escasseava. A agricultura era uma questão de vida ou morte. Encenou mentalmente as palavras que lhes iria dizer amanhã. Já o fizera tantas vezes que perdera a conta, mas era sempre o mesmo desafio. Não os podia deixar ver o velho frágil que se escondia por detrás daquela voz poderosa.
Toda a tribo se reuniu em volta da fogueira. Trouxeram algumas folhas e uns frutos escuros. Um pouco melhor, mas não seria suficiente. O Inverno deve ser complicado. Estão a partilhar, uma qualidade importante.
Quis levantar-se, no entanto as pernas já não aguentavam como haviam aguentado antes. Ao mexer-se, sentiu os joelhos a estalar. Setenta e três anos era a sua conta. Vivera mais do que qualquer pessoa que conhecesse. Ainda se sentia com força para viver mais dez anos. Todavia, já vira jovens e vigorosos serem levados numa questão de horas. Malditas febres inexplicáveis. As pernas estavam dormentes e quando se tentou pôr de pé, sentiu fortes tonturas. Se calhar não comera o suficiente durante o dia. No entanto, o estômago parecia não aceitar mais nada. O sol punha-se, era altura de subir à árvore e encaixar-se o melhor que podia entre os ramos. Bastava uns metros acima do solo para a temperatura ser mais amena.
O esplendor avermelhado do pôr-do-sol foi um festim para a sua visão. A tribo ignorou-o por completo. Acontecia-lhes todos os dias. Amir não perdia um único, mesmo na cidade. Magicava se não era isso que o mantinha vivo. Depois de se encaixar entre os três ramos que o iriam suportar durante a noite, o último pensamento do dia foi aquela tribo de selvagens. Os tempos estavam a mudar e quem não mudasse com eles, iria perecer.



Podem continuar a ler este conto nesta ligação.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Chá de Domingo #61: Lançamento do Livro Vagos d'Escrita

Hoje foi o lançamento do livro "Vagos d'Escrita", organizado por Basílio de Oliveira. O evento iniciou-se pelas 15 horas e foi publicitado pela Câmara Municipal de Vagos, realizando-se no Centro de Educação e Recreio de Vagos (CER).


Tomei o primeiro contacto com este projecto quando ele ainda estava nas mãos de ex-alunos da minha escola secundária. Tive, também, oportunidade de conversar várias vezes com o sr. Basílio um ano antes do lançamento, ajudando-o até a encontrar mais um autor.

A apresentação do livro contou com a presença de Basílio de Oliveira, que reuniu escritores do concelho de Vagos durante cerca da dez anos, Silvério Regalado, o presidente da Câmara Municipal de Vagos, Paulo Rei, editor e grafista do livro, Óscar Gaspar, que apresentou a livro, e Mário Oliveira, o presidente do CER.

O livro homenageia os escritores de Vagos, incluindo cerca de 120 entradas, entre vivos e já falecidos.
Ao ler o livro irão encontrar escritores de todas as classes sociais, desde agricultores, professores, alunos, arquitectos, doutores, autarcas, jornalistas, instituições culturais e sociais, padres e bispos.
Há quem tenha escritor sobre Vagos; há quem tenha escrito para agradecer aos de Vagos; há quem tenha escrito de longe para não esquecer Vagos. Temos, neste roteiro bibliográfico quem tenha escrito de Vagos, por Vagos, para Vagos.
Infelizmente, nem todos os escritores (ou as sua famílias no caso dos que já não estão entre nós) estiveram presentes, caso contrário o anfiteatro do CER não chegaria. O evento contou com várias dezenas de espectadores. O livro incluí alguns dos mais jovens escritores, muitos dos quais só agora se iniciaram nas lides da escrita. Para fazer parte, só era necessário ter publicado um livro, qualquer que fosse o tema. Os consagrados como, por exemplo, João Grave, também não foram esquecidos. Tive a honra de ver o meu nome incluído nesta obra:


Creio que esta é uma iniciativa muito positiva, que dá a conhecer muitos dos escritores que, de outro modo, arriscar-se-iam a ser esquecidos e um exemplo que outros concelhos deveriam seguir. Apesar de tudo, este livro é um trabalho que nunca estará acabado, pois irão surgir sempre mais escritores nesta vila com forte influência marítima.

Podem ler a notícia aqui.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Ebooks: A Benção da Floresta

Um conto para terminar o ano em beleza!



Autora: Carina Portugal
Sinopse: Na negrura da noite, sob o frio glacial do Inverno, e entre criaturas que só desejam devorar os incautos, uma mão estendida é a última coisa que esperamos encontrar, mas a que mais desejamos. E talvez essa mão só queira o carinho de um toque quente.


Esta história é um conto de fadas. Não se sabe muito das personagens, nem como vieram parar onde estão, mas tal também não é fundamental neste tipo de narrativa. A sensação de frio do ambiente inóspito passa bem para o leitor. A estrutura é um pouco repetitiva e essa é a maior falha do conto. Poderia ter sido mais explorado, em especial ao nível da relação entre as personagens. A escrita da autora é muito boa.
Recomendo quem já conheça a obra desta escritora.

Classificação: 3 estrelas

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Ebooks: Triste e Leda Madrugada

Este é um daqueles contos que deixa uma forte impressão mesmo sem sabermos bem porque.



Autora: Carina Portugal
Sinopse: A Madrugada é a fronteira entre a Noite e o Dia, o instante em que ambos se tocam, antes de a Noite se esconder. O que acontecerá durante essa fracção de tempo?


Este conto deixou-me muito tempo a pensar nele. Nada de concreto é dito e ao mesmo tempo tanto é transmitido. Apesar de não parecer ter uma trama, ele parece ser parte de uma história que não tem tempo. É um caso em que podemos ler pelo único prazer de ler, sem nos preocuparmos com a estrutura, somente com a musicalidade da prosa.
Recomendo!

Classificação: 3 estrelas


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Ebooks: Filho de Peixe Sabe Nadar

Elfos, magos e humanos, num conto que foge aos temas habitualmente explorados por este autor.


Autor: Carlos Silva
Sinopse: Os elfos são os reis das mentiras, considerando todos os outros meros peões nos seus jogos. Porém, mais que ninguém, deviam saber que nem tudo o que parece é.


A maior falha deste conto é a falta de ligação com as personagens. Como é contado na terceira pessoa e vai alternando as perspectivas, não há nenhum momento em que sentimos empatia com nenhuma delas. Não há grandes descrições e também não me parecem ser necessárias. O título não dá grandes pistas sobre a trama, que começa lenta e demoramos um pouco a situarão-nos. O final salva o conto, com a reviravolta que não é previsível mas é convincente.
Recomendo a quem já conhece o trabalho deste autor.

Classificação: 3 estrelas