segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Ebooks: A Dança Sagrada

Um conto onde a vida e a morte andam de mãos dadas.


Autora: Sara Farinha
Sinopse: Quando sete pessoas se cruzam num cemitério é certo que todas trazem bagagem emocional. Sete vislumbres de destinos que se cruzam, mas não se tocam. Sete almas que deambulam, e não se encontram. Pelas ruas movimentadas do Père-Lachaise, muitos são os que se intersectam. Poucos os que compreendem porquê, num ciclo fechado de vida e morte.



Este conto é um mosaico de várias histórias em que a fantasia e a realidade se misturam. Como cenário há um cemitério, que liga todas as personagens. Não se pode dizer que há uma trama, mas antes momentos registados, quase ao estilo de fotografia, que se unem num tema comum. Sobre as personagens não nos é desvendado muito, sendo apenas mostrado o suficiente para que se preencham as maiores lacunas. Deste modo, o próprio cemitério do Père-Lachaise, que personifica a morte, acaba por ser a personagem principal. A linguagem é acessível e o conto foi escrito de forma competente.
Recomendo a quem queria conhecer esta autora!

Classificação: 3 estrelas

domingo, 11 de outubro de 2015

Cha de Domingo #55: Retrospectiva - Parte 2

Como nesta edição do Chá de Domingo não consegui terminar a retorspectiva, decidi continua-la esta semana. Aqui ficam os segundos 25 artigos com respectivo comentário!


Foi uma altura em que estava em alta, tinham sido publicadas duas entrevistas minhas e fui alvo de uma semana especial num blogue! Foi também por esta altura que atingi os 400 gostos no facebook. Agora ando pelos 500 :) .

Um assunto que continua tão polémico como era na altura. Desconfio que nunca vai mudar!

Continuo a preferir o silêncio, se bem que às vezes preciso de me isolar dos sons que me rodeiam.

Eu mantenho a mesma organização, embora não viva no mesmo sítio. Acrescentei uma estante extra na nova casa que contem os livros que ainda não li.

Mantenho a mesma escolha. Tenho escrito um tanto mais à mão e sem banda sonora.

Um artigo interessante e acessível sobre o afeito de lente do wormhole no filme Interstellar.

Outro artigo, desta vez sobre a renderização do buraco negro presente no filme.

Último artigo desta série, que se foca nos detalhes científicos que achei serem explorados de um modo menos cuidado.

Alguns escritores são levados às costas da comunicação social e outros não...

Um artigo que continua a ser relevante para todos os que gostariam de ser escritores.

O aquecimento para o Camp Nanowrimo de Abril 2015, que não correu tão bem como esperava.

Mais um artigo interessante, desta vez sobre a primeira parte da Jornada do Herói, sob o ponto de vista de vários autores. Por alguma razão repeti o número 36. Para manter a contagem correcta, irei saltar o Chá de Domingo #63.

Neste abordei a segunda parte da Jornada do Herói.

As minhas técnicas para evitar ser distraído durante a escrita. Ainda uso as mesmas!

39 - Luís Miguel Rocha
Fico um bocado triste de recordar este artigo. Quem se lembra deste escritor?

A terceira parte do artigo, sobre a terceira parte da Jornada do Herói.

Uma forma alternativa à Jornada do Herói para estruturarmos histórias.

Uma boa maneira, em combinação com o artigo anterior, de organizar histórias. Prefiro este método à Jornada do Herói.

O truque mais valioso para todos os que se estão a iniciar no mundo da escrita.

Depois do Camp Nanowrimo anterior, confesso que estava nervoso se iria conseguir cumprir os meus objectivos.

Consegui atingir o meu objectivo e terminar uma obra que me perseguia há quase 3 anos!

Um bocadinho de auto-promoção, escrito por volta da altura em que atingi os 500 gostos na página de facebook, estava a escrever o artigo #50 neste blogue e contabilizava 50000 visitas no blogue.

Um artigo que coloca as perguntas essenciais que temos que responder quando criamos uma personagem fictícia.

Uma lista muito útil para quem deseja criar personagens com traços realistas.

Continua a ser o meu guia mais valioso quando se trata de rever, seja os meus ou os escritos de outra pessoa.

E para vocês, qual foi o artigo que causou mais impacto ou deu informação mais relevante?

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Ebooks: A Raposa e o Corvo




Autora: Liliana Novais
Sinopse: Um longo Inverno. Uma raposa faminta com uma família para criar. Um corvo com um segredo. Até onde irá uma mãe para não ver as suas crias famintas?


Escrito em género de fábula, este conto repete um pouco clichés: raposa matreiras e corvo vaidoso. Ao ler, veio-me à ideia o livro de Aquilino Ribeiro. As personagens podiam ser mais bem aproveitadas, pois parecem muito unidimensionais e simplistas. A trama é relativamente simples e um tanto previsível. Podia ter sido mais elaborada, como por exemplo com outros desenvolvimentos. Não há grande descrição dos cenários, o que era de esperar numa fábula. A escrita não é difícil de ler e está ao alcance de todos.
Recomendo, em especial, aos mais novos!

Classificação: 3 estrelas

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Livros: Ups! Engoli uma Estrela - Despertar

Este era um daqueles livros que já andava a passear pelas minhas prateleiras há algum tempo!


Autora: Adoa Coelho
Sinopse: Uma jovem descobre um dos segredos maiores da humanidade: não estamos sozinhos! Mas... Será que tudo não passa de um sonho? De um conto infantil? Pode aquele ser, invisível e sábio, realmente existir?
Desde o primeiro amor, ao bullying, aos medos e às inseguranças de crescer e ser, vamos percebendo que somos feitos de luz e sombra e que estes reptos podem ser ultrapassados. As aventuras de uma adolescente dão o mote para a descoberta do ser. Começando por uma abordagem terrena no primeiro dos livros, logo se vai elevando, tanto nos caminhos fantásticos da imaginação, como nos conceitos de auto-ajuda leccionados pelos grandes mestres da actualidade.


Este livro é uma junção entre um conto infanto-juvenil e um livro de auto-ajuda, como nos adverte na contra-capa. Devo confessar que sou um tanto céptico no que se refere aos livros de auto-ajuda, no entanto, já que valorizo mais aquilo que foi subentendido do que aquilo que foi dito preto no branco, decidi ignorar essa vertente durante a leitura. Descobri que a leitura pode ser extremamente agradável se a apreciarmos como uma fábula. A história pode ser um tanto linear, o que acaba por não ser um defeito, visto o público alvo a que se destina. Simpatizamos muito facilmente com a personagem principal. A história passa-se em Gaia, mas podia passar-se noutro local qualquer visto que não há nada de único nos espaços usados pela história. Adorei as imagens interiores, as quais complementam muito bem a história. Fiquei um pouco desapontado com a edição em si, pois contem erros ortográficos. Em suma, uma leitura muito agradável.
Um livro que recomendo tanto aos mais novos como aos mais velhos, pois todos tem um bocadinho a aprender com ele.

Classificação: 4 estrelas

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Ebooks: Receitas Fantásticas

Uma antologia que prima pelo humor.


Autores: Mogu-Mogu Chan, Carina Portugal, Ana Filipa Ferreira, Sara Farinha, Carlos Silva
Sinopse: Cinco receitas fantásticas, uma das quais pela mão da autora convidada Mogu-Mogu chan, do blog “Mogu-Mogu”. Uma das receitas é algo que podem e devem experimentar, as outras… bem… não aconselho. Mas, ei, se conseguirem arranjar túbaros de troll ou escamas de dragão, força!
Pão do Caminho - Mogu-Mogu Chan
Biscoitos da vida eterna - Carina Portugal
Estufado de miolos - Ana Ferreira
Túbaros de troll - Sara Farinha
Receita: bolo de chocolate - Carlos Silva


Pão do Caminho - Mogu-Mogu Chan
É a única receita que na verdade é mesmo uma receita. Como tal não entendo que é classificável.

Biscoitos da Vida Eterna - Carina Portugal
Adorei este conto. Segue os mesmo passos de uma receita normal, com grande sentido de humor. Uma boa ideia e uma excelente execução.
4 estrelas

Estufado de Miolos - Ana Ferreira
Uma receita mais curta. Gostei da ideia e da execução.
3 estrelas

Túbaros de Troll - Sara Farinha
A abordagem é semelhante aos anteriores, contendo um certo humor sublimar.
3 estrelas

Receita: Bolo de Chocolate - Carlos Silva
Esta receita combina o melhor do humor e da sátira a certos comportamentos actuais, como o autor nos tem vindo a habituar.
4 estrelas

Classificação: 3 estrelas

domingo, 4 de outubro de 2015

Chá de Domingo #54: Mais Pseudo-Editoras

Aqui ficam mais uma ronda sobre as pseudo-editoras!


Há alguns dias recebi o seguinte email:

Vimos através deste meio dar-lhe o nosso parecer editorial em relação à sua obra.  Após análise da mesma, optámos pela publicação do seu livro.

(...)

Editar um livro connosco será cumprir um sonho, e tornar-se imortal no sentido em que basta que daqui a um século uma só pessoa leia o seu livro para o fazer vivo. No caso de a proposta não lhe interessar, por favor, exponha-nos o que gostou e o que não gostou na mesma e proponha-nos quais as condições em que editaria connosco ( dentro, como é óbvio, do razoável). Se concorreu é porque quer ver o seu livro editado e tudo na vida pode ser negociável. Tudo faremos para que cumpra o seu sonho. Este é um resumo da proposta. Mais informações acerca de distribuição, direitos de autor, marketing, lançamento do livro e outras questões frequentes deverão ser consultadas no Guia editorial que enviamos em anexo a este email.

(...)

O preço de venda ao público do seu livro em formato papel será de 16€.
O preço de venda ao público do seu livro em formato ebook será de 5,99€.


O QUE OFERECEMOS:
  • Fazemos a edição do seu livro em formato papel e electrónico.
  • [editora] terá a seu cargo a edição do livro (que inclui o design, a produção gráfica, o registo do ISBN, o depósito legal, promoção e a distribuição).
  • A editora paga todos os gastos de impressão e design.
  • Venda do seu livro para todo o mundo através do facebook e da nossa loja online.
  • Venda (Somente por encomenda) nas Livrarias Bertrand, Porto editora e Almedina.
  • Possibilidade (ainda não confirmada) de venda do seu livro nas Feiras do livro do Porto e de Lisboa.
  • Como direitos de autor a editora pagará ao autor em livros. Por cada 200 exemplares vendidos oferecemos 40.

O QUE PEDIMOS AOS AUTORES:

A nossa editora pretende através desta iniciativa dar oportunidade a novos autores, de uma forma original e com um livro feito de raiz e personalizado. A nossa proposta é bastante exequível. Nas poucas editoras que dão oportunidade a novos autores é bastante dispendioso. Geralmente cobram mais de 1000€. Gostávamos de publicar todos os autores totalmente gratuitamente, mas tal não é possível, pois não temos fundos nem somos subsidiados, trabalhamos e temos despesas como todos. Infelizmente, hoje em dia, o mundo rege-se pela lei da oferta e da procura. E são muito poucos os que compram livros. Raros são os livros que são fenómenos de vendas. O autor apenas terá de ficar responsável pela compra de um pack da sua própria obra. Os mesmos poderão ser revendidos e assim não terá nenhuma despesa. O pagamento deverá ser efetuado até ao dia 28 de Agosto de 2015.

Estes são os packs disponíveis através do Facebook (deverá optar por um dos mesmos):
  • PACK 10 LIVROS: 210€ ( 16€ x 10 exemplares + 30€ de ajudas de custo gerais + 20€ portes dos ctt)
  • PACK 20 LIVROS: 320€ ( 15€ x 20 exemplares + 20€ portes dos ctt) POUPE 50€
  • PACK 30 LIVROS: 430€ ( 14€ x 30 exemplares + 10€ portes dos ctt) POUPE 100€
  • PACK 50 LIVROS: 650€ ( 13€ x 50 exemplares)  POUPE 200€
  • PACK 100 LIVROS: 1200€ ( 12€ x 100 exemplares) POUPE 450€
A editora enviará os seus exemplares no prazo máximo de um mês e meio após efetuado o pagamento. A partir desse momento o livro estará à venda. O autor e qualquer leitor podem encomendar desde 1 exemplar (não existe um número mínimo para cada compra/encomenda). Pedimos-lhe que nos responda a esta proposta de edição até ao dia 27 de Agosto de 2015.

Antes de nos submeter qualquer questão pedimos que analise bem todas as perguntas e respostas neste email e no Guia editorial que enviamos em anexo ao mesmo. Sabemos por experiência de anos que grande parte das dúvidas que tiver encontra-se já respondida nos mesmos. Após consulta aos mesmos, se não encontrar resposta às suas questões então disponha. Estamos aqui para o elucidar.

Qualquer dúvida não hesite em contactar-nos.

Decidi responder:

Agradeço imenso terem considerado e escolhido a minha obra. Para mais, felicito terem tomado esta iniciativa. Contudo, creio que o preço de venda é muito alto (tendo em conta que o livro é bastante pequeno) o qual iria afastar os meus leitores.

Para uma edição de 100 exemplares, o preço alvo deveria rondar os 8 euros. Tendo em conta que o ISBN custa 12,3 euros, o depósito legal é feito pela gráfica e a impressão (com boa qualidade) custa cerca de 210 euros já com o transporte até à vossa sede. O envio de um livro destes custaria cerca de 50 cêntimos ou menos (envelope e envio). A vossa margem de manobra seria os 73%. Retirando o IVA, e o custo das livrarias, a vossa margem andaria pelos 37% com este preço, ou seja, perto de 300 euros.

Neste caso, como a revisão e a capa ficam quase da minha inteira responsabilidade, considero ser muito desvantajoso comprar um pack de 10 livros quando posso imprimir 100 pelo mesmo preço.

Ao que recebi a seguinte resposta:

Em primeiro lugar agradecemos a sua resposta.
Em relação aos items que aborda:
  • O preço é idêntico à maioria dos livros no mercado com tamanho equivalente.
  • O ISBN custa 50€
  • O depósito legal é pago por nós, pois é esse o acordo que temos com a gráfica.
  • A edição são 200 exemplares, não 100.
  • A capa e design não são responsabilidade do autor, mas sim da editora.
  • A editora faz também uma pequena reviasão, mas o autor também tem de a fazer.
  • Onde foi buscar esse preços de gráfica? Não correspondem à realidade. Pelo menos a que conhecemos.
  • Em relação ao envio pelos correios depende se é a cobrança ou não: se o for, e temos que prever isso são quase 4€ por livro  E ao que fala acrescem 40%, em média, de comissão para as livrarias, IRS, Agua, Luz, aluguer de escritório, telefone, Internet, Salários de funcionários, e muitas outras despesas:)
Em relação a imprimir 100 exemplares pelo preço de 10: dúvido. Só um designer irá cobrar-lhe no minimo 150€ (estamos a falar de profissionais, não de amigos ou trabalho amador)+ 50€ (Isbns) + 500€ (grafica minimo, edição de 200 exemplares como o fazemos) + impostos que terá de pagar se trabalhar legalmente + percentagem das livrarias sempre que o colocar à venda nas mesmas + 4€ por cada livro enviado à cobrança, etc, etc...

Um abraço e desejos de boa sorte para si e para o seu livro.
Houve vários itens nesta resposta que não me deixaram satisfeito, de modo que decidi responder.
Agradeço imenso à sua resposta.

O ISBN custa 12,3 euros se a vossa editora estiver registada como editora (na compra de 10 ISBNs - que será a melhor compra pelo vosso volume de publicações), só custa 49,8 se não estiverem registados no sistema e não puderem apresentar o comprovativo em como são uma editora com o CAE (rev.3) 58110. Caso queiram comprar apenas um de cada vez, custaria 18,45.

Podem optar pela gráfica XXX, a qual faz trabalhos com muita qualidade e tem preços excelentes: por exemplo, a impressão de 200 exemplares com esta características ficaria por 375 euros, transporte até à vossa sede incluído. E o depósito legal é também assegurado por eles.

Os preços de envio é por correio editorial. O envio à cobrança deve ser cobrado ao leitor caso opte por essa alternativa (que é o que vocês fazem na prática), portanto não e correcto fazer entrar esse valor nas nossa contas. Este preço é mutuamente exclusivo ao das livrarias, que é sempre 30-40%, independentemente do preço do livro. Neste caso praticante podemos negligenciar o valor, pois o o autor venderá a maior parte dos exemplares e não acredito que haja muitas encomendas.

Se a capa for feita de raiz, esse valor está correcto, no entanto se for dada a imagem que será usada e todo o material o preço desce para 80-90 euros.

Os impostos são pagos em relação aos lucros, neste caso é o IVA (por cada venda) e o IRC (25% do vosso lucro).

Assim sendo, e usando os vossos valores para o restante: essa edição custaria 478 euros, mais os vossos 40% dá 700 euros mais IVA de 6% no caso de venderem na vossa loja online. Continuando a ser viável a criação do livro ao preço de 8 euros por unidade, visto que há uma margem de 800 euros (ou seja metade, é certo que tem de pagar daqui o IRC, mas mesmo assim é um bom valor para começar!).

A minha insistência prende-se com o facto de eu saber que consigo vender cerca de 200 livros a oito euros cada, mas a 16 não irei conseguir passar dos 30-40.

Peço desculpa pelo longo email. Mesmo que não aceitem editar o meu livro nestas circunstancias, talvez pudessem repensar na maneira como gerem os vossos gastos, de modo a diminuir o preço dos livros e tornarem-nos acessíveis a mais pessoas.
Ao que, por fim, recebi a resposta:
Agradeço imenso o seu email, aprendemos com sugestões e criticas.

No entanto o Pedro está a pensar na perspectiva de edição de autor e de quem não tem de ganhar a vida com esta actividade.

Só para ter a editora aberta: entre aluguer de escritório, Salários, Segurança Social, IVA, Gasolina, Correios etc são muitos milhares de euros por mês.

Talvez estejamos no pais errado, mas garanto-lhe que pelos preços que fala ser-nos-ia impossível ter a editora aberta.

Em relação ao ISBN por exemplo: ao autor são 50€ a nos são 0€ por livro porque pagamos uma avença anual de alguns milhares de euros à APEL dos quais somos associados.
Tenho a dizer que o discurso desta editora ficou marcado por várias incongruências. Começando pelo final, para uma editora pagar alguns milhares de euros por ano, significa que tem um volume de negócios de alguns milhões de euros. Podem confirmar no site da APEL: http://apel.pt/pageview.aspx?pageid=22&langid=1 Ou seja, cerca de 1% do valor de facturação.

Mesmo adicionando os 40% que eles dizem necessitar para custos correntes, era possível realizar a edição pelo preço que quotei. A editora tentou-se sempre esconder atrás de custos que não conseguia quantificar nem descriminar para não descer o preço do livro. Os valores praticados só fariam lógica para uma editora que distribuísse em grande escala, contudo, para uma editora que obtém a maior parte das receitas pela venda directa ao autor, os preços são apenas um aproveitamento descarado. Apesar do disfarce, é uma editora leviana, que não publica por mérito ou qualidade, apenas para sacar dinheiro aos autores.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O Jardim do Éden - Parte 2

Podem ler a primeira parte do conto aqui.

E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à vista e boas para comida,
bem como a árvore da vida no meio do jardim,
e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Génesis 2, 9



Olhou para o irmão.
― O que fizeste?
Ele olhou-a com um ar amedrontado.
― Nada, juro, nada! Estava aqui e a contagem começou.
― O que é que isto significa? ― insistiu, levantando a voz.
― Não faço ideia. Sei tanto como tu!
O olhar percorreu os monitores: todos tinham a mesma contagem decrescente excepto um. Tinha lá qualquer coisa escrita. Os dois irmãos aproximaram-se. A missiva estava assinada pelo pai e dizia-lhes que em breve a sua vida iria mudar. Tinha chegado o momento de lhes mostrar o passado e dava-lhes a palavra passe para desbloquear o computador central. Amir foi mais rápido que ela, apropriando-se da cadeira e introduzindo a palavra passe no terminal. As credenciais foram aceites, passando a ter privilégios de administrador. O barulho calou-se de imediato.
Bea deu uma volta à sala, tentando conciliar os factos na sua cabeça. Sobretudo não gostava do tom misterioso do pai. O nervosismo miúdo habitual ameaçava tomar conta dela.
― Olha o que eu encontrei! Há aqui milhares de ficheiros que estavam escondidos... ― anunciou Amir, bastante excitado.
Bea olhou para o monitor, onde uma parte da lista interminável preenchia todo o espaço. Os títulos eram um tanto crípticos. Havia um ficheiro para cada um dos que havia habitado ali. Eram perto de uma centena. Excepto eles os dois, todos tinham morrido e sido deitados no incinerador. Muitos também haviam nascido ali, mas os mais antigos não. Descobriram que Amir tinha dezasseis anos e Bea doze. Tudo aquilo era muito estranho.
A revelação apareceu-lhes como um choque. Há sessenta e cinco anos atrás, o mundo tinha sucumbido a uma guerra apocalíptica, que o tinha deixado devastado e incapaz de sustentar vida humana. Tinha havido uma noite total durante anos. Eles eram os bisnetos dos que se haviam refugiado no abrigo quando o cataclismo acontecera. As últimas linhas informavam que as portas estavam programadas para se abrirem quando os níveis de gases tóxicos e radioactividade fossem aceitáveis, ou seja, passado sessenta e cinco anos.
Os irmãos olharam-se, tentando captar as implicações. Quando aquela contagem decrescente chegasse ao fim, poderiam sair dali. Só tinham visto algumas imagens e filmes do mundo exterior. Sabiam que era imenso e pouco mais. Bea não conseguia decidir se estava excitada ou amedrontada com as possibilidades.
Ainda tinham algum tempo antes de as portas se abrirem. O resto dos ficheiros ensinava a caçar, fazer abrigos e outras coisas que não compreendiam para que serviam. Leram-nos a correr, saltando a maioria.
Os últimos cinco minutos passaram-nos em frente à porta blindada, como se pudessem fazer com que se abrisse mais depressa. Bea olhou para o irmão. Parecia determinado. Teve a certeza que ele não sentia os mesmos receios. Num impulso deu-lhe a mão, mexendo freneticamente os dedos dos pés.
As sirenes recomeçaram a apitar, estridentes, e as luzes vermelhas a piscar furiosas. Os segundos esgotavam-se. A contagem chegou a zero. As luzes e as sirenes desligaram-se. Não aconteceu mais nada. Olharam um para o outro. Amir tomou a iniciativa e puxou a alavanca da porta. À abertura da primeira frincha entrou uma porção de ar. As duas imensas lajes metálicas deslizaram com lentidão. Bea sentiu frio. Do fundo vinha uma luz azul e tudo o resto estava mergulhado na escuridão. Assim que a abertura era larga o suficiente, saíram os dois.
À direita e à esquerda algo se mexeu. Havia algumas plantas que trepavam pelas paredes. Bea demorou algum tempo a encontrar a palavra que definia o espaço: Hangar Subterrâneo. A luz exterior cegava-a. Não se comparava a nenhum dos filmes que tinha visto. As cores eram muito mais vivas. De mãos dadas, correram para o exterior.
Sob o céu azul, viram-se rodeados de vegetação. Mal podiam andar. Ouviu-se o canto de uma ave. Algo rastejou um pouco mais à frente. Havia tantas árvores e arbustos diferentes que não sabia os nomes de quase nenhuns. Havia também ervas e flores. Tudo entrelaçado e misturado. Um festim para o olhar. Os cheiros deixaram-na inebriada e os sons em êxtase. Tocou nas folhas, sentido-as vivas e frescas. Passou os dedos pelas suaves pétalas. Um insecto voador passou num voo rasante à sua cabeça. Cada planta tinha um cheiro único. Ao fundo via-se uma montanha. As nuvens do céu tinham padrões que lhe lembravam objectos. Avançaram, sem se importar com os arranhões. Ocorreu-lhe uma palavra capaz de descrever aquilo: paraíso.
Ao passar sobre uma planta espinhosa, reconheceram as bagas escuras.
― Sim Bea, são comestíveis, o pai ensinou-me ― confirmou Amir, retirando uma e levando-a à boca.
Ela fez o mesmo. O sabor era tão intenso e a textura era única. Era melhor que qualquer coisa que já comera. Mais à frente reconheceram outra árvore com frutos comestíveis. E assim foram andando, experimentado cada uma. Até os frutos amargos lhe eram agradáveis.
Quando chegaram à margem de um lago, Bea sentou-se numa pedra.
― Anda! ― pediu o irmão.
― Não posso, as pernas doem-me.
Nunca andara tanto em tão pouco tempo. Bea achegou-se à beira da água e bebeu. Ao erguer-se a mão de Amir tocou-lhe no ombro. Estremeceu. Os braços dele envolveram-na. O coração disparou. Sabia que era errado, mas não conseguia resistir-lhe. Havia algo dentro de si mais forte. Os pêlos do braço eriçaram-se. Os lábios de ambos tocaram-se, como muitas vezes tinham visto os pais fazerem. Por estranho que fosse, a boca dele sabia melhor que os frutos. Se calhar não é errado, pensou, enquanto as mãos do irmão desciam até à sua cintura. Um fervilhão de sensações assaltava-a a cada toque deles.
Despiram as roupas e exploraram-se mutuamente de um modo desajeitado. Inebriada com o odor, acariciou a barba que lhe crescia na face. Sentiu-se húmida. Hesitou e acabou por retrair a mão. Os dedos dele envolveram-lhe o seio direito. A sensação surpreendeu-a tanto que se deixou levar. A cada momento tensão crescia. Era viciante. Por fim, os corpos uniram-se num frenesim, num misto de dor e prazer que não conseguiam interromper. Sentiu contracções incontroláveis e uma sensação desconhecida atingiu-lhe a cabeça. Sentiu que algo era depositado dentro de si. Amir parou e deitou-se a seu lado.
As lágrimas começaram a correr-lhe pela face. Bea começou a chorar também. Abraçaram-se. Ambos haviam compreendido o que os pais não queriam que acontecesse. Ela lembrou-se da palavra que definia a situação: pecado.