quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Livros: A Viagem do Elefante

Este é um daqueles autores que, cada vez que termino um livro, olho para a lista de títulos que me faltam ler e fico triste.

Autor: José Saramago
Sinopse: Em meados do século XVI o rei D. João III oferece a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um elefante indiano que há dois anos se encontra em Belém, vindo da Índia.
Do facto histórico que foi essa oferta não abundam os testemunhos. Mas há alguns. Com base nesses escassos elementos, e sobretudo com uma poderosa imaginação de ficcionista que já nos deu obras-primas como Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago coloca agora nas mãos dos leitores esta obra excepcional que é A Viagem do Elefante.
Neste livro, escrito em condições de saúde muito precárias não sabemos o que mais admirar - o estilo pessoal do autor exercido ao nível das suas melhores obras; uma combinação de personagens reais e inventadas que nos faz viver simultaneamente na realidade e na ficção; um olhar sobre a humanidade em que a ironia e o sarcasmo, marcas da lucidez implacável do autor, se combinam com a compaixão solidária com que o autor observa as fraquezas humanas.
Escrita dez anos após a atribuição do Prémio Nobel, A Viagem do Elefante mostra-nos um Saramago em todo o seu esplendor literário.


Como o título indica, a história anda à volta da viagem de um elefante. Não só elefante mas do seu conarca, o tratador do elefante, que acaba por se tornar o verdadeiro protagonista. É um personagem que diz muito ao leitor, por ser verdadeiramente humano, como o autor nos habituou. Não achei a obra difícil de ler, talvez por já me ter habituado ao estilo do autor. As divagações, aparentemente irrelevantes, acabam por ser relevantes pelo eco que causam no leitor. Essa divagações conjugam bem com o estilo de escrita, obrigando o leitor a ler mais devagar. Adorei o sarcasmo que que narrou alguns costumes, em especial os ligados à igreja. A trama é simples, mas as implicações deixam-nos material de reflexão para muito tempo. Pode não ser o melhor livro do Saramago, mas sem dúvida que não deve ser posto de lado.
Recomendo a que se deseja iniciar ao Nobel da Literatura Português.

Classificação: 4 estrelas

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Livros: The Amber Spyglass (His Dark Materials #3)

Com este livro, Philip Pullman fecha com chave de ouro a sua melhor trilogia.



Autor: Philip Pullman
Sinopse: Will is the bearer of the knife. Now, accompanied by angels, his task is to deliver that powerful, dangerous weapon to Lord Asriel - by the command of is dying father. But how can he go looking for Lord Asriel when Lyra is gone? Only with her help can he fathom the myriad plots and and intrigues that beset him. The two great powers of the many worlds are lining up for war, and Will must find Lyra, for together they are on their way to battle, an inevitable journey that will even take them to the world of the dead...


É difícil escrever uma crítica que faça jus ao livro. É verdade que o autor complicou a narrativa, introduzindo mais mundos, criaturas e personagens, mas também é esse worldbuilding uma das jóias da coroa desta trilogia. Também é verdade que este volume é muito mais pesado que os anteriores, o que não é de todo uma coisa negativa.
Em primeiro lugar, nota-se que a Lyra vai perdendo relevância e até uma certa profundidade, que é compensada com um maior foco na Mary e no Will. O autor cria universos complexos e detalhados, com regras bastante originais, como por exemplo o mundo dos mortos. Os temas bíblicos acompanham toda a trama, mas são desconstruídos e vergados às intenções do autor. A história avança a um bom ritmo, não havendo abrandamento na pressão até ao final. A trama está recheada de imprevistos e reviravoltas que apanham o leitor de surpresa. Definitivamente destaca-se do que foi feito neste género.
Recomendo esta trilogia completa a que procura um bom livro que combine fantasia, ficção cientifica. É uma obra de arte!

Classificação: 5 estrelas

domingo, 16 de agosto de 2015

Chá de Domingo #47: Criar Personagens - Parte 1

Hoje vamos falar de uma fundamental para quem escreve ficção: as Personagens.


Para contar uma história, necessitamos sempre de, pelo menos, uma personagem. Para mais, numa história cais complexa e longa, podem haver centenas de personagens, por exemplo O Senhor do Anéis ou o Jogo dos Tronos. Essa personagens precisam de ser desenvolvidas e trabalhadas. Todas elas têm uma história, motivações, medos, etc, e é essa profundidade que ajuda a trazer realismo ao livro, mesmo que este se passe A long time ago in a galaxy far, far away...

As personagens tem sempre um cunho único por parte do autor. Há várias técnicas para as construir e eu não me vou centrar em nenhuma em particular, mas antes deixar os aspectos gerais. Dependerá, também, do autor, a profundidade com que quer talhar a personagem, consoante a sua relevância para a história.

O primeiro ponto a ter em conta é o passado. O que é que aconteceu à personagem antes do início da história? Esta é uma das questões que não podemos deixar de responder, pelo menos, para as personagens principais. Podemos dividir o passado em duas grandes categorias: pessoas e eventos. No topo disso podemos também incluir a educação. A qual pode ter uma importância na construção do carácter.

No caso do eventos: Onde viveu? Como foram os seus primeiros anos? Que eventos traumáticos ou memoráveis teve? Experiências de vida? Como é que isso a influenciou física e psicologicamente? Que mudanças de perspectiva isso lhe trouxe?

No caso das pessoas: Com quem viveu? Quem é que esteve presente na sua vida durante longos períodos de tempo? Como é que a influenciou? Como é que se relacionam essas pessoas com os eventos acima referidos? Como é que a personalidade dessa personagem foi moldada?

O segundo ponto importante é o presente. Podemos dividir em várias categorias: interesses e objectivos, posses (materiais ou não) e localização. Os interesses e objectivos podem ser o reflexo do passado, mas também das condicionantes presentes. É essencial que sejam definidos, pois influenciam todo o rumo da história. Em termos de posses, convém referir objectos que tenham um valor especial para a personagem, por exemplo uma carta de amor ou uma foto de uma pessoa querida. Por fim, a localização: o clima, cultura, religião, economia, condições de vida, como é que a personagem se relaciona com o local? Está a adaptar-se bem ou mal? Pode ser interessante contrastar com o local onde a personagem cresceu.

Por fim, quem é a personagem? É pobre ou rica? Qual a sua função na sociedade? É inteligente? O que é que o distingue dos demais? é religioso ou opõem-se à religião? Como é que a personagem veio parar a esta situação? As situações da história vão mudá-la?

É com a resposta a estas perguntas que iremos decidir as acções e respectivas consequências da personagem durante o livro. Quais são as vossas técnicas para a construção de personagens?

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Ebooks: Gosma Literária

Uma farpinha num escritor bem conhecido, que não é o único.


Autor: Carlos Silva
Sinopse: Um cientista afirma que descobriu a substância que irá mudar o modo como se experiência a literatura, mas será que o conteúdo vai mudar?


Este conto é uma sátira à "literatura" portuguesa, recheada de autores pseudo-intelectuais, de frases bonitas, figuras de estilo a pontapé e vazios de conteúdo. Gostei da forma como o autor explorou o tema, metendo o dedo em muitas feridas. Não há grande trama nem conflito, mas não é isso que se espera deste tipo de narrativa.
Recomendo a quem se queira rir um pouco!

Classificação: 4 estrelas

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Ebooks: Icarus Blues

Uma analogia com a figura mitológica clássica foi muito bem aproveitada neste conto.


Autor: Ricardo Dias
Sinopse: Um acidente deixa um astronauta a dezenas de anos-luz de casa, perdido e aprisionado por figuras alienígenas demasiado familiares. Agora, tem o tempo contado para tentar escapar e descobrir um modo de regressar...


A história começa no momento certo, fazendo-se valer da analepse para nos dar a informação que falta. Tem um ligeiro excesso de tecnobabble no que se refere ao fato. Não há uma ligação muito forte com o protagonista até o final do primeiro terço da história. Achei interessante a caracterização dos extraterrestres. A trama começa lenta mas acaba por se desenvolver bem, aumentando o ritmo até ao final, servindo o leitor com um twist ligeiro. Um destaque especial positivo para as ilustrações feitas pelo próprio autor.
Recomendo a todos os fãs de ficção cientifica!

Classificação: 3 estrelas

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Ebooks: Nó Górdio

Viagens no tempo? Paradoxos temporais? É este o conto!


Autor: Ricardo Dias
Sinopse: O líder de uma agência de correcção de anomalias temporais defronta-se com o maior dilema da sua vida. Um problema aparentemente insolúvel, mas que exige uma solução a todo o custo...


Estou dividido em relação ao início do conto, não gosto muito quando a personagem principal não nos é apresentada nas primeiras linhas, se bem que compreendo o porquê do autor o fazer. Talvez por isso seja um pouco mais difícil sentirmos empatia com a personagem principal. Assim que a trama principal começa, a tensão cresce e as revelações sucedem-se impondo um bom ritmo de leitura. Podia beneficiar de alguma descrição mais elaborada dos cenários.
Recomendo a quem goste de viagens no tempo e paradoxos temporais!

Classificação: 3 estrelas

domingo, 9 de agosto de 2015

Chá de Domingo #46: Números & CA!

Vamos lá fazer um balanço disto tudo (enquanto me auto-promovo como tudo).


No passado dia 25 de Julho o blogue atingiu as 50000 visualizações. Demorou mais de três anos a chegar a este número redondo. É um marco importante para mim (nunca nenhum dos meus blogues tinha tido tantas visualizações - aliás, nem todos os meus outros blogues juntos tiveram sequer perto desse número). É certo que a muitas visualizações chegaram-me em eventos únicos, mas o grosso do número veio pelas visitas regulares, ou seja, os leitores fieis.

Ontem cheguei aos 500 gostos na minha página do Facebook. Fui ganhando gostos a um ritmo gradual, com alguns saltinhos quando alguém fazia o favor de convidar os amigos. Tinha 473 gostos quando pedi uma ajudinha e em menos de 24 horas obtive os gostos que me me faltavam. Obrigado a todos os que convidaram pessoas. Em nome próprio só posso agradecer ao João Paiva, que foi o único que se acusou!

Amanhã, dia 10 de Agosto, se tudo correr bem, terei a minha publicação 500. Outro marco importante! Quantas horas é que já dediquei a este projecto? Não interessa muito, cada minuto valeu a pena. Críticas a livros, relatórios do progresso dos Nanowrimos, textos meus e artigos sobre literatura em geral formam o grosso dessas publicações. Deixo um destaque especial para a rubrica Chá de Domingo.

E já agora, ultrapassei os 100 seguidores algures no início do ano. E fico por aqui (eu avisei que isto ia ser uma publicação de auto-promoção).