sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ebooks: O Vizinho do 4-B

O que há melhor do que coscuvilhice portuguesa e mitologia nórdica?



Autor: Ricardo Dias
Sinopse: Duas mulheres coscuvilham acerca da identidade de um vizinho misterioso, que não se mistura com ninguém. Mas será que realmente descobriram quem ele é?


Como está escrito na forma de teatro, quase toda a informação nos chega na forma de diálogo. A história tem um twist final interessante e foi muito bem explorada. Adorei o humor com que foi escrito e a crítica implícita que carrega. Recomendo vivamente!

Classificação: 4 estrelas

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Ebooks: Tua Aurora

A Aurora Boreal é sempre magica e muda todos quantos a vêem.


Autora: Sara Farinha
Sinopse: Nada tem o poder de doer mais do que uma despedida que não se deseja. Mas há despedidas inevitáveis. Tal como Aurora, a viúva de um astrónomo, descobre ao tentar despedir-se do marido. Na floresta boreal da Noruega, Aurora alheia-se da vida numa viagem há muito prometida, ignorando que poderá ter de abandonar mais do que contemplara.


A personagem principal é bem explorada e tem uma profundidade maior do que esperávamos num conto. A acção vai avançando a bom ritmo. A trama tem uma parte previsível e outra que nos apanha de surpresa. Gostei especialmente do desenlace. A linguagem é adequada ao tipo de conto.
Recomendo para quem queria um conto romântico sob uma paisagem mágica!

Classificação: 3 estrelas

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Hoc Signo Vinces - Com Este Sinal Vencerás


Os cinco exércitos cercam-nos neste monte alentejano. Estamos em Ourique, embrenhados em território inimigo. O sol de Verão está perto do horizonte. Não iremos combater hoje. Todavia, amanhã a batalha será inevitável.
Olho para os meus capitães vejo que eles esperam que lhes diga o que fazer. Sempre foi assim, desde que o meu pai morreu que todos esperam milagres de mim, o príncipe do condado Portucalense. É preciso traçar um plano para a batalha. Não me ocorre nada.
— Como podemos enfrentá-los? pergunto, olhando para o esquema do terreno.
O silêncio abate-se sobre os homens mais valorosos de Portucale. Eu sei o que eles estão a pensar. Não devíamos ter vindo tanto para Sul. Irrita-me não mo dizerem abertamente. Os inimigos excedem-nos em cinco para dois. E os nossos homens estão com medo. Até estes diante de mim estão cheios de receios. Não os posso julgar, se soubesse o que sei agora, nunca teria embarcado nesta sortida.
— Se ninguém tem ideias, eu vou pedir-vos que se retirem. Preciso reflectir. Mantenham sentinelas durante a noite e preparem o exército. Iremos dar batalha aos mouros de madrugada. Dar-vos-ei mais detalhes ao nascer do Sol.
Um a um, abandonaram a tenda. Estudo o esquema de novo. No topo do monte estamos seguros. Conseguimos defender ataques vindos de qualquer direcção. No entanto, não conseguimos sair daqui com facilidade. Se tentarmos romper o cerco nalguma direcção, eles conseguem contra-atacar pelos flancos e pela retaguarda. Preciso de algo que possa mudar o rumo da batalha decisivamente. E, claro, algo que moralize os meus homens.
O céu escurece sem que me surja nenhuma ideia. Estou a ver que irei passar uma noite em branco. Um dos servos entra na tenda com o meu jantar.
— Não desejo comer explico, acenando para que me deixe. Não desejo ser incomodado até uma hora antes do nascer do sol. Preciso de orar.
Sou de imediato deixado só. A desculpa da oração resulta sempre. Não tenho intenções de o fazer, pelo menos não agora. Todavia, seria perfeito se aparecesse Jesus Cristo e me dissesse como ganhar esta batalha.
— Deus tem muitas formas constata um idoso, vestido em trapos.
Não dei pela entrada dele. Como teria passado os guardas?
— Eu disse que...
— … que querias ficar sozinho completou o velho, sorrindo.
— Como é que entrou aqui? pergunto incrédulo.
— A pergunta certa não é como, mas para quê. Dom Afonso, quão forte é a tua fé? inquire, aproximando-se.
— A minha fé é forte e sempre será replico, a mesma frase que repeti vezes sem conta.
— O que dizes não é totalmente verdade. E digo-te mais, se a tua fé for forte, vencerás a batalha e serás rei. Se a tua fé vacilar por um momento, a derrota e morte esperam-te aqui.
— Como assim?
— Hoc Signo Vinces diz-me, mostrando-me as palmas das mãos, as quais ostentam uma enorme cicatriz cada.
E desvaneceu-se no ar.

***


Assim que o escudeiro acabou de me prender a armadura, abandonei a tenda, encontrando os capitães à entrada. Tinham um ar cansado. Não devem ter conseguido dormir. Eu passei a noite em oração, ainda sem saber se Jesus realmente me visitou.
A escuridão ainda era quase completa. Os soldados atarefavam-se nos preparativos para a batalha. Sons distantes indicavam que o inimigo fazia o mesmo. Desde cavaleiros em armadura completa a lanceiros, todos receavam o combate.
— Durante a noite orei comuniquei-lhes, elevando a voz para que os soldados comuns o ouvissem também. E Jesus Cristo apareceu-me, mostrou-me as suas chagas e disse-me Hoc Signo Vinces, com este símbolo vencerás. Os infiéis não nos poderão vencer enquanto a nossa fé for forte.
Várias cabeças se voltaram. Espero que a fé deles seja tão forte como a minha.
— Preparem-se, é o nosso dever derrotar os infiéis! comando, aproximando-me dos capitães.
Faço-lhes sinal para se aproximarem.
— O grosso do exército deve formar uma coluna única, excepto a cavalaria pesada que irá ficar na retaguarda e fora de vista. A cavalaria ligeira deve atacar o inimigo com armas de arremesso para o forçar a atacar, mas deve recuar assim que ele avance explico, colocando o elmo.
Afasto-me em direcção à minha guarda de honra, os mais valorosos cavaleiros do Condado. A luminosidade aumentava, revelando os cinco campos do inimigo. Cinco exércitos contra um. Em coluna única, posicionamo-nos na encosta, o Sol irá nascer nas nossas costas. Os batalhões inimigos formam-se à pressa, não estavam preparados para que tomássemos a iniciativa nem que lhes déssemos batalha tão cedo. A cavalaria não perde tempo, atirando lanças e flechas contra as fileiras sarracenas. O efeito em termos de baixas era reduzido. Olho para os soldados mais próximos. Parecem estar mais confiantes que eu.
Ainda sem estar completamente organizado, os mouros avançam pela colina acima. Dois dos exércitos inimigos ainda não se movimentaram. Estão descoordenados. A cavalaria continua a atacar a infantaria almorávida. Os cavaleiros adversários juntam-se à investida. Preparamo-nos para o embate.
O choque de metais é terrível. Deito um olhar furtivo à minha volta. As fileiras ameaçam ceder em vários pontos. A minha guarda protege-me do pior. Assim que termina o ataque, ordeno que o estandarte com a cruz de Cristo seja erguido. O campo está adornado de corpos, tanto de cavalos como de soldados. Não consigo saber se levamos vantagem ou não, mas sei que não resistimos a outra investida semelhante.
O encontro de infantarias está prestes acontecer. Trocam-se flechas e lanças. Quando as espadas se encontram com os escudos e as lanças com as armaduras, noto que a cavalaria está prestes a executar a manobra que eu lhe ordenei.
— Pater noster, qui es in cælis... oro, apertando apega do escudo.
Duas fileiras ordenadas, uma de cada lado, com as lanças em riste, preparando-se para a carga. Duzentos cavaleiros, cem de cada lado.
Sanctificétur nomen tuum; advéniat regnum tuum; fiat volúntas tua sicut in cælo, et in terra...
E num instante não são duzentos soldados. São muitos mais. Cada um torna-se em dois. E o efeito repete-se. A linha fica com uns vinte cavaleiros de espessura. Tenho a certeza que são mais de mil! Parece que multiplicaram-se por dez.
Nesse momento, o inimigo rompe o contacto e tenta recuar. Vejo o pânico nos seus olhares. A matança começa. A cavalaria persegue os mouros pela encosta abaixo, causando inúmeras baixas. Os restantes exércitos, desistem de se juntar à batalha e iniciam a retirada.
— É um milagre! comenta um dos meus guardas.
— A fé salvou-nos!
Não tarda que se juntem todos em meu redor.
— É um sinal dos céus conclui um dos capitães mais religiosos.
— Um sinal de que não estamos perante um príncipe, mas de um rei anuncia Dom Gualdim Pais.
— A vontade divina assim o ditou disse o velho, que entretanto aparecera entre os soldados.
E assim me aclamaram como rei, ainda no campo de batalha.

domingo, 2 de agosto de 2015

Chá de Domingo #45: Balanço do Camp Nanowrimo - Julho de 2015

E aqui fica o balanço do último Camp Nanowrimo.


Este foi o primeiro Camp Nanowrimo em que consegui cumprir o objectivo estabelecido. Já tinha tentado 3 vezes (Abril de 2013, Julho de 2013 e Abril de 2015), sem nunca conseguir ficar sequer perto do objectivo final. Podem encontrar todas as publicações referentes a este desafio com a etiqueta Julho de 2015.

Se bem se lembram das minhas expectativas antes do evento começar, que podem encontrar aqui, eu impus uma meta de 1100 palavras diárias. Acabei por conseguir 1210! Das 34100 de total a que me propunha, atingi as 37528 palavras.

O meu grande objectivo era terminar O Canto do Rouxinol, o que consegui no dia 12. Podem relembrar o momento aqui. Era um projecto que já estava pendente há mais de três anos. Queria também avançar O Jarro de Porcelana, o que consegui, deixando o livro a meio. Desenvolvi bastante a história e creio que a conseguirei terminar sem problemas no próximo desafio. Além disso, escrevi um conto e terminei quase outro.

Foi também durante o Camp Nanowrimo que o meu blogue atingiu as 50000 visitas! Podem recordar o momento aqui.

E agora? Depois de um Nanowrimo, é necessário apostar na revisão e é isso que irei fazer nos próximos tempos. Irei-me focar na Menina dos Doces, sobre o qual espero poder dar mais novidades em breve. Obrigado a todos os que me encorajaram a continuar, em especial à minha esposa que não me deixou desistir.

Algumas estatísticas do desafio:

Dia com mais palavras: 3207 (dia 30)
Dia com menos palavras: 14 (dia 8)
Maior Atraso: 2953 (dia 8)
Menor Atraso: 127 (dia 1)
Maior Adiantamento: 3918 (dia 30)
Menor Adiantamento: 233 (dia 2)
Número de projectos desenvolvidos: 4
Número de projectos concluídos com sucesso: 2

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Camp Nanowrimo - Julho de 2015 #31: Em chave de ouro!


No último dia do Camp Nanowrimo de Julho de 2015, dediquei-me somente ao meu conto para o Fantasy & Co. O dia rendeu-me 610 palavras, permitindo-me encerrar o desafio com 37528 palavras, ou seja mais 3428 do que o que me propus. Ficam aqui com um gráfico que marcou o meu projecto:


E assim encerro no Camp Nanowrimo de Julho de 2015 com uma chave ouro.

Agora vou descansar durante uns dias. Volto no Domingo com a rubrica Chá de Domingo (com um balanço deste evento) e depois retomo o ritmo normal das publicações.



quinta-feira, 30 de julho de 2015

Camp Nanowrimo - Julho de 2015 #30: O destino da viagem!


Hoje escrevi 3207 palavras, chegando ao magnífico total de 36918 palavras. Ou seja, cheguei ao objectivo proposto e tornei-me um dos vencedores deste Camp Nanowrimo. Objectivo mais que comprido (2800 palavras a mais)!

Terminei o capítulo 33 e comecei o 34. Não foi o meu foco principal do dia, pois também me ocupei com um conto para o Fantasy & Co. Não vou ficar por aqui, amanhã vou escrever mais um bocadinho para fechar com chave de ouro!

Até amanhã!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Camp Nanowrimo - Julho de 2015 #29: Ainda não foi desta!

O esforço diário rendeu-me 896 palavras, escritas de enfiada em cerca de uma hora. Dei-me ao luxo de ir jantar fora e negligenciar a escrita! O total ficou-se pelas 33711 palavras. Estou a dois dias e 400 palavras de cumprir o objectivo, mas ainda não foi hoje. Talvez amanhã...

Terminei o capítulo 32 e dei um bom avanço ao 33. Houve revelações importantes, mas o leitor não sabe como é que elas encaixam no panorama (às vezes nem eu). Bloco a bloco vou construindo a história, esperando que isto só faça sentido para o leitor nas ultimas páginas. Uma tarefa difícil, porque não quero ser demasiado óbvio nem ter um final demasiado forçado. Algures, no meio termo, é o ideal!

Até amanhã!