quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ebooks grátis!

Andam por ai bibliófilos a queixar-se que não tem nada que ler! Eu compreendo-vos e por isso vou deixar-vos algumas sugestões para as carteiras mais magras, ou seja, ebooks grátis! Vejam o que os autores Olinda P. Gil, Ana C. Nunes e Carlos Silva têm para vos oferecer:


Olinda P. Gil

Vila de Cobres
Num Alentejo após a Revolução Industrial, que afinal não existiu, um engenheiro inglês toma-se de amores por uma alentejana ruiva.


Piano Surdo
Conto que retrata a loucura de uma pianista após um acidente que a deixou surda.


Na Estrada de Mértola  Durante uma viagem nocturna uma jovem tem uma surpresa desagradável


Ana C. Nunes

A Última Ceia - Um conto de Terror Natalício 
O Natal é uma época para a família, em que os membros que não se vêem há muito tempo, se reúnem à mesa, partilham histórias, sonhos, alegrias e uma refeição tradicional. Mas neste Natal a ceia é tudo menos convencional. Uma delícia que poucos têm oportunidade de provar. Uma refeição pode esconder muitos segredos …


A Heroína e o Guerreiro
A grande e única Heroína, acompanhado do seu fiel Mascote , são a nossa última esperança. Conseguirão eles reescrever a história do planeta, ou serão eles a sua perdição? Não percam as aventuras ilustradas deste duo.


Carlos Silva

Urbania
Que influência terá sobre Lisboa a cidade em movimento, onde os sonhos e a lucidez se vendem como um mero produto? As duas cidades estão em rota de colisão e Hugo sabe que é a única oportunidade de alguma vez conseguir passar de uma para a outra, mas para isso terá de compreender o que os Lobos lhe dizem. Um romance sobre ciclos que se cruzam e entrecruzam, onde a única constante é a mudança.


Phantasia
Micro-contos de ficção especulativa que prometem ir dar um passeio com as ideias dos leitores, mostrando-lhes novos miradouros para as paisagens de sempre. "Sobre a nudez forte da verdade - o manto diaphano da phantasia" - Eça de Queirós


A Ceia
O Natal é um tempo de paz, harmonia e alegria. Joaquim a nada disto terá direito ao ter aceite passar a noite de consoada com a tenebrosa família da sua noiva, que transformará um simples jantar num festival de horror e constrangimento.


Boas leituras!

domingo, 8 de dezembro de 2013

Chá de Domingo #17: Estantes de Livros

Tenho quase a certeza que todos os amantes de livros já passaram (e passam muitas vezes) por esta situação.


Às vezes, dou por mim admirando a estante dos livros por ler, numa tentativa fútil de tentar escolher o próximo que vou ler. Nessas alturas sinto-me como aquela senhora da anedota, que tem o armário cheio de roupa e mesmo assim queixa-se que não tem nada que vestir. Quem é que nunca passou por isto?

Muitas das vezes, a indecisão deve-se a manias, preguiça ou ambas. Manias é quando não me apetece um livro de um determinado assunto/género/idioma. Preguiça é quando acho o livro muito grande, que me vai consumir muito tempo, ou muito pequeno, que não vai chegar para o dia e me vai obrigar a carregar com mais do que um volume.

No meu caso, a escolha do livro a ler acontece muito antes de o começar a ler. Por exemplo, neste momento ando a ler Clash of Kings antes de adormecer, levo os Sermões para ler nos transportes públicos e comecei a ler To Kill a Mockingbird. Assim que acabar de ler os Sermões, irei começar a levar o To Kill a Mokingbird comigo e como o livro está no fim, não tardarei a ter de escolher o próximo. Olho para a estante e não me consigo decidir. Tenho a certeza que é por a escolha ser tanta! Acho que devia começar a fazer uma votação para escolher o próximo livro a ler com a ajuda do público!

Até parece que a estante dos livros por ler se tornou parte da paisagem. É como se inconscientemente já tenha decidido que irei comprar mais livros, ao invés de ler os que estão nessas prateleiras. Lastimável é a triste realidade de um triste bibliófilo!

Acontece-vos o mesmo com frequência? Como lidam com a situação? Como escolhem o próximo livro a ser lido?

sábado, 7 de dezembro de 2013

Novidades - Dezembro 2013


Mais uma vez vou alterar a estrutura de postagens deste blogue. Desde de Setembro que andava pelas quatro postagens por semana devido às muitas críticas que tinha de fazer aos livros que tinha já lido. Agora vou passar para as duas, à quarta e à sexta, para poder ter mais tempo para terminar a revisão do "Caderno Vermelho" e da "A Menina dos Doces".

Em Janeiro irei fazer o meu Nanowrimo atrasado, já que este ano a tese de doutoramento me ocupou o mês de Novembro. A história já tem nome e os preparativos vão bastante avançados.

Em breve haverá alguns passatempos com alguns prémios. Fiquem atentos!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Livros: Antic Hay

Encontrei este livro no lixo. Só esteve algumas semanas na minha prateleira até chegar à sua vez de ser lido.



Autor: Aldous Huxley
Sinopse: London life just after World War I, devoid of values and moving headlong into chaos at breakneck speed - Aldous Huxley's Antic Hay, like Hemingway's The Sun Also Rises, portrays a world of lost souls madly pursuing both pleasure and meaning. Fake artists, third-rate poets, pompous critics, pseudo-scientists, con-men, bewildered romantics, cock-eyed futurists - all inhabit this world spinning out of control, as wildly comic as it is disturbingly accurate. In a style that ranges from the lyrical to the absurd, and with characters whose identities shift and change as often as their names and appearances, Huxley has here invented a novel that bristles with life and energy, what the New York Times called "a delirium of sense enjoyment!"


Muitos críticos o comparam ao The Great Gatsby, mas eu considero que está a um nível inferior. Sendo este o segundo livro de Huxley, eu esperava uma melhoria. Infelizmente, considero que está pior. Comecemos pela estrutura: as primeiras páginas fazem antever uma história sobre as calças pneumáticas do senhor Gumbril Jr., contudo, a história não se foca nisso, nem sequer nele. A perspectiva muda de personagem sem qualquer aviso e a narrativa não parece ter outro propósito que não o de escarnecer a sociedade pós Primeira Guerra Mundial. As personagens são caricaturas óbvias mas que não dão vontade de rir, excepto as hilariantes aventuras do Homem Completo. O autor perder-se com frequência e divaga sobre assuntos que não interessam, ou pelo menos não me interessaram.

Apesar dos problemas narrativos, recomendo o livro a todos os se interessam pelo trabalho de Huxley e/ou que se interessam por livros do género do The Great Gatsby.

Classificação: 3 estrelas

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A Passagem Uivante - Parte 2/2


A primeira parte está disponível em: http://pedro-cipriano.blogspot.de/2013/11/a-passagem-uivante-parte-12.html

Fernando questionava-se como é que o pequeno estado podia ter aspirações tão megalómanas. Mantinham quase um décimo da população em serviço militar efectivo. Cerca de meio milhão de homens combatiam em duas frentes contra os dois estados vizinhos. Para quê, era a questão que poucos se atreviam a fazer em voz alta. E quando alguém ignorava essa regra informal, a policia do exército encarregava-se de resolver celeremente o caso.
Imobilizar veículo! – ordenou o comandante. – Artilharia fixa, 2300 metros às 11 horas.
Fernando travou a fundo, parando o tanque em poucos metros. A sua posição de condutor não lhe permitia ver o alvo.
Gui, dá-me uma munição explosiva! – pediu o atirador.
Ouviu-se o clique da abertura da culatra da arma e da munição a deslizar para o interior. A artilharia foi trancada logo de seguida.
Houve um impasse de alguns momentos enquanto o atirador tentava encontrar o seu alvo. A torre rodou lentamente.
Fez-se luz por via de um foguete de iluminação. Fernando sentiu-se pequeno, blindados pintados de verde sob um fundo de xisto e granito eram tão visíveis como ervilhas no meio do arroz. Ouviram-se vários disparos, incluindo o do seu próprio tanque, que o deixou meio surdo. A escuridão regressou um par de segundos depois.
Avançar! – comandou o tenente, cuja ordem se sobrepôs ao zumbido nos ouvidos.
A resposta do inimigo não se fez esperar sob a forma de alguns disparos que aterraram nas proximidades. Pareciam estar a apontar ao acaso, já que não caiam sequer perto do estreito caminho percorrido pelo batalhão.
O primeiro batalhão entrou em contacto com o inimigo – informou o rádio uns minutos depois.
A ponte está guardada por blindados! – reportou um dos tenentes num tom nervoso.
Não pode evitar estremecer ao perceber que o seu batalhão acabara de entrar na batalha. O chão estremeceu com ele, aquando de uma explosão nas imediações. Os canhões responderam.
A segunda companhia está a ser flanqueada. Inimigo às 2 horas – berraram através do rádio, tentando sobrepor-se ao barulho infernal.
Dá-me uma perfurante! – pediu logo o atirador.
A terra tremeu e o chão faltou-lhes por baixo do tanque. A inclinação do tanque e a queda foi a última coisa de que se apercebeu antes de perder os sentidos.

***

Sentiu o sol aquecer-lhe a face. Deixou-se estar imóvel, saboreando aquele momento. Ao abrir os olhos, o sorriso desvaneceu-se quase instantaneamente. O que restava do seu batalhão estava cercado por soldados desconhecidos. A cabeça doía-lhe e o sangue empastava-lhe o cabelo. O olhar dos seus companheiros transparecia o que se havia passado.
Precisava de encontrar Roberto. Havia algo que precisava de lhe dizer. Escrutinou o pequeno grupo sem encontrar a face dele.
Outro grupo de prisioneiros era escoltado pelos austurianos. Os soldados caminhavam cabisbaixos e com um aspecto miserável em direcção aos restantes. O coração batia-lhe descompassado, pensando que Roberto poderia estar naquele grupo. Os estrangeiros começaram a espancar um dos soldados que se atrasara.
Qual o futuro de um soldado raso capturado? A solução mais benevolente e honrada era o fuzilamento. Tudo o resto era demasiado desumano e apenas um adiar do inevitável.
Sentiu os olhos a humedecer. Talvez o seu tanque tivesse escapado à emboscada. Ou poderia ter fugido a coberto da noite.
Voltou a observar cada um dos rostos, incluído os que estavam feridos. Não o encontrou entre eles. Alguns cadáveres estavam ao lado e, num impulso masoquista, tentou distinguir quem teriam sido os seus antigos donos.
Alguém lhe tocou no ombro. Virou-se. De gatas atrás de si estava um homem de cabelo encaracolado e olhos verdes. Ao reconhecê-lo, o que restava da sua esperança morreu. Era o condutor do blindado de Roberto.
Ele quis que ficasses com isso – disse, estendendo-lhe um envelope.
Obrigado – balbuciou sem saber o que dizer.
Não estava sequer selado. No interior encontrava-se um único pedaço de papel com um poema.

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal! ”

Tinha sido uma boa escolha, pois nesse momento já as lágrimas lhe corriam pela cara. Porque é que haveria ele de lhe deixar como legado um envelope com um poema proibido? Os antigos Portugal e Galiza tinham dado origem a três estados independentes. Qualquer referência ao passado e à união era proibida.

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena. ”

Tudo tinha valido a pena, mesmo que no fim nunca lhe tivesse dito. Nem precisava, Roberto sempre soubera.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu. ”

Levantou-se e fitou os soldados inimigos. Eles observaram-no um pouco nervosos. O vendaval uivou através do vale que era suposto a sua divisão conquistar. Largou o envelope e ele foi levado pelo vento. Os soldados colocaram os dedos nos gatilhos. O mundo havia-lhe retirado tudo.
Tudo, excepto a escolha do momento da sua morte.

 

FIM

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Livros: Contos do Nosso Tempo

Ganhei este livro num sorteio mas esteve na prateleira cerca de um ano, até eu o ler.


Autor: Vários, com a coordenação de Miguel Almeida
Texto da contra-capa: Em traços livres e desassombrados, esta colectânea alimenta-se da matriz que nos deixaram os Grandes Mestres do Conto: o fulgor narrativo e a essencialidade da linguagem.
"O conto é uma forma literária encantadora", disse Trindade Coelho, acrescentando: "E o maior assunto, ou o mais complexo, cabe no conto, pela mesma razão que nas proporções delicadas de uma miniatura pode caber, desafogado, um grande quadro."
Nesta obra, cada autor, cada história, cada conjunto de histórias, assumiu o risco da sua liberdade criativa, assim como o desejo de escrever pelo puro prazer de escrever e a vontade de partilhar.




Em muitos dos contos, fartei-me de consultar o índice, para ver quantas é que teria ainda de suportar enquanto desejava que realmente os autores se tivessem alimentado da matriz deixada pelos grande mestres. Esta é uma daquelas antologias em que não tenho dúvidas em que não houve qualquer tipo de selecção. Eu sei que é uma afirmação dura de se fazer, mas a qualidade da maioria dos textos está num nível muito fraco. O coordenador ou o editor fez um trabalho muito fraco e não tenho reservas em afirmar que a qualidade desta antologia se deve a ele, até porque os contos assinados por ele não se destacavam em termos de qualidade. Quantos aos autores, alguns escrevem muito mal, outros escrevem mal e só alguns o fazem a um nível razoável, mesmo no caso desse últimos, fica a impressão não foram convenientemente ajudados a melhorar os textos. Em resumo, os grandes defeitos dos contos são: má/ou completa ausência de estrutura, palavras/expressões demasiado rebuscadas/desadequadas, demasiado contar e pouco mostrar, mau uso do cliché e falta de revisão. No total, a obra merece uma estrela e só recebe as duas devido a um reduzido número de contos que conseguiram chegar a um nível razoável.

Não recomendo este livro aos amantes de contos.

Classificação: 2 estrelas

domingo, 1 de dezembro de 2013

Chá de Domingo #16: Vanities e Crowdfunding

Uma bronca destas tinha de estalar, era só uma questão de tempo!


Antes que me crucifiquem por opiniões que nem sequer tenho, gostaria de deixar aqui bem claro que não tenho nada contra o crowdfunding feito por artistas que gostariam de divulgar o seu trabalho e não tem dinheiro para o fazer.

E já agora, aproveito para dizer que não tenho nada contra vanities. É um negócio rentável e só cai nos esquemas quem quer. Um bocadinho de pesquisa é quanto chega para se perceber a seriedade dessas empresas prestadoras de serviços.

Não há nada de mal num autor que investe o seu dinheiro numa edição de autor de um livro que foi ignorado pelas editoras tradicionais. Não é uma decisão muito sensata, se ao invés da edição de autor, decidir dar o dinheiro a uma vanitie. Não é sensato, mas não é de todo errado, pois só aceita os termos do contrato se quiser. Não é mau se o autor pedir dinheiro para uma edição de autor através de crowdfuding. Só não acho muito correcto que faça crowdfounding e depois vá dar o dinheiro a uma editora. Porque é que não acho correcto? Porque quem estiver a ajudar na campanha, estará a ajudar mais a empresa prestadora de serviços do que o autor. É verdade, a editora prestadora de serviços irá ficar com a fatia mais gorda dos lucros, quer o livro venda ou não venda.

Agora o que eu não tolero é uma editora, que se tenta fazer passar por séria, recorrer a este método. Ai tal que o crowdfunding é fixe! É fixe, mas é para ser usado com um mínimo de ética. Acho inaceitável uma editora fazer um concurso em que o prémio é a publicação, mas só se arranjarem 90% dos fundos através de crowdfunding. Melhor ainda, os autores é que estarão responsáveis pela divulgação do projecto. Estão a ver onde isto irá parar?

Parece-me que haverá umas 30 almas penadas que irão andar a angariar fundos para essa tal editora séria. A primeira metade do dinheiro irá parar-lhes aos bolsos quando receberem o dinheiro do crowdfunding. E a outra metade irá se conseguirem vender os livros. Dizem eles que financiam 10%. Mas 10% do quê? Afinal são eles que decidem o custo total. Portanto é todo ganho. Um ganho imoral, fazendo-se valer do esforço e do investimento de terceiros. Para mim, isto não é uma editora séria em lado nenhum!

Uma pequena adenda: eles assumem-se mesmo como uma crowdpublisher!