sábado, 16 de novembro de 2013

Livros: A dialética da liberdade

Comprei este livro há uns oito anos. Esteve por aqui perdido até ao dia que me deparei com ele e decidi lê-lo!


Autor: José Manuel Alves Ribeiro
Resumo: Estamos possivelmente assistindo, nesta conturbada época, à mais vasta e profunda crise da Humanidade.
Crise de valores, ocaso de uma Civilização, ou charneira de duas culturas, caracteriza-se pela instabilidade da vida quanto ao seu ideal, à sua finalidade - e daí um tipo indefinível de Homem que pretende flutuar fora de qualquer força que o fixe: Deus, tradição, família, espaço geográfico, gravidade...
Em que ficaremos?



O autor tenta explicar a sua visão do universo, mas falha completamente! Não digo que não tem ideias interessantes ou que valham a pena ser exploradas, contudo a execução foi a pior possível. O livro está pretensioso demais, usa abreviaturas que só confundem e está cheio de erros ortográficos. Os gráficos não tem qualidade suficiente para poderem ser entendidos e as ideias são demasiado confusas, parecendo que o autor preferiu complicar ao invés de simplificar. Está cheio de erros científicos, mostrado que o autor fala da matemática e física com uma abordagem errada de senso comum. Os diálogos são fraquissimos e os poemas passei por eles como quem passo por uma desconhecido na rua. A leitura foi uma verdadeira tortura!

Recomendo este livro apenas a masoquistas!


Classificação: 1 estrela

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A Primavera - Parte 1/2


Este conto faz parte da antologia Legado de Eros:

As tímidas flores roxas foram as primeiras a despontar naquele ano. Floresciam solitárias naquela margem do Mondego, uma ilha de vida no meio da terra vazia, arautos da primavera. Inúmeras covas artificiais espalhavam-se em volta. Milhares de fragmentos de metal misturavam-se no húmus e na rocha pulverizada. As flores eram o único ser vivo que aparentava não se aperceber da desolação que as rodeava.

Miguel ouviu a agitação propagar-se pelas trincheiras. Não era preciso muito para se gerar uma comoção por ali, tudo o que quebrasse a monotonia de estar aninhado nas valas era fonte de excitação para aqueles jovens. Um arrepio de antecipação percorreu-lhe a espinha.
O barulho foi-se aproximando. O tenente dobrou a esquina. Passou-lhe um envelope para a mão e estendeu um embrulho a Daniel, seguindo o seu caminho.
Sentaram-se os dois no banco improvisado. Apesar de estar a arder por dentro, Miguel abriu o sobrescrito com cuidado. As primeiras linhas levaram-no de volta a uma primavera que pertencia a outra existência.
Ela apareceu de vestido azul claro com rebordos folhados e inocência no olhar. Cabelos curtos e escuros. O olhar focou-se nas mãos delicadas.
― Quem é ela? ― perguntou ao colega do lado, depois de lhe dar um safanão.
― É a Ana, não conheces?
― Não, e tu vais-me apresentar.
O amigo devolveu-lhe um olhar de aborrecimento, acabando por concordar. Ao aproximar-se dela, pareceu-lhe que o fixava de volta.
― Olá, Ana, este é o Miguel ― disse-lhe, estendendo a mão.
Os olhares teimavam em não se desviar, precisando de uma enorme força de vontade para se inclinar e cumprimentá-la.
O som de um papel a ser rasgado trouxe-o de volta ao presente. A seu lado, Daniel sentado nas tábuas e com as botas na lama, desembrulhava um pedaço de pão e uma chouriça. Retirou a faca da bainha e cortou uma fatia generosa de ambos, dando-lhe uma enorme dentada.
― Quem te escreveu? ― perguntou-lhe o companheiro.
Miguel levantou os olhos da carta, contrariado pela interrupção. Retirou uma fotografia impermeabilizada do bolso do uniforme e mostrou-a ao amigo.
― É da minha noiba ― respondeu, mostrando-lhe uma foto de uma jovem de cabelo curto, deixando a sua expressão abrir-se num sorriso de saudade.


Ana rodou a chave, abrindo a porta de entrada. O primeiro olhar para o chão destruiu-lhe a esperança de encontrar um envelope deixado pelo carteiro. Largou na mesa o saco de legumes que lhe havia sido dado no ponto de distribuição. Os braços e a cabeça doíam-lhe do trabalho repetitivo e barulhento da fábrica têxtil.
Empilhou algumas achas no borralho por cima de uma camada de bicas e uma pinha. Chegou-lhe um fósforo deixando que o fogo apeirasse. Atirou a grelha para cima e depois a panela. A custo, despejou duas tigeladas de água para o interior. Retirou os legumes do saco, tentando não pensar muito no assunto. Dedicou-se à tarefa de lavar e cortar os ingredientes para uma sopa.
A mãe entrou em casa quando ela dividia as batatas ao meio. Os cabelos prateados multiplicavam-se naquela figura demasiado magra. Desde que o pai fora chamado que fora obrigada a trabalhar por dois. A mulher cumprimentou a filha com um abraço, ajudando-a na preparação do jantar.
Com uma pitada de sal, Ana completou a receita. Ao endireitar-se, calhou olhar para a varanda, recordando-se da primeira vez que ele a viera visitar a casa. Fora apenas um instante, enquanto os pais conservadores não os observavam. Uma desculpa nada inocente levara-os àquela varanda e um beijo rápido selou, pela primeira vez, o seu amor. Se fechasse os olhos ainda conseguia sentir os lábios dele, saboreá-los, cheirá-lo. Quase como se estivesse à sua frente.
― Oh filhinha, não fiques triste. Ele há-de voltar! ― prometeu a mãe, pousando a mão no ombro.
Ana encarou a progenitora e acenou com um sorriso tímido. A noite caía lentamente, revelando um céu estrelado e sem nuvens, o estado do tempo mais odiado pelos portuenses. As condições perfeitas para um bombardeamento aéreo.


Durante o lusco-fusco, Miguel ouviu os motores na outra margem. O som chegou a todos os que habitavam na trincheira. O olhar de Daniel transparecia medo.
Com o estômago meio cheio de minúsculos cubos de toucinho e legumes envolvidos em água aquecida, a que chamavam sopa, sabia que não poderia esperar uma noite tranquila. Pelo menos não era dos piores dias, em que fome lhe toldava os sentidos. Com a arma apertada firme na mão e futuro incerto, relembrou outra refeição.
Os seus pais haviam convidado os dela para jantar. A sala tinha a mesa grande coberta por uma toalha branca bordada, que só era usada em ocasiões especiais. Os pratos e talheres eram novos, tinham estado em caixas por mais de dez anos.
Miguel andou para trás e para a frente, depois às voltas. A mãe dissera-lhe para ficar calmo e não se preocupar, mas estar assim parado não o ajudava em nada. Quisera entrar na cozinha para se assegurar que tudo estava a correr pelo melhor. A mãe fechara-lhe a porta na cara, enviando-o de volta para a sala.
Ouviu a campainha. O coração quase falhou uma batida. Alisou o casaco e passou a mão pelo cabelo, apressando-se na direcção da porta. Com as mãos a tremer puxou o trinco, revelando o casal acompanhado pela filha.
― Senhor José ― cumprimentou, apertando-lhe a mão. ― Senhora Maria ― murmurou, pegando-lhe a palma com suavidade enquanto se inclinava. ― E a menina Ana ― concluiu, corando.
Levou-os até à mesa e, um momento depois, os pais trouxeram a comida. Bifes de porco. Valiam pelo menos cinco contos de reis, o ordenado de uma semana. A água nasceu-lhe na boca assim que os cheirou. Não comia nada assim há meses. As batatas e a carne foram distribuídos, iniciando-se a refeição, regada por um bom vinho.
Quando terminaram, o pai chamou a atenção e apontou na sua direcção. Sentiu todos os olhos postos em si e o suor a escorrer-lhe pela testa. Parecia que tinha um tijolo entalado na garganta.
― Senhor José ― murmurou, por fim. ― Gostaria de pedir a mão da sua filha.
Sentado na trincheira, sentiu um aperto no peito. Não iria deixar passar o dia seguinte sem lhe escrever. As cartas eram o seu único conforto.
O barulho dos motores aumentou de intensidade. Os soldados olharam para o céu, distinguindo as silhuetas de um esquadrão de bombardeiros. Mais uma carpete de morte seguia na direcção da capital. Sentiu um aperto no coração. Não saiba como iria viver se acontecesse algo à alegria dos seus dias.


Podem ler a segunda parte em: http://pedro-cipriano.blogspot.de/2013/11/a-primavera-parte-22.html

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Aniversário do blogue: O Sofá dos Livros

O blogue O Sofá dos Livros de Liliana Novais comemorou na passada Segunda-feira o seu primeiro aniversário publicando contos inéditos de alguns escritores emergentes portugueses.


É uma boa oportunidade para conhecerem o trabalho de:

Boas leituras!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Press-Release: Lusitânia - Número 2

O novo número da revista Lusitânia traz uma vez mais a publicação de contos de literatura especulativa com a cultura portuguesa como pano de fundo.

O lançamento terá lugar no próximo sábado, dia 16 de Novembro, pelas 14h15, no Fórum Fantástico, que decorre na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro.

Na revista, o leitor pode encontrar histórias de fantasia que o levam desde o norte ao sul do país, encontrando pelo caminho sereias, grifos e espíritos. São histórias que conjugam o passado e o futuro e que trazem heróis tão inauditos como Leonor, no conto A carta ou um inominado barqueiro n' A sereia de Cacilhas. Há também histórias de almas atormentadas por acontecimentos inexplicáveis ou sinas inalienáveis como no Semblante Pálido ou Indicador de Deus. Nesta revista, para além dos autores que viram os seus contos seleccionados por concurso livre, também podemos contar com um convidado especial: João Barreiros, um escritor de Ficção Científica português, já com uma longa carreira, que nas páginas da Lusitânia deu continuidade ao universo Electropunk da sua autoria com o conto O Coração é um Predador Solitário.

Trata-se, em suma, de uma revista em que os jovens autores revelam, num estilo próprio e cativante, a cultura e paisagem portuguesas, retratando vivências e lugares do quotidiano local, e que serviram de inspiração para que pudessem povoar os seus contos de mistério e personagens fantásticas.


Quem consegue adivinhar a ideia por detrás desta capa?

Fica uma pista:

domingo, 10 de novembro de 2013

Chá de Domingo #13: Software especifico para Editoras

Como sabem, faço parte da Editorial Divergência e, como tal, dei por mim a pensar que software seria necessário para o normal funcionamento de uma editora.


Vamos  saltar o óbvio: o software de edição, paginação e edição de imagem que esperamos encontrar numa editora, e vamos analisar o que se passa nos bastiadores.

Ferramentas Monte Carlo

Gerir uma empresa não é uma tarefa trivial. Como definir estratégias? Como encontrar boas relações entre preços, lucros e factores de risco? Nada melhor do que experimentar com uma empresa virtual. Em geral, há empresas de consultoria que têm os seus próprios programas. O problema é que os preços cobrados são proibitivos para uma empresa pequena, na ordem dos milhares de euros. Valerá a pena comprar ou mais vale criar uma versão privada?

Gestão de Submissões

Gerir submissões usando os emails com estrelinhas e o Googledocs não é a maneira mais eficaz. Ter que pedir o feedback do editor para cada artigo, reenviar-lhe os emails e relembrá-lo consome bastante tempo. Qual a solução? Criar uma plataforma que agregue todos esses serviços. Para além disso, deve ser intuitivo e com uma boa performance. Acham que é realizável ou deve-se tentar encontrar uma alternativa grátis?

Website + Vendas Online

O website da editora e o e-commerce não são opcionais nos dias que correm. Ter um website apelativo e funcional pode gerar tantas ou mais vendas que a presença física em livrarias. O leitor de hoje em dia usa motores de busca para encontrar o que quer, ainda há quem vagueie pelas livrarias em busca de títulos, mas essas pessoas estão em vias de extinção. Felizmente, muitos dos alojamentos online já incluem essas ferramentas, não sendo necessário qualquer gasto, mas só uma aprendizagem dos mesmos e escolher entre as várias opções existentes.

Se tivessem uma editora, quais opções escolheriam para cada uma das categorias?

sábado, 9 de novembro de 2013

Livros: The Puzzle Box

Recebi este livro através do programa de giveaways do Goodreads.


Autor: The Apocalyptic Four (Eileen Bell, Randy McCharles, Ryan T McFadden e Billie Milholland)
Sinopse: An intriguing anthology where reality is transient and the puzzle box holds the key to the meaning of life.
Archeology Professor Albert Mallory understands reality. He knows the way the world works. When he steals an ancient puzzle box to pay off gambling debts, he thinks the only mysterious thing about the artifact is how to get it open. But when a stranger appears at Albert’s door demanding to see the box, Albert is plunged into mysteries he never dreamt possible.
Through the tales of four others who succeeded in opening the puzzle box — a musician named Warlock with a weakness for witches; photographer Autumn Bailey, with a strange link to the past; video store clerk Angela Matterly with those unworldly eyes; and a comic book illustrator called Sam, on a quest for his life — Albert learns that reality is transient and the way the world works is not found in text books.


Como as diversas partes são distintas, optei por opinar sobre cada uma em separado.

Albert - A história que envolve as outras - 4 estrelas
Mesmo sem ser estritamente necessária ao livro, ela captura o leitor e adiciona um sabor especial ao produto final. Eu gostei bastante da personagem e da sua evolução através das cinco peças do puzzle.

The awakening of Master March - 4 estrelas
Eu adorei esta história! As personagens principais são memoráveis e é muito fácil de sentir empatia por elas. A história decorre fluída e mantêm o leitor interessado.

Autumn Unbound - 2 estrelas
Eu acho que esta é o conto mais fraco do livro. Não conseguiu atrair a minha atenção. Explorar uma Pandora no século XXI é original, mas foi o único ponto positivo.

Angela and Her Three Wishes - 3 estrelas
Esta história é hilariante! Realmente é a melhor palavra para a descrever. O ritmo é rápido e fluente e o humor é o ponto alto.

Ghost in the Machine - 5 stars
Já tinha passado algum tempo desde que fui apanhado desta maneira por um conto. É de longe a melhor história da antologia. É impossível não comparar à referência cultural que é o "Efeito Borbuleta" e nem assim diminui o seu impacto. O ritmo, as personagens e locais estivaram à altura da linha da história.

Classificação: 4 estrelas

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fantasy & Co: O Legado de Eros

O Blogue Fantasy & Co está a comemorar o seu centésimo conto com uma antologia de nome O Legado de Eros com os sub-géneros Erótico e Romântico.

Aproveito para acrescentar que tem o meu conto "A Primavera".

E já agora, cá fica o desvendar do mistério sobre a imagem: