domingo, 20 de outubro de 2013

Chá de Domingo #10: Atrasos

Todos temos que lidar com atrasos, umas vezes culpa dos outros, outras nossa (a maldita procrastinação) e as restantes não são culpa de ninguém. O Chá de Domingo desta semana é um bom exemplo de um atraso!


Apesar da postagem dizer que é do dia 20 às 17 horas, na verdade ele foi escrito no dia 26 às 20:00. Esta discrepância deve-se a uma atraso. Até aqui ainda não disse nada de novo, mas pelo menos já mostrei uma das consequências dos atrasos: aborrece as expectativas de outras pessoas. Não sei se há quem esteja habituado a ler esta rubrica todos os Domingos, mas se fosse o meu caso, eu ficaria chateado por não ter um artigo fresquinho à hora do chá!

Porque é que nos atrasamos?

A maior fonte de atrasos somos nós mesmos, ou porque adiamos o que realmente temos que fazer ou porque estamos muito ocupados. Por norma, a primeira é a mais frequente. O que é que podemos fazer contra isso? Organizar, meter uns minutos de parte para organizar e definir os objectivos de cada dia. Depois de sabermos o que queremos fazer, é necessário cumprir escrupulosamente as metas traçadas, sem arranjar desculpas do género: falta-me inspiração.

Quando os atrasos se devem aos outros, sentimos-nos impotentes. Como é que podemos lidar com essa situação? Definir metas e ter a certeza que eles as conhecem e que as vão cumprir. Claro que o cumprimento dos prazos depende da dedicação ao projecto e deve-se sempre tentar trabalhar com pessoas que estejam motivadas.

Por último vem o imprevisto. Na minha opinião, é o menos frequente, apesar de ser o mais citado para camuflar as verdadeiras causas (ninguém gosta de admitir que se atrasou tudo por sua culpa). Como lidar com os imprevistos reais? Na minha opinião, a maneira mais fácil é dar um espaço de manobra para todo o tipo de atrasos.

Agora devem estar curiosos sobre as razões do atraso da rubrica (isto é, se não estiverem demasiado furiosos por ter sido feita em cima do joelho). Durante o fim-de-semana participei num evento desportivo e desde Quarta-feira que ando adoentado (isto foi a desculpa do imprevisto). Na verdade, eu podia ter agendado o artigo antes do fim de semana e não o fiz por pura preguiça!

sábado, 19 de outubro de 2013

Livros: A Farewell to Arms

Este livro foi-me aconselhado já há algum tempo. Disseram-me que era o melhor deste autor.


Autor: Ernest Hemingway
Texto da contra-capa: 1918 Ernest Hemingway went to war, to the 'war to end all wars'. He volunteered for ambulance service in Italy, was wounded and twice decorated. Out of his experiences came A Farewell to Arms. Hemingway's description of war is unforgettable. He recreates the fear, the comradeship, the courage of his young American volunteer and the men and women he meets in Italy with total conviction. But A Farewell to Arms is not only a novel of war. In it Hemingway has also created a love story of immense drama and uncompromising passion.

 
Este livro deixou-me a pensar depois de o terminar. A impressão causada não desapareceu uma hora ou duas depois, durou dias. Ainda dura. O final foi excelente!

Agora vamos começar pelo início! Nas primeiras páginas descreve-se apenas a guerra, sem nunca se falar da personagens principal e quando a personagem finalmente surge, é-nos apresentada de uma forma quase indiferente. Todo o livro é narrado da mesma forma e muitos dos diálogos são pouco credíveis. Demora um bom bocado até a história começar realmente, mas quando isso acontece, o livro ganha interesse. A tensão vai crescendo e o final compensa o inicio menos forte. Poderá haver quem chore!

Recomendo a quem nunca leu nada de Hemingway e que tenha pachorra para passar as primeiras páginas sem desistir. 

Classificação: 4 estrelas

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Livros: O Profeta

Deram-me este livro e disseram-me que já o devia ter lido quando era mais novo. Eu aceitei o desafio.


Autor: Kahlil Gibran
Resumo: Os primeiros anos de vida de Kahlil Gibran foram passados no Líbano. Em 1895 - tinha 12 anos -, emigrou com a sua família para Boston. Após um período onde estudou em Paris, mudou-se para Nova Iorque e foi aí que escreveu o seu universalmente aclamado O Profeta.
Iniciado por Gibran aos 15 anos, O Profeta só surgiu na sua forma definitiva em 1923; foi traduzido em dezenas de línguas e alcançou o sucesso mundial.
Seguindo o versículo bíblico na sua simplicidade, Gibran combina ensinamentos cristãos, sufistas e budistas e, através da sua personagem Al-Mustafá, propõe a meditação filosófica com imagens retiradas da Natureza e inspira a reflexão e a elevação da alma.
Morreu em 1931, aos 48 anos.


O desfrutar deste livro tem muito a ver com a idade com que se lê. Escrito numa linguagem semelhante à das sagradas escrituras católicas, engloba os ensinamentos de várias religiões. É uma leitura fácil e que dá muito que pensar, especialmente aos mais novos, e pode ser uma grande fonte de inspiração.

Para pessoas com uma mente mais aberta, o livro não traz nada de novo e pode até tornar-se aborrecido, por bater em demasia na mesma tecla. Contudo, a simplicidade com que o faz é mais positiva que negativa.

Recomenda-se a jovens dos 14 aos 18 anos; e a adultos que nunca leram e tenham a mente aberta.


Classificação: 3 estrelas

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Livros: O Barão

Outro livro que me ofereceram, como recomendação de leitura.


Autor: Branquinho da Fonseca
Sinopse: Este livro reúne três contos escritos por Branquinho da Fonseca: O Barão, Mãos Frias e O Involuntário.


Em geral gostei das histórias, apesar de não terem mexido muito comigo. Deixo então um pequeno comentário a cada um dos contos:

O Barão é a melhor e destaca-se das restantes. Invoca um saudosista que vive num tempo que já não existe. A narrativa desenrola-se de um modo fluido e prende o leitor para saber o que poderá acontecer a seguir. As surpresas não param de surgir e a maior de todas aparece no final. Vale a pena. 4 estrelas

Mãos Frias não me motivou nem um bocadinho. Não se percebe muito bem o que acontece nem o final. Não me identifiquei com a personagem nem as sensações dela passaram para mim. 2 estrelas

O Involuntário ficou mediano. Algumas situações são mais caricatas do que o autor poderia desejar, mesmo assim gostei de ler. Não há muito mais a dizer sobre este conto. 3 estrelas.

Recomendo a quem nunca leu nada deste autor

Classificação: 3 estrelas

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Livros: O Gato Malhado e Andorinha Sinhá

Ofereceram-me este livro e disseram-me que tinha que o ler. Eu fiz o que me pediram!



Autor: Jorge Amado
Resumo: Jorge Amado escreveu O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, em 1948, para o seu filho João Jorge, quando este completou um ano de idade.

O texto andou perdido, e só em 1978 conheceu a sua primeira edição, depois de ter sido recuperado pelo filho e levado a Carybé para ilustrar.

Com ilustrações belíssimas, para um belíssimo texto, a história de amor do Gato Malhado e da Andorinha Sinhá continua a correr mundo fazendo as delícias de leitores de todas as idades.

 
Estamos perante um trabalho de mestre.

É uma história construída em camada, numa mistura de vários géneros e capaz de agradar a públicos de idades distintas. A moral está ao alcance de todos e só a linguagem com fortes traços de oralidade brasileira pode ser um obstáculo para algum leitor menos persistente. Apesar da sua aparenta simplicidade, toca temas fortes como o amor, inveja, morte e preconceito.

Recomendo a todos os que gostam de histórias para crianças e para os mais crescidos também! 

Classificação: 5 estrelas

domingo, 13 de outubro de 2013

Chá de Domingo #9: Editoras

Esta já me andava entalada há algum tempo. Peço desculpa se para algumas pessoas estou a dizer o óbvio, mas muito boa gente anda por ai enganada.


Para deixar isto bem claro, existem três tipos de editoras:

  1. Editoras Comerciais de Grande Público
  2. Editoras Comerciais de Pequeno Público
  3. Editoras Levianas
Vou analisar cada um dos tipos, tentando ser objectivo.

Editoras Comerciais de Grande Público


São editoras que mais importam livros, sendo responsáveis pela maioria das traduções. É muito raro investirem em novos talentos. Fazem-no através de concursos que estão condicionados pelas opiniões dos seus membros. Uma das abordagens mais utilizadas para levar "sangue novo" à editora sem grande compromisso, é a publicação de antologias, no caso da Saída de Emergência. A Presença, por sua vez, tem mostrado mais abertura a autores estreantes através da casa-mãe ou diferentes chancelas. Todavia, essas iniciativas ainda são muito raras. Pertencem a um conjunto de pessoas e por vezes a outras empresas maiores. Não cobram pela edição, mas podem demorar meses a responder, isso é, se alguma vez o chegarem a fazer. São as primeiras a serem abordadas pelos autores, por serem as mais conhecidas. Claro que todos querem publicar por estas editoras, pois elas possuem uma rede de distribuição sofisticada e é garantidos que os livros irão aparecer nas prateleiras das principais livrarias e que haverá uma promoção séria do mesmo. Contudo, o objectivo principal destas editoras é o lucro!


Editoras Comerciais de Pequeno Público


Exemplos: Arauto
São editoras com um orçamento limitado, geridas por pessoas motivadas mais pelo gosto do que pelo lucro. Investem em novos talentos, criando pequenas edições que alvejam pequenos nichos de mercado. Por norma, também não cobram pela edição, mas só aceitam manuscritos de um certo género. Por contraste às de grande público, são empresas pequenas com menos preconceitos em responder às submissões. Não se pode esperar que estas editoras consigam distribuir os livros com eficiência, baseando-se muito na palavra de boca em boca e nos pequenos grupos de fãs. Devido às dificuldades económicas para manter um negócio rentável, tanto aparecem como podem desaparecer passado alguns meses, abrindo falência, mudando a estratégia para o grande público ou tornando-se levianas. Carecem de um plano de negócios forte e vêem-se sobre forte pressão dos outros dois tipos de editoras. Pela sua instabilidade e falta de reputação, os autores não costumam apostar nelas.


Editoras Levianas


Este é o tipo de editora mais numeroso. Em geral são pequenas empresas que editam qualquer género de livro, estando receptivos a qualquer autor, mesmo os desconhecidos. A grande desvantagem deste tipo de negócio é que eles cobram pela edição do livro, não se preocupando muito com a distribuição ou promoção do mesmo. Muitas destas empresas são conhecidas por não reverem os livros e não lhe darem um design profissional, mas como em muitas coisas, há excepções à regra. Por vezes, os contratos são abusivos, prendendo o livro e o autor à editora durante vários anos. Outro esquema usado por estas editoras são antologias, em que aceitam um número imenso de autores, esperando receber o seu lucro pelas vendas dos exemplares aos escritores que participaram.


Quero agradecer ao Carlos Silva e ao Vitor Frazão pelas valiosas sugestões.

sábado, 12 de outubro de 2013

Livros: Crome Yellow

Encontrei este livro em desconto e não resisti. Já tinha lido o Admirável Mundo Novo e quis descobrir mais sobre este autor.


Autor: Aldous Huxley
Resumo: Denis Stone, a naive young poet, is invited to stay at Crome, a country house renowned for its gatherings of 'bright young things'. His hosts, Henry Wimbush and his exotic wife Priscilla, are joined by a party of colourful guests whose intrigues and opinions ensure Denis's stay is a memorable one. First published in 1921, Crome Yellow was Aldous Huxley's much-acclaimed debut novel.



Escrito um pouco ao estilo de O Grande Gatsby, Crome Yellow retrata os anos vinte do ponto de vista britânico. O protagonista é um decalque do autor, um jovem escritor que decide passar uma temporada numa mansão onde se reúnem jovens talentos. A maioria das personagens são baseadas em pessoas que se cruzaram com ele numa das mansões que ele costumava frequentar.

O estilo de livro é muito diferente do que estava à espera de Huxley, um livro com bastante humor, contrastando com a sua obra prima, O Admirável Mundo Novo. Chama vários temas em voga nessa altura, alguns dos quais ainda são capazes de meter um leitor moderno. O único problema é mesmo a narrativa que, por vezes, se arrasta durante capítulos sem que nada interessante aconteça.

Recomendo a quem gostar de um livro escrito mais para rir e pensar do que propriamente para contar uma história.

Classificação: 4 estrelas