sábado, 21 de setembro de 2013

Livros: Um Cappuccino Vermelho

Para variar decidi ler um autor português, que apesar de desconhecido, apresenta bastante potencial.


Autor: Joel G. Gomes
Texto da contra-capa: As pessoas que conhecem Ricardo Neves dividem-se em dois grupos: os que o conhecem como autor de policiais e os que o conhecem como assassino profissional.
Ricardo sempre cuidou para que estas duas facetas da sua vida não misturassem. Tudo se complica quando recebe uma lista de alvos demasiado próximos do seu mundo de escritor. A colisão torna-se inevitável e Ricardo não tem como a impedir.

***

João Martins é um escritor com prazos para cumprir e sem ideias para desenvolver. Até que tem a ideia de escrever sobre um escritor que é também assassino profissional.
A surpresa acontece quando pessoas à sua volta começam a morrer tal e qual ele descreve no seu livro. A dúvida surge de imediato: estarão as mortes a acontecer porque ele as escreve ou será ele um mero narrador de eventos predestinados a acontecer?


Tenho de dizer que o livro começa mal, muito mal mesmo. O infodump inicial sobre o café é longo e desapropriado. Se eu quisesse ler um tratado sobre o café, teria comprado um livro sobre a especialidade (como fiz sobre o Whisky) ou consultaria a Wikipédia. Quando leio um livro de ficção, espero ler ficção. Outro ponto negativo são as descrições das acções, tão pormenorizadas como inúteis para o avançar da história. Às vezes salta descrições que podiam interessar aos leitores, o que gerou alguma frustração. Por fim, tem um problema de estrutura: o prólogo era dispensável e não tem um entrelaçamento entre as personagens, indispensável para motivar a leitura.

Agora a parte positiva: a ideia de misturar ficção com a realidade não se esgota com facilidade, por isso um livro com esta premissa é sempre agradável de se ler. O final salva o livro!

Em resumo: uma boa ideia, mas mal concretizada. Espero que o autor melhore a sua técnica e que nos possa presentear com as suas excelentes ideias.


Classificação: 2 estrelas

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Uma Aventura no Sítio Errado

Aqui vamos para mais um livro infanto-juvenil. Estes livros conseguem até entreter uma pessoa, se as espectativas forem adequadas e não se quiser fazer nenhum esforço mental.


Autores: Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Texto de apresentação: Esta Aventura decorre numa quinta misteriosa e isolada. Excepcionalmente, não se identificou a localização para que os leitores possam imaginar o cenário na zona que desejarem. As personagens viajam de comboio, adormecem, e quando acordam a estação onde deviam apear-se já ficou para trás e, por isso, acabam por ir parar ao sítio errado, a dita quinta. Gente exótica, um festival de magia, o dono da casa, que na sequência de uma agressão fica amnésico e toma o Pedro por seu filho, ruídos na noite, enigmas para desvendar, passagens secretas, tudo se conjuga para que as surpresas se sucedam a um ritmo alucinante até ao último capítulo. Um livro excelente para despertar ou aprofundar o gosto pela leitura, na escola ou em casa.


Apesar de ter um desenvolvimento muito mais rápido que os outros e um twist final um pouco menos previsível, pecou por ser tão curto e tão pouco desenvolvido. Contudo, cumpriu o objectivo de me entreter durante alguns quarto de hora.

Ainda não me consigo habituar a ler no novo acordo ortográfico. Cada vez que aparece um erro até me apetece espirrar.

Classificação: 3 estrelas

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

The Illustrated Man

Esta quarta-feira não houve texto original, por isso vão ter que gramar com mais uma crítica. Peço a vossa compreensão!

Este encontrei-o numa loja de livros em segunda-mão e como queria conhecer mais da obra de Ray Bradbury, já não o larguei.


Autor: Ray Bradbury
Resumo do Goodreads: That The Illustrated Man has remained in print since being published in '51 is fair testimony to the universal appeal of Bradbury's work. Only his 2nd collection (the 1st was Dark Carnival, later reworked into The October Country), it's a marvelous, if mostly dark, quilt of science fiction, fantasy & horror. In an ingenious framework to open & close the book, Bradbury presents himself as a nameless narrator who meets the Illustrated Man--a wanderer whose entire body is a living canvas of exotic tattoos. What's even more remarkable, & increasingly disturbing, is that the illustrations are themselves magically alive, & each proceeds to unfold its own story, such as "The Veldt," wherein rowdy children take a game of virtual reality way over the edge. Or "Kaleidoscope," a heartbreaking portrait of stranded astronauts about to reenter our atmosphere--without the benefit of a spaceship. Or "Zero Hour," in which invading aliens have discovered a most logical ally--our own children. Even tho most were written in the '40s & '50s, these 18 classic stories will be just as chillingly effective 50 years from now.


É sempre um prazer descobrir partes da obra deste escritor. Apesar de não ser a sua obra mais conhecida e de já ter lidos as crónicas marcianas (que é um livro do mesmo género), não fiquei desapontado com o que encontrei. As diferentes histórias não parecem ter qualquer ligação, contudo o Homem Ilustrado providencia uma relação adequada entre elas. A obra centra-se num misto de ficção científica com uma pitada de fantasia e para os amantes do género é um livro a não perder.

Todavia, nem tudo foi perfeito, alguns contos demoraram um bocado para que eu me envolvesse neles, o que prejudicou a leitura. Não consigo perceber o que se passou, e poderá mesmo ter sido do meu cansaço aquando da leitura.

Um tema recorrente do livro foi a morte. O outro tema foram as crianças. Qual seria a mensagem que o autor quereria passar? Não sei a resposta, mas acho que irei pensar nos contos durante muito tempo.


Neste livro faltam o contos "The Rocket Man", "Fire Ballons", "The Exiles", "The Concrete Mixer" e "The Illustrated Man". O meu favorito foi o "The Rocket". A mensagem é muito bonita e mostra o melhor do amor paternal. Aconteça o que acontecer, se deitarem as mãos a este livro, não deixem de ler este conto em particular. Está muito bem conseguido e garanto que vos vai entreter e surpreender.


Classificação: 4 estrelas

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

The Worst-Case Scenario - Survival Handbook

Encontrei este numa loja de livros em segunda mão e não resisti em comprá-lo para casa.


Autor: Joshua Piven e David Borgenicht
Texto da contra-capa: Danger! It lurks at every corner. Volcanoes. Sharks. Quicksand. Terrorists. The pilot of the plane blacks out and it's up to you to land the jet. What do you do? The Worst-Case Scenario Survival Handbook is here to help: jam-packed with how-to, hands-on, step-by-step, illustrated instructions on everything you need to know FAST-from defusing a bomb to delivering a baby in the back of a cab. Providing frightening and funny real information in the best-selling tradition of the Paranoid's Pocket Guide and Hypochondriac's Handbook, this indispensable, indestructible pocket-sized guide is the definitive handbook for those times when life takes a sudden turn for the worse. The essential companion for a perilous age. Because you never know...


Com algum humor e bastante rigor, estes dois escritores dão dicas de como sobreviver nas situações mais perigosas. A maioria das dicas são apenas válidas para casos mais específicos, como por exemplo da luta com espadas não é recomendável para todos os tipos de espadas e pode induzir em erro. Não é que seja provável alguém envolver-se numa luta com sabres nos dias de hoje, mas tomei isso como avaliação para os restantes casos.

No somatório, acho que é um livro bastante completo e útil em muitas situações que parecem impossíveis mas que, com umas pequenas dicas, se tornam possíveis.

Recomenda-se a aventureiros e a escritores que precisem de personagens aventureiras que se metam em muitos sarilhos.


Classificação: 4 estrelas

domingo, 15 de setembro de 2013

Chá de Domingo #5: Procrastinar

O tema desta semana vem mesmo a calhar! Esta semana decidi procrastinar e não escrever o Chá de Domingo durante o fim-de-semana, tornando-se um bom exemplo daquilo que queria aqui falar hoje.


Todo o escritor que é escritor já procrastinou. Não venham cá com negações ou desculpas! Sabem bem que já o fizeram! Não digo que procrastinar é exclusivo dos escritores, porque não é. Aliás, acho que há por ai muita boa gente que procrastina e nem sequer sabe o que a palavra significa.


Apesar de ser uma praga em todas as actividades humanas, afecta em especial os escritores. Por exemplo adiei este artigo! Adiamos o primeiro rascunho, adiamos a revisão, adiamos as mudanças, adiamos os cortes. Um escritor passa a vida a adiar o dia em que dirá que a sua obra está completa. Este desafio pela perfeição impossível impede que muitos livros algum dia vejam a luz do dia.

A procrastinação está tão ligada ao bloqueio que algumas pessoas até confundem uma com a outra. Há partes do livro que não nos apetece escrever e com isso gastamos uma data de tempo, fazendo outras coisas, como se aquela parte se escrevesse sozinha.

Eu combato isso com hábitos de escrita estritos. Há uma hora e local para escrever. Enquanto estou ali, não faço mais nada, não interessa o que estiver pendente! Mesmo assim, raramente consigo cumprir os prazos, mas isso é devido aos imprevistos, que podem ser assunto para outro chá.

É frequente procrastinarem? Acontece-vos muitas vezes ficarem bloqueados? Acham que as duas coisas estão ligadas? O que fazem contra isso?

sábado, 14 de setembro de 2013

The Man Who Broke Into Auschwitz

Confesso que comprei este livro pela capa. O assunto interessava-me e eu não consegui resistir.


Autor: Denis Avey com Rob Broomby
Texto da contra-capa: "The Man Who Broke into Auschwitz" is the extraordinary true story of a British soldier who marched willingly into the concentration camp, Buna-Monowitz, known as Auschwitz III. In the summer of 1944, Denis Avey was being held in a British POW labour camp, E715, near Auschwitz III. He had heard of the brutality meted out to the prisoners there and he was determined to witness what he could. He hatched a plan to swap places with a Jewish inmate and smuggled himself into his sector of the camp. He spent the night there on two occasions and experienced at first-hand the cruelty of a place where slave workers, had been sentenced to death through labor. Astonishingly, he survived to witness the aftermath of the Death March where thousands of prisoners were murdered by the Nazis as the Soviet Army advanced. After his own long trek right across central Europe he was repatriated to Britain. For decades he couldn't bring himself to revisit the past that haunted his dreams, but now Denis Avey feels able to tell the full story--a tale as gripping as it is moving--which offers us a unique insight into the mind of an ordinary man whose moral and physical courage are almost beyond belief.

Link do Goodreads

É um livro fácil de ler, apesar de se tornar um pouco chato por demorar até chegar à parte que realmente me fez comprar o livro. Acho extremamente curtas as cenas das trocas e não creio que merecesse um livro tão grande para contar a história toda, havendo muitas partes que eram dispensáveis.

Fora esse detalhe, é uma história humana, de sofrimento, coragem, sadismo e loucura. Consegue emocionar e enraivecer com a violência inerente ao Holocaustro. Algumas situações são tão irreais que parecem retiradas de um filme ou livro de ficção.

Foi bem escrito e é tão detalhado como uma biografia pode ser.

Recomenda-se a leitura, mas sem grandes expectativas.

Classificação: 3 estrelas

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

As minhas participações na Nanozine

Quem é que já conhece o projecto Nanozine?


Qual o objectivo da Nanozine?

A Nanozine foi criada a pensar em muitas pessoas que gostam de escrever e colocam os seus escritos na gaveta a pensar que não são escritores. Como achamos que a qualidade de um texto deve ser avaliada pelo leitor, achamos por bem aceitar textos com os mínimos. Que mínimos são esses? Textos coerentes, sem erros ortográficos. Gostamos de proporcionar aos nossos leitores e autores uma troca agradável de textos diferentes.

Já participei em dois números desta e-zine:

Nanozine 6

Este número foi dedicado ao Steampunk e contou com vários nomes sonantes da comunidade portuguesa, como é o caso de Anton Stark e Marcelina Leandro. A minha contribuição foi um pequeno conto "A Alergia".

Revista em PDF - Link do Goodreads

Nanozine 7

Este número foi lançado nos espírito Nanowrimo e contém trabalhos de vários géneros, escritos por Joel G. Gomes, Carlos Silva, entre outros. O meu conto "O Fruto Proibido" foi também publicado.

Revista em PDF - Link do Goodreads

Se quiserem saber mais sobre a Nanozine, podem consultar este link.

Para ler os números já lançados desta e-zine, cliquem aqui.

Para os escritores que seguem este blogue, para participar podem fazê-lo aqui.