quinta-feira, 4 de julho de 2013

Camp Nanowrimo - Julho 2013: dia 4

Diário em resumo:
Dia mau!
Dia muito bom!
Dia mau!
Dia muito mau!

Hoje o trabalho deu-me um grande golpe no tempo que tinha reservado à escrita. Quando vi isto perdido, fiz antes outras coisas que tinha em atraso. Fiquei-me pelas 329, num total de 3818 palavras.

O capítulo 7 foi complicado de se escrever pois ainda não estou estou fluente na lingua que inventei e a parte mais importante eram justamente os diálogos. Pelo menos a língua funciona como eu esperava, criando as situações que eu pretendia.

Espero que amanhã o dia me corra melhor!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Camp Nanowrimo - Julho 2013: dia 3

Hoje fiquei-me pelas 881 palavras e nem sequer completei o capítulo. Foi um dia complicado em termos de trabalho e tão cansativo que no pouco tempo livre que tive não consegui pegar nisto de jeito. O meu total ficou-se pelas 3489. O mais engraçado é que escrevi pouco no livro e pouco aqui. Vamos ver se amanhã faço melhor.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Camp Nanowrimo - Julho 2013: dia 2

Hoje atingi a excelente marca de 1808 palavras, perfazendo um total de 2608. Descobri também que a minha distracção em relação ao planeamento foi enorme, já que o mês tem 31 dias e eu só contei com 30. Assim sendo, o par para hoje são 2903 palavras, o que me dá um atraso de 300. Fico contente que o erro tenha sido este pois ao contrário seria bem pior.

Os totais de palavras não são o mais importante. A métrica que uso por aqui são os capítulos e sob esse ponto de vista eu cumpri os objectivos do dia (os de ontem e os de hoje). A história conta já com 6 capítulos completos!

O capítulo 5 foi um tanto custoso de escrever, tanto que nem o consegui terminar ontem. Por norma, algo que custa a escrever, vai custar a ler. É algo a reflectir quando o rever.

O capítulo 6 escreveu-se de um modo mais fluído, se bem acho que a linguagem ficou muito a desejar. Pela filosofia do Nano, nem sequer devia olhar para trás, mas é algo que o meu espírito crítico não resiste em fazer.

Agora é hora de descansar, que amanhã há mais caminhos da ficção para desbravar!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Camp Nanowrimo - Julho 2013: dia 1

O primeiro dia arrancou aos solavancos!

Entre relembrar o layout e reler os quatro capítulos que já tinha escrito foram logo uns três quartos de hora à vida. Depois ainda tive de interromper a escrita para fazer um pouco de worldbuilding. No fundo, a escrita do dia resumiu-se a dois sprints de cerca de uma hora cada. No total produzi cerca de 800 palavras (é impossível ter um valor exacto, por já ter quatro capítulos completos e voltar atrás algumas vezes para realizar alterações).

Uma das grandes dificuldades do livro é precisamente o worldbuilding e nessa tarefa que o gosto especial reside. As diferenças entre o nosso mundo e o ficcional são tão profundas que preciso de uma nova linguagem, uma nova religião, um novo código moral, uma nova organização da sociedade, etc...

Como alvejei para as 1500 palavras por dia, fiquei com 700 de atraso. Nada bom para o primeiro dia, mas perfeitamente recuperável.

domingo, 30 de junho de 2013

Camp Nanowrimo: Julho de 2013

E decidi mais uma vez participar no Camp Nanowrimo. Vão ser outros 30 dias de escrita intensa, com o objectivo de avançar com "O canto do Rouxinol", o meu primeiro romance de ficção científica distópica.

Vou tentar escrever 45k palavras durante este mês, o que dá uma média simpática de 1500 por dia, ou seja, um capítulo. Acho um objectivo realista, para o qual espero gastar cerca de 3 horas diárias. A história está deverá ter cerca de 60 capítulos, como já escrevi 4, espero passar largamente do meio.

É claro que o Nanowrimo depende de muitos factores e estar atolado em trabalho não vai ajudar. Vou dar o meu melhor e esforçar-me por não deixar atrasar.

Deixo aqui o link para o meu livro no Camp Nanowrimo: http://www.campnanowrimo.org/campers/selenyum/novels/o-canto-do-rouxinol-parte2

E toca a escrever que se faz tarde!

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A Caçadora de Corrinos

A Melange estende a vida, a Melange expande a consciência, a Melange é vital para as viagens interplanetárias. Quem controlar a Melange, controla o universo.
- Princesa Irulan




Shlaby observou as três pessoas voltadas para o destilador. O silêncio reinava e era abismal.

O irmão deu um passo em frente, desembainhando a sua Cris. Como todos os habitantes do planeta, usava um fato destilador negro e os olhos eram de um azul aquoso.

- Meu pai ensinou-me a montar as Shai-Hulud, ensinou-me a sangrar os invasores Corrino. Lado a lado lutamos, e a meu lado morreu. A vingança virá e esta Cris há-de beber sangue Corrino! – prometeu Kabir, picando-se no dedo indicador antes de guardar a arma.

- Ele foi um guerreiro à altura dos seus antepassados, que a sua água permaneça connosco – acrescentou um guerreiro.

- Ele salvou-me do fogo inimigo e eu não consegui retribuir. Que o Grande Criador me perdoe.

Deu ao pai a honra máxima dos Fremen, na forma de uma lágrima solitária que lhe percorreu a bochecha, caindo sobre a poeira. Não eram necessárias palavras.

Quando a cerimónia terminou, dirigiu-se aos seus aposentos. Despiu os anéis do cabelo e deixou-os sobre a mesinha. Eles eram a sua maior riqueza, representando água, a moeda de troca entre o povo do deserto.

Kabir entrou no quarto sem avisar.

- Não podes fazer isso! – protestou, ao ver os anéis.

- Eu faço o que tenho que fazer!

- Mas é só uma profecia…

- Quantos é que já morreram para que, num futuro remoto, Duna seja um paraíso verdejante?

O irmão olhou-a surpreendido.

- Não é a mesma coisa. Transformar Duna é o nosso objectivo. O que a Bene Gesserit disse são só histórias e só servem os objectivos daquelas bruxas.

- Ela tomou a Água da Vida e não morreu, isso deveria ser suficiente.

- Para mim não é!

- Desperdiças a tua água neste assunto, já tomei a minha decisão. Irei completar o que o meu pai começou!

- Eu vou contigo…

- Isto é o trabalho de uma pessoa, e tu sabe-lo melhor que eu.

Ele virou-lhe costas e, sem responder, saiu. Receando a decisão vacilar, vestiu o fato destilador e caminhou para a saída. Ninguém ousou cruzar o olhar com ela. Sabiam que não regressaria. Apoderou-se de um saco de equipamento e enfrentou o deserto.

A areia estava calma e não se via vivalma naquela imensidão. Não havia vento e o sol estava a pique, espalhando os seus raios letais sobre todo o planeta. Durante quase meia hora caminhou num passo sem padrão, afastando-se do acampamento. Instalou chamariz e afastou-se a uma distância segura.

Não tardou que o batimento repetitivo produzisse os resultados. Um verme da areia aproximava-se a grande velocidade. Shlaby não ousou mexer-se. Por um momento duvidou, não enfrentava semelhante desafio desde a adolescência. O animal era dos grandes, tendo pelo menos meia légua. A boca circular, preenchida com dentes iguais à sua faca, tinha bem mais de trinta pés de diâmetro.

Deixou que o bicho passasse por si antes de estender o gancho e puxar uma das escamas castanhas. Com o outro gancho içou-se, mantendo sempre uma escama levantada, para impedir a serpente de se afundar na areia. Quando chegou ao topo, colocou um gancho de cada lado, reparando que andara às voltas. A partir daí era só puxar as escamas certas para direccionar o anelídeo gigante.

Conduziu-o até estar cansada, deixando o animal voltar às profundezas. De seguida apanhou outro, precisando de mais dois antes de anoitecer.

Ao montar a tenda, reparou que os ventos de Coriolis estavam próximos. A tempestade que nunca abandonava o planeta iria passar por ali. Os ventos passaram e a areia abateu-se sobre a estrutura. Shlaby deixou-se dormir, e quando acordou o tornado ainda não se afastara.

Teve de esperar outro dia antes que a intempérie aclamasse. Quando destrancou a abertura, a areia invadiu o pequeno espaço. Impulsionou-se para a frente e esgravatou, sustendo a respiração, até chegar à superfície.

A tenda estava perdida, assim como o resto de equipamento. Só lhe restava o fato destilador e a Cris. Pôs-se a caminho, guiando-se pelo sol.

Ao chegar a noite, enterrou-se parcialmente na areia para poder suportar o frio. As temperaturas desceram uma centena e meia de graus com o anoitecer. Não conseguiu dormir, o desconforto não a deixava. Interrogou-se quanto dias conseguiria aguentar tal prova.

Antes de o sol nascer, já se tinha levantado e começado a caminhar. Avistou a cidade a meio da tarde. Entrou pelos subúrbios, abandonando o fato destilador debaixo de uma pedra, com a vaga esperança de voltar. Se a previsão estivesse correcta, não faria qualquer diferença.

Percorreu as ruas à procura do palácio do governador, com o vestido creme e a Cris ao peito. Como anoitecia, decidiu entrar pelas traseiras, deduzindo que os criados fariam o mesmo.

Havia um guarda à porta, mas mesmo assim quis tentar a sua sorte. Quando passava por ele, ele disse-lhe algo que não entendeu. Estacou sem saber o que responder e sem esperar que ele desse o alarme, cortou-lhe a garganta num movimento súbito.

Olhou em volta. Ninguém vira o sucedido. Se fugisse agora, provavelmente não seria apanhada, contudo os próximos a tentar levar a cabo a profecia, teriam dificuldades acrescidas. Apertou o cabo da arma e correu para o interior do edifício.

De olhos postos no chão foi percorrendo o edifício. Cada vez que se cruzava com alguém, as suas entranhas contorciam-se. Parecia-lhe que seria apanhada a qualquer momento.

Quando soou o alarme, já se encontra perto da entrada dos aposentos do governador. Aproximou-se dos dois guardas que estavam à porta, sempre de olhos pregados no chão e as mãos no peito. O do lado esquerdo nem soube o que lhe aconteceu, o outro teve um segundo de agonia em que tentou atingio oponente, antes de a sua garganta também ser rasgada.

Shlaby apressou-se para o interior. Encontrou um homem na casa dos quarenta na sala de treino, protegido pelo escudo e empunhando um punhal. Os dois oponentes fitaram-se. Ela soube de imediato que o torso e face cobertos de suor pertenciam ao governador.

Percorreram um quarto de uma circunferência imaginária, avaliando-se mutuamente. Ela sabia que o seu tempo estava a esgotar-se. De súbito, atacou-o com uma estocada com a velocidade certa para atravessar o escudo. O oponente bloqueou-a com o punhal e contra-atacou. Shlaby saltou para trás, evitando o golpe. O adversário prosseguiu o ataque. Ela bloqueou com o braço esquerdo criando um rasgo profundo e com o direito desferiu um golpe mortal no pescoço do governador.

O corpo caiu sem vida, tal como fora descrito na previsão. Apesar do corte profundo, ela sorriu. Cumprira-se outro passo para que a profecia se concretizasse. Haveria um profeta que guiaria o seu povo. Um profeta que tudo veria e tudo saberia.

Ouviu passos no exterior.

- Os Corrino não ficarão com a minha água! – exclamou, abrindo a própria garganta.
dune-sandworm



Nota do autor:

Frank Herbert foi o criador do género ficção cientifica ecológica, encarnada no seu mais famoso trabalho, a saga Duna. Nascido em 1920 em Tacoma, morreu em 1986 vítima de complicações resultantes da operação contra o cancro pancreático.

A admiração pelo trabalho deste escritor começou muito antes de ler os livros, sob a forma da série televisiva “Duna”. A leitura da saga e dos subsequentes livros escritos pelo filho não me desapontou. Os críticos são unânimes, Frank Herbert é para a ficção cientifica como Tolkein é para a Fantasia. Face às infinitas possibilidades oferecidas por tão rico universo, não podia deixar de aproveitar a oportunidade para homenagear um dos maiores escritores do século XX.


Este conto foi escrito para a semana especial de homenagens em Abril de 2013 do blogue Fantasy & Co e publicado originalmente em http://fantasyandco.wordpress.com/2013/04/23/a-cacadora-de-corrinos-pedro-cipriano/

domingo, 16 de junho de 2013

Motivos de ausência - Maio/Junho 2013

Peço desculpa por ter estado um pouco ausente das minhas actividades como bloguer. Existem várias razões para o sucedido: entre o doutoramento e a nova editora, passando pelas outras coisas já fazia anteriormente. Não deverá melhorar nos próximos dois meses, contudo, terei o cuidado de entretanto publicar alguns textos que tenho aqui no baú e fazer alguns apanhados do que já foi publicado.

Em Julho irei participar no Camp Nanowrimo com o livro "O canto do Rouxinol" e espero poder dar actualizações diárias.