Durante o mês de Outubro não haverá novos textos no blog, já que irei concentrar-me na revisão do meu livro "Teia de Memórias". Ao invés disso, colocarei actualizações periódicas sobre o meu progresso.
Mantenham-se atentos às novidades!
Blogue dedicado às minhas aventuras literárias. Novos artigos todas as segundas, quartas e sextas. Rubrica especial de domingo: Chá de Domingo.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
sábado, 29 de setembro de 2012
Para pensar IV
Famílias ricas são pouco diferentes das famílias pobres. Ambas gostam de acumular coisas, se bem que no caso das primeiras, um castelo ou uma grande mansão pode ajudar imenso a guardar essa tralha valiosa. Bibliotecas de livros nunca lidos, decorações de metais preciosos e até mesmo o edifício é uma obra de arte. Se olharmos agora para o caso das famílias reais, o caso é bastante diferente, pois essas são mais do género de acumular castelos e mansões com o respectivo recheio.
Escrito no dia 1 de Setembro de 2012.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
A morte de David
Tinha sido uma festa daquelas, como costumavam dizer entre eles, com muito álcool, rock, alguma erva e muita loucura. Quase todos os seus amigos, conhecidos e colegas tinham estado presentes, pois era a mais importante festa académica, conhecida por queima das fitas, ou simplesmente queima. A festa tinha terminado com o despontar do dia e a escuridão havia-se desvanecido lentamente enquanto ele voltava para casa.
Precisava de se deitar rapidamente, pois sabia que estava completamente bêbado. O seu estado era tal que tinha demorou uma eternidade para conseguir encontrar as chaves do apartamento e ainda mais para abrir a porta.
Enquanto caminhava em direcção ao seu quarto, um ligeiro desvio levou-o à cozinha. Tinha a garganta seca, um dos primeiros sinais de ressaca, e precisava dum copo de água com urgência.
A cozinha estava no seu estado normal, com a loiça por lavar e os caixotes do lixo a abarrotar, com dezenas de moscas da fruta a sobrevoá-los. A falta de tempo para as limpezas não era surpreendente para seis estudantes que se comprometia tanto a ir a todas as festas como a tentar passar nos exames de todas as cadeiras. Naturalmente que existiam excepções naquela casa mas, esses também não limpavam porque não o queriam fazer sozinhos.
David demorou cerca dum minuto a encontrar um copo menos sujo que os restantes. Encheu com água da torneira e sorveu o líquido avidamente.
Ouviu passos atrás de si. Voltou-se sobressaltado, constatando que era apenas um dos rapazes que vivia consigo. Não esperava vê-lo em casa àquelas horas.
― Bom dia! ― cumprimentou.
― Bom dia. ― devolveu-lhe o rapaz com uma expressão neutra.
Dirigiu-se ao frigorífico, ainda zonzo com o efeito da bebida. Estava extremamente esfomeado, pois não comia nada há horas. Abriu a porta do frigorífico, retirou o pacote do fiambre e fechou-a de seguida com a ajuda do cotovelo. Como estava embriagado, o gesto não lhe correra como previra e a porta do frigorífico ficara entreaberta. Praguejou enquanto atirava o fiambre para cima da mesa, voltou a abrir a porta do frigorífico, fechando-a de seguida com uma velocidade excessiva.
Pegou na metade de um bico do dia anterior para fazer uma sanduíche. Olhou-a durante alguns segundos, o seu cérebro parecia demorar um eternidade para chegar à conclusão de que precisava de uma faca para abrir o pão. Percorreu a divisão com o olhar de modo descortinar onde poderia encontrar uma, descobrindo-a na mão do seu colega de apartamento.
― Podes emprestar-me essa faca por um momento? ― pediu David, tentando soar simpático.
― Agora estou a usá-la, vê se encontras outra ― respondeu-lhe o jovem, aparentemente mal-humorado.
― 'Tá bem! ― concordou David, sem ligar importância.
Virou costas e dirigiu-se ao lava loiça, procurando por alguma faca que pudesse lavar.
No momento seguinte, sentiu uma dor lancinante nas costas. Algo o tinha atingido, penetrado a sua pele e embatendo na omoplata. Sentiu os músculos serem rasgados por um movimento descendente.
― Foda-se! O que é que foi isso? ― balbuciou David confuso e com dificuldade em articular as palavras.
O golpe não fora muito profundo, todavia o sangue começou a correr ao removerem o objecto que o cortara, manchado-lhe a camisa. As pernas fraquejaram, obrigando-o a apoiar-se no balcão frio da cozinha. Como resposta, outro golpe atingiu-o novamente nas costas, desta vez atingindo uma profundidade superior.
― Aaaaaa! ― gritou de dor.
Sentiu-se em pânico ao perceber que estava a ser esfaqueado e que se não reagisse, iriam matá-lo ali mesmo. Porém, o álcool presente no sangue fazia com que os seus reflexos ficassem mais lentos. Quando a faca foi removida das suas costas conseguiu finalmente reagir. Infelizmente, ao tentar virar-se, simplesmente colapsou no chão.
As pernas não respondiam, a visão estava desfocada e ele sentia-se zonzo. A perda de sangue começava a ter os seus efeitos. Olhou para o atacante e um só pensamento lhe ocorreu: fugir, pois ele desejava a sua morte. Com um esforço tremendo, começou a arrastar-se pelo chão da cozinha em direcção à porta.
Um par de passos e o vulto aproximou-se dele. Sentiu outra facada e mais dor dor. De seguida outra e, por fim, outra. Tomado pelo pânico, David esforçava-se para ignorar a dor latejante, lutando para não perder os sentidos.
― Porquê? ― sussurrou virando-se com dificuldade, usando as últimas forças.
Como resposta, sentiu outro corte, tão profundo que provavelmente lhe perfurara os pulmões. Estava fraco e não sabia quanto mais tempo se conseguiria manter consciente. Para seu horror, o agressor deixara a faca no seu peito. A visão ficou estranhamente clara e pode ver a expressão do assassino. Os olhares cruzaram-se durante um momento, antes que atacante se colocasse em fuga.
David continuou a arrastar-se, cada vez com mais esforço. Tinha esperança de conseguir encontrar ajuda. Tentou gritar, mas não conseguiu. Via-se forçado a respirar como se tivesse corrido uma maratona.
Sentiu que estava húmido e, para seu horror, descobriu que estava a deixar um rasto de sangue à sua passagem, o seu próprio sangue. Naquele instante, a consciência de que provavelmente não iria sobreviver assolou-lhe a alma, pois a perda de sangue era excessiva. As dores estavam a diminuir de intensidade e ele percebeu que era um sinal de que o seu corpo desistia da luta.
Estupefacto, compreendeu então a razão de ter sido esfaqueado. Nunca imaginara que pudessem matá-lo por isso. O que acontecera não fora por sua vontade e nem sequer lhe dera importância. O erro fatal fora não ter reagido.
Era inútil resistir, só esperava que tudo terminasse depressa e sem mais dor. Com um sentimento de angustia profundo, vieram-lhe à mente todas as coisas que havia planeado fazer ao longo da sua vida. A sua família e os seus amigos iriam sofrer imenso, incluindo a sua namorada, Cristina, que iria morrer de desgosto quando soubesse que ele tinha morrido. Subitamente, o sentimento de profunda tristeza foi substituído por uma raiva incontrolável. O seu último desejo era que o assassino sofresse tal como ele havia sofrido. Desejava que morresse de uma forma igualmente cruel e injusta, fosse morto à traição da mesma maneira que matara.
Uma luz cegou-o. O sol havia rompido pela janela e a luminosidade invadira a cozinha. O calor do sol não chegou para balancear o frio que sentia. Olhou para a janela, apreciando o espectáculo maravilhoso e luz que o cegava. Foi com essa imagem que perdeu os sentidos.
Precisava de se deitar rapidamente, pois sabia que estava completamente bêbado. O seu estado era tal que tinha demorou uma eternidade para conseguir encontrar as chaves do apartamento e ainda mais para abrir a porta.
Enquanto caminhava em direcção ao seu quarto, um ligeiro desvio levou-o à cozinha. Tinha a garganta seca, um dos primeiros sinais de ressaca, e precisava dum copo de água com urgência.
A cozinha estava no seu estado normal, com a loiça por lavar e os caixotes do lixo a abarrotar, com dezenas de moscas da fruta a sobrevoá-los. A falta de tempo para as limpezas não era surpreendente para seis estudantes que se comprometia tanto a ir a todas as festas como a tentar passar nos exames de todas as cadeiras. Naturalmente que existiam excepções naquela casa mas, esses também não limpavam porque não o queriam fazer sozinhos.
David demorou cerca dum minuto a encontrar um copo menos sujo que os restantes. Encheu com água da torneira e sorveu o líquido avidamente.
Ouviu passos atrás de si. Voltou-se sobressaltado, constatando que era apenas um dos rapazes que vivia consigo. Não esperava vê-lo em casa àquelas horas.
― Bom dia! ― cumprimentou.
― Bom dia. ― devolveu-lhe o rapaz com uma expressão neutra.
Dirigiu-se ao frigorífico, ainda zonzo com o efeito da bebida. Estava extremamente esfomeado, pois não comia nada há horas. Abriu a porta do frigorífico, retirou o pacote do fiambre e fechou-a de seguida com a ajuda do cotovelo. Como estava embriagado, o gesto não lhe correra como previra e a porta do frigorífico ficara entreaberta. Praguejou enquanto atirava o fiambre para cima da mesa, voltou a abrir a porta do frigorífico, fechando-a de seguida com uma velocidade excessiva.
Pegou na metade de um bico do dia anterior para fazer uma sanduíche. Olhou-a durante alguns segundos, o seu cérebro parecia demorar um eternidade para chegar à conclusão de que precisava de uma faca para abrir o pão. Percorreu a divisão com o olhar de modo descortinar onde poderia encontrar uma, descobrindo-a na mão do seu colega de apartamento.
― Podes emprestar-me essa faca por um momento? ― pediu David, tentando soar simpático.
― Agora estou a usá-la, vê se encontras outra ― respondeu-lhe o jovem, aparentemente mal-humorado.
― 'Tá bem! ― concordou David, sem ligar importância.
Virou costas e dirigiu-se ao lava loiça, procurando por alguma faca que pudesse lavar.
No momento seguinte, sentiu uma dor lancinante nas costas. Algo o tinha atingido, penetrado a sua pele e embatendo na omoplata. Sentiu os músculos serem rasgados por um movimento descendente.
― Foda-se! O que é que foi isso? ― balbuciou David confuso e com dificuldade em articular as palavras.
O golpe não fora muito profundo, todavia o sangue começou a correr ao removerem o objecto que o cortara, manchado-lhe a camisa. As pernas fraquejaram, obrigando-o a apoiar-se no balcão frio da cozinha. Como resposta, outro golpe atingiu-o novamente nas costas, desta vez atingindo uma profundidade superior.
― Aaaaaa! ― gritou de dor.
Sentiu-se em pânico ao perceber que estava a ser esfaqueado e que se não reagisse, iriam matá-lo ali mesmo. Porém, o álcool presente no sangue fazia com que os seus reflexos ficassem mais lentos. Quando a faca foi removida das suas costas conseguiu finalmente reagir. Infelizmente, ao tentar virar-se, simplesmente colapsou no chão.
As pernas não respondiam, a visão estava desfocada e ele sentia-se zonzo. A perda de sangue começava a ter os seus efeitos. Olhou para o atacante e um só pensamento lhe ocorreu: fugir, pois ele desejava a sua morte. Com um esforço tremendo, começou a arrastar-se pelo chão da cozinha em direcção à porta.
Um par de passos e o vulto aproximou-se dele. Sentiu outra facada e mais dor dor. De seguida outra e, por fim, outra. Tomado pelo pânico, David esforçava-se para ignorar a dor latejante, lutando para não perder os sentidos.
― Porquê? ― sussurrou virando-se com dificuldade, usando as últimas forças.
Como resposta, sentiu outro corte, tão profundo que provavelmente lhe perfurara os pulmões. Estava fraco e não sabia quanto mais tempo se conseguiria manter consciente. Para seu horror, o agressor deixara a faca no seu peito. A visão ficou estranhamente clara e pode ver a expressão do assassino. Os olhares cruzaram-se durante um momento, antes que atacante se colocasse em fuga.
David continuou a arrastar-se, cada vez com mais esforço. Tinha esperança de conseguir encontrar ajuda. Tentou gritar, mas não conseguiu. Via-se forçado a respirar como se tivesse corrido uma maratona.
Sentiu que estava húmido e, para seu horror, descobriu que estava a deixar um rasto de sangue à sua passagem, o seu próprio sangue. Naquele instante, a consciência de que provavelmente não iria sobreviver assolou-lhe a alma, pois a perda de sangue era excessiva. As dores estavam a diminuir de intensidade e ele percebeu que era um sinal de que o seu corpo desistia da luta.
Estupefacto, compreendeu então a razão de ter sido esfaqueado. Nunca imaginara que pudessem matá-lo por isso. O que acontecera não fora por sua vontade e nem sequer lhe dera importância. O erro fatal fora não ter reagido.
Era inútil resistir, só esperava que tudo terminasse depressa e sem mais dor. Com um sentimento de angustia profundo, vieram-lhe à mente todas as coisas que havia planeado fazer ao longo da sua vida. A sua família e os seus amigos iriam sofrer imenso, incluindo a sua namorada, Cristina, que iria morrer de desgosto quando soubesse que ele tinha morrido. Subitamente, o sentimento de profunda tristeza foi substituído por uma raiva incontrolável. O seu último desejo era que o assassino sofresse tal como ele havia sofrido. Desejava que morresse de uma forma igualmente cruel e injusta, fosse morto à traição da mesma maneira que matara.
Uma luz cegou-o. O sol havia rompido pela janela e a luminosidade invadira a cozinha. O calor do sol não chegou para balancear o frio que sentia. Olhou para a janela, apreciando o espectáculo maravilhoso e luz que o cegava. Foi com essa imagem que perdeu os sentidos.
Este texto foi escrito para ser o prologo do livro Teia de Memórias. Todavia, decidi não incluí-lo no livro.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
A primeira vez
Fábio fora meticulosamente escrutinado pelo segurança antes de o deixarem entrar. Desde o momento em que colocara os pés naquela discoteca que se sentia nervoso. O fumo quase o deixava a chorar. Cada objecto daquele local gritava a palavra promiscuidade.
O sentimento de nervosismo era mais antigo que isso, vinha desde o momento em que decidira ir lá da última vez. Quisera ir sozinho. Quem mais o poderia acompanhar? Em algumas coisas, era melhor estar-se sozinho, e a noite numa discoteca chamada Orgulho era uma delas.
A vida era feita de escolhas e ele fizera a sua. Talvez não tivesse sido o melhor sitio onde começar, nem a sua escolha a mais acertada. Quem poderia saber?
Sem saber como agir, furou pelo meio da multidão que dançava freneticamente. Dirigiu-se ao balcão e pediu uma bebida. Qualquer bebida servia. Engoliu-a num trago e esperou que o líquido operasse a sua magia. Não tardou que bebesse uma segunda.
Num momento alguém se aproximou dele. Ele deixou. Precisava de sentir o toque. Precisava de algo que nunca tinha recebido. Precisava naquele momento.
Foram um tanto confusas as palavras trocadas. Saíram da discoteca juntos. O carro arrancou logo de seguida, conduzido a um apartamento. Foi levado a uma cama, as roupas voaram e, pela primeira vez, ele conseguiu aceitar-se tal como era.
Partilharam o prazer carnal como se o fim do mundo estivesse para chegar. Experimentaram até à exaustão.
No fim, ficaram deitados a olhar um para o outro. Fábio viu que dificilmente algum dia amaria aquela face barbeada e uns bons dez anos mais velha. Mesmo assim, dera-lhe algo que nunca tivera. De manhã seria outro dia e eles iriam separa-se como se nunca se tivessem conhecido.
Este conto foi escrito como desafio semana de um grupo de escrita.
O sentimento de nervosismo era mais antigo que isso, vinha desde o momento em que decidira ir lá da última vez. Quisera ir sozinho. Quem mais o poderia acompanhar? Em algumas coisas, era melhor estar-se sozinho, e a noite numa discoteca chamada Orgulho era uma delas.
A vida era feita de escolhas e ele fizera a sua. Talvez não tivesse sido o melhor sitio onde começar, nem a sua escolha a mais acertada. Quem poderia saber?
Sem saber como agir, furou pelo meio da multidão que dançava freneticamente. Dirigiu-se ao balcão e pediu uma bebida. Qualquer bebida servia. Engoliu-a num trago e esperou que o líquido operasse a sua magia. Não tardou que bebesse uma segunda.
Num momento alguém se aproximou dele. Ele deixou. Precisava de sentir o toque. Precisava de algo que nunca tinha recebido. Precisava naquele momento.
Foram um tanto confusas as palavras trocadas. Saíram da discoteca juntos. O carro arrancou logo de seguida, conduzido a um apartamento. Foi levado a uma cama, as roupas voaram e, pela primeira vez, ele conseguiu aceitar-se tal como era.
Partilharam o prazer carnal como se o fim do mundo estivesse para chegar. Experimentaram até à exaustão.
No fim, ficaram deitados a olhar um para o outro. Fábio viu que dificilmente algum dia amaria aquela face barbeada e uns bons dez anos mais velha. Mesmo assim, dera-lhe algo que nunca tivera. De manhã seria outro dia e eles iriam separa-se como se nunca se tivessem conhecido.
Este conto foi escrito como desafio semana de um grupo de escrita.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Histórias de terror
À noite, as plantas maiores contam histórias de terror aos rebentos, quase sempre sobre vegetarianos.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
As certezas de Heisenberg
Werner
pousou a caneta e atirou com a folha de papel para o cesto. Havia
algo de errado com aquele calculo de probabilidade. O resultado era
demasiado baixo e tinha a sensação que lhe faltava algo.
Olhou
pela janela. Tudo estava calmo. Decorria uma guerra e ninguém
parecia dar de conta. A vida prosseguia o seu rumo.
A
Wehrmacht desfilara pelas ruas de Paris há apenas uma semana. Outra
vitória rápida e decisiva devida à Blitzkrieg. O mundo nunca mais
seria o mesmo.
Naquele
momento, o futuro decidia-se numa folha de papel. Recomeçou
novamente, fez assumpções e aproximações diferentes, contudo tudo
parecia dar no mesmo. Cada vez mais furioso, atirou a folha para o
lixo e, de seguida pontapeou o balde. O conteúdo espalhou-se pela
sala. Inúmeras horas de trabalho haviam sido desperdiçadas, num
problema que aparentemente não tinha solução.
Abandonou
a sala e dirigiu-se à casa de banho. Ao entrar e ver a sua imagem
reflectida no espelho, teve uma ideia. Correu de volta à sala e
repetiu os cálculos, assumindo um material reflector envolvendo o
material. Concentrado, repetiu todos os cálculos. O resultado era
muito mais animador, tão bom que decidiu repetir as contas para ter
a certeza.
Os
dois resultados coincidiam. O número era muito baixo. Dez
quilogramas. Só eram necessários dez quilogramas.
-
Come esta Oppenheimer! Desta vez levei a melhor! - exclamou
triunfante.
Tinha
na mão o resultado cientifico mais cobiçado do planeta. Não sabia
o que fazer com ele. Não tinha dúvidas do uso que seria feito dele
e também sabia que outros poderiam chegar às mesmas conclusões.
Eram
nós ou eles. Uma pergunta com uma resposta muito fácil. Pegou uma
folha em branco e começou a redigir uma carta.
O
que Heisenberg escreveu ao Führer ficou para a história. Todos os
recursos foram alocados àquele projecto. O ataque às ilhas
britânicas foi contido por um ano e bastou apenas um bombardeamento
como a nova bomba para Churchill assinar a rendição. Uma semana
depois foi a vez de Estaline fazer o mesmo. O resto da Europa nem
ousou oferecer resistência, sendo as principais capitais ocupadas
numa questão de dias.
O
Estados Unidos da América não aceitaram a derrota e tentaram impor
uma guerra de desgaste em duas frentes e com a rendição da China
ficaram totalmente sozinhos. Entretanto, o Reich havia desenvolvido
um projéctil de longo alcance que podia ser lançado a partir de um
submarino. Bastaram apenas dois para causar o mesmo pânico que na
Europa e quebrar a resistência do inimigo.
O
futuro da humanidade decidira-se numa simples folha de papel.
Este conto foi escrito como trabalho de um grupo de escrita.
Este conto foi escrito como trabalho de um grupo de escrita.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Para pensar III
Não há nada mais desesperante do que um escritor que quer escrever e não pode.
15-09-2012
15-09-2012
Assinar:
Postagens (Atom)