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sábado, 24 de maio de 2014

Livros: Thud!

Para minha grande vergonha (e preguiça), ainda não tinha lido nenhum livro de Terry Pratchett.


Autor: Terry Pratchett
Sinopse: Koom Valley? That was where the trolls ambushed the dwarfs, or the dwarfs ambushed the trolls. It was far away. It was a long time ago.
But if he doesn't solve the murder of just one dwarf, Commander Sam Vimes of Ankh-Morpork City Watch is going to see it fought again, right outside his office.
With his beloved Watch crumbling around him and war-drums sounding, he must unravel every clue, outwit every assassin and brave any darkness to find the solution. And darkness is following him.
Oh . . . and at six o'clock every day, without fail, with no excuses, he must go home to read 'Where's My Cow?', with all the right farmyard noises, to his little boy.
There are some things you have to do.


Este foi o primeiro livro que li de Terry Pratchett. A minha reacção às primeiras páginas foi de questionar-me do porquê de não ter começado a ler este autor mais cedo. Terry criou neste livro uma trama complexa contada num tom de bom humor que não deixa ninguém casmurro o dia inteiro. Acaba por ser um livro que pode ser lido tanto por miúdos como por graúdos. As personagens são vivas e vivem dilemas interessantes. A história avança a bom ritmo, mas qualquer leitor pode acompanhar. Acho que não preciso de dizer mais: definitivamente Terry Pratchett dispensa apresentações!

O Discworld é um universo que parodia toda a outra fantasia e só por isso merece existir! Pareceu-me que os livros deste universo podem ser lidos em qualquer ordem, já que não tive dificuldade em ler este. Este é um autor que se deve ler com frequência! Recomenda-se vivamente!

Classificação: 4 estrelas

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Livros: Northern Light (His Dark Materials #1)

Andei de olho nesta trilogia durante mais de um ano.


Autor: Philip Pullman
Resumo: When Lyra's friend Roger disappears, she and her dæmon, Pantalaimon, determine to find him.
The ensuing quest leads them to the bleak splendour of the North, where armoured bears rule the ice and witch-queens fly through the frozen skies - and where a team of scientists is conducting experiments too horrible to be spoken about.
Lyra overcomes these strange terrors, only to find something yet more perilous waiting for her - something with consequences which may even reach beyond the Northern Lights...


Confesso que não conhecia sequer este autor, pelo que este livro foi uma agradável surpresa. Escrito de modo a que possa ser apreciado por todos, Northern Lights acompanha as aventuras de Lyra, uma miúda de um universo paralelo ao nosso. Apesar de, à primeira vista, parecer apenas um romance infanto-juvenil, a complexidade da trama, a construção de um universo rico e consistente, assim como a profundidade das personagens fazem com que o livro possa ser também apreciado por leitores mais velhos. Os temas abordados saem um bocadinho fora do que estamos habituados em livros deste género, o que adiciona um gosto especial à leitura. Felizmente, este foi apenas o primeiro livro da trilogia e mal posso esperar para ler o segundo!

Recomenda-se vivamente aos mais novos e também aos mais velhos.

Classificação: 4 estrelas

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Livros: Society of the Spetacle

Este era um daqueles livros que eu andei meses à espera até o obter e poder ler.

Autor: Guy Debord
Resumo: Filósofo, agitador social, director de cinema, Guy Debord se definia como 'doutor em nada' e pensador radical. Ligou-se nos anos 50 à geração herdeira do dadaísmo e do surrealismo. A primeira edição brasileira de 'A sociedade do espectáculo' - um livro lúcido e demolidor, precursor de toda análise crítica da moderna sociedade de consumo.






Este é um daqueles livros que todos deveriam ler, pois pode alterar o modo como vemos o mundo que nos rodeia. Guy Debord escreveu um livro sem copyright e sem direitos reservados, no qual pôs uma mensagem forte. Ele defende que a sociedade em que vivemos é um espectáculo e todas as nossas interacções não são mais que teatro. Será realmente assim? É algo que cada um terá de decidir ao ler.

Escrito num tom erudito, com inúmeras referências a trabalhos conhecidos e exemplos, é uma tese sólida sobre a sociedade moderna. Está dividida em parágrafos para facilitar a leitura e a organização das ideias. Só não sei porque não há mais pessoas a lê-lo...

Classificação: 5 estrelas




quarta-feira, 21 de maio de 2014

Livros: O Último Papa

Como surgiu a oportunidade de conhecer este autor pessoalmente, eu decidi fazer as pazes com os trillers e dar uma oportunidade ao género.


Autor: Luís Miguel Rocha
Sinopse: 29 de Setembro de 1978. O mundo acorda com a chocante notícia da morte do Papa João Paulo I, eleito há apenas trinta e três dias. O Vaticano declara que Sua Santidade morreu de causas desconhecidas e que o corpo será embalsamado dentro de vinte e quatro horas, impossibilitando qualquer autópsia...
2006. A jornalista Sarah Monteiro recebe na caixa de correio um envelope com uma lista de nomes que não conhece e uma mensagem codificada. Inicialmente, Sarah fica apenas confusa, mas depois de a sua casa ser assaltada percebe que aquela lista a coloca em perigo.
O conteúdo do envelope revela um mundo de corrupção que a jornalista nunca imaginara e ajuda a descobrir a verdade sobre a misteriosa morte de João Paulo I. Arrastada para uma realidade em que mercenários implacáveis, políticos corruptos e membros da Igreja conspiram com o mesmo propósito, Sarah terá de escolher entre contar ao mundo a verdade ou salvar a sua própria vida.



Depois de muitos anos a ler JRS e Dan Brown, começava a achar que a formula do triller estava esgotada e estagnada, tanto na temática como na abordagem. Devo dizer que fiquei positivamente surpreendido com este livro, mesmo sem nunca ter lido mais nenhum do mesmo autor.

Para começar, gostei que abordasse a corrupção no Vaticano de um modo mais próximo da realidade que os outros livros do género. As personagens não são cliché, como nos últimos livros que tenho lido, e são multi-dimensionais. Como tive oportunidade de dizer ao autor, adorei o seu sentido de humor. Os únicos pontos menos bons foram as primeiras linhas, que não me parecem ser o melhor início para um livro, e alguns dos capítulos que tratam do passado ficaram aquém do que esperava.

Recomendo a todos os amantes de triller e/ou apaixonados por teorias da conspiração.

Classificação: 4 estrelas

terça-feira, 20 de maio de 2014

Livros: Sr. Bentley, o Enrraba Passarinhos

Depois do escândalo gerado por este livro e outros que a Saída de Emergência queria oferecer, não podia deixar de o ler.


Autora: Ágata Ramos Simões
Sinopse: Sr. Bentley, o Enraba-Passarinhos, irá provocar incontroláveis convulsões aos amantes das ditas avezinhas e a qualquer incauto que ainda não tenha compreendido as verdades do mundo. É um clister moral, uma purga mal-pensante, um insulto ao bom-gosto, um gosto pelo insulto, um compêndio de palavras feias e um espelho do Portugal politicamente correcto em que o leitor habita. O Sr. Bentley não conhece travão e nada tem de sagrado. Mais do que uma pedrada no charco, é um verdadeiro pontapé nas penduricalhas miudezas deste pântano à beira mar encalhado; Portanto, leitor, acomode a coquilha sobre as jóias da família, proteja os dentes, e prepare-se para a porrada, porque o Sr. Bentley é um peso-pesado. Um Atlas que carrega com alegria sobre os ombros tudo o que de mais abjecto, medonho, mesquinho, estúpido e medíocre os portugueses têm… e, por isso, é um verdadeiro encanto. Pensando bem, caro leitor, tire daí a mãozinha; este livro não é para si!


Este livro chegou às luzes da ribalta de uma forma no mínimo caricata: ia ser distribuído num banco, assim como outros, para promover hábitos de leitura dos seus clientes. Não o chegou a ser por considerarem que não era próprio para todos os públicos. Só por isso, tinha de o ler.

Este livro é uma sátira onde se contam muitas verdades. O Sr. Bentley personifica uma imagem de vilão tresloucado, que não respeita nada nem ninguém. Contudo, no decorrer da história, vamos descobrir que o Sr. Bentley é muito mais que isso. Escrito num tom coloquial, com uso do calão que todos conhecemos, não é um livro para todos os gostos. Ou gosta-se...

Recomendo a quem tenha uma mente aberta e não se importe de enfrentar uma boa dose de calão.

Classificação: 4 estrelas

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Livros: Sonetos

Este livro andou mais de dois anos nas prateleiras antes de o levar para uma longa viagem de comboio.

Autora: Florbela Espanca
Resumo: Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de Dezembro de 1894 — Matosinhos, 8 de Dezembro de 1930), baptizada como Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo.

Nesta edição encontramos as suas obras Livro de Mágoas (1919), Livro de Sóror Saudade (1923) e Charneca em Flor (1931).

Florbela tentou o suicídio por várias vezes, uma das quais em Novembro de 1930, na véspera da publicação da sua obra-prima, Charneca em Flor. Após o diagnóstico de um edema pulmonar, a poetisa perdeu definitivamente a vontade de viver. Não resistiu à terceira tentativa do suicídio. Faleceu em Matosinhos, no dia do seu 36º aniversário, a 8 de Dezembro de 1930. A causa da morte foi a sobredose de barbitúricos.



Eu não sou um grande fã de poesia, mas há obras que são incontornáveis e esta é uma delas. Ninguém escreve sonetos como os de Florbela Espanca. A meio da leitura caí na tentação de ouvir as versões em fado de Mariza dos sonetos Caravelas e Desejos Vãos. Ambas as interpretações capturam o essencial dos sentimentos derramados nestes versos: sonhos perdidos, amor não correspondido e o desejo da morte.

Recomendo o livro o quem gostar Camões, Antero ou poesia em geral.

Classificação: 5 estrelas

domingo, 18 de maio de 2014

Livros: Lusitânia 2

Depois de um primeiro número invejável quando comparado com outras iniciativas do género, estava curioso para ver se conseguiam elevar a fasquia. A capa ficou mesmo apelativa!


Autores: Carolina Vargas, Inês Montenegro, João Franco, Margarida Mendes, Pedro Cipriano e João Barreiros
Resumo: Uma publicação de ficção especulativa com base na cultura portuguesa.

Nela podemos encontrar os contos:

A sereia de Cacilhas - Carolina Vargas
A carta - Pedro Cipriano
A fonte dos Grifos - Inês Montenegro
O indicador de Deus - Margarida Mendes
O teu semblante pálido - João Franco
O coração é um predador solitário - João Barreiros


A revisão foi feita com mais cuidado que na edição anterior e o design interno está muito mais apelativo, o único senão são os espaços em branco que poderiam ser aproveitados.


A sereia de Cacilhas
Gostei da ideia e da maneira como foi desenvolvida. O inicio está um pouco fraco e o estilo de escrita conta mais do que devia, sendo os únicos pontos menos bons deste conto. Um pouco indeciso na classificação, decidi ser generoso. 4 estrelas

A Carta
Abstenho-me de comentar este por razões óbvias.

A Fonte dos Grifos
Apesar de tudo o conto está bom, mas fiquei desiludido porque esperava mais da Inês. Falta algo que não consigo definir! 4 estrelas

O Indicador de Deus
Foi o conto que mais deixou a desejar de toda a revista. Não gostei da abordagem nem do estilo empregue. 2 estrelas

O teu semblante pálido

Este conto está a um bom nível em todos os aspectos. Seria sem dúvida o melhor conto se não fosse o início. 4 estrelas

O coração é um predador solitário
Do João Barreiros esperava muito e, talvez por isso, fiquei desapontado. Algumas frases em alemão soaram-me esquisitas. Não há mais nada a apontar, mas de algum modo o conto não puxou por mim como outros do mesmo autor fizeram. 4 estrelas

Classificação: 4 estrelas

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Livros: A Bela Horrível

Este comprei-o num alfarrabista para completar a colecção e li-o no mesmo dia.



Autor: Álvaro Magalhães
Sinopse: Os crimes da abelha negra e as misteriosas tatuagens com o dia da morte certa, o caso da "Mulher Nua", a profecia da Deusa-Olho, o fotógrafo das almas, os misteriosos tongui e as duas faces da vida, a bela e a horrível, numa história de enganos, onde nada é o que parece.


Há uma clara diferença entre os títulos da colecção Uma Aventura e do Triângulo Jota. Temos de ter em conta a faixa etária alvo e mesmo assim se nota uma grande diferença. Os livros da primeira são todos muito iguais, enquanto os desta vão crescendo em complexidade, com tramas muito mais complexas e personagens muito mais trabalhadas.

Considero que, para um livro juvenil, foi muito bem conseguido. As personagens conquistam facilmente a empatia do leitor e a tensão está presente desde o primeiro momento. Os twists estão muito bem conseguidos, só é pena a quantidade de coincidências ser tão grande. Também gostei que o final não fosse o tradicional deste tipo de livro.

Recomendo a jovens que gostem de ler e adultos que tenham um súbito ataque de nostalgia.

Classificação: 4 estrelas

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Livros: Ninguém escreve ao Coronel

Era um dos poucos livros desta colecção que me faltava ler. Encontrei-o numa loja de coisas em segunda mão e li-o na noite seguinte de uma assentada.



Autor: Gabriel García Márquez
Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1961, Ninguém Escreve ao Coronel é o segundo romance de Gabriel García Márquez, escrito durante a sua estada em Paris, onde trabalhava como correspondente de imprensa desde meados dos anos 50.
Num estilo puro e transparente, com uma economia expressiva excepcional que marcava já o seu futuro como escritor, García Márquez narra com brilho inaudito a história de uma injustiça e violência: um pobre coronel reformado vai ao porto esperar, todas as sextas-feiras, a chegada de uma carta oficial que responda à justa reclamação dos seus direitos por serviços prestados à pátria. Mas a pátria permanece muda...



É quase impossível não estabelecer uma grande empatia pelo Coronel. Escrito em poucas páginas e num estilo descomplicado, este livro tem o dom de embalar o leitor nesta história de miséria, injustiça e teimosia. As personagens são memoráveis e o retrato da velhice é credível. O único senão do livro é a sua extensão, depois daquelas 93 páginas, dá vontade de querer saber mais sobre o destino do Coronel e da sua esposa.

Recomenda-se a quem procura um livro pequenino mas que diga muito.

Classificação: 4 estrelas

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Livros: How to Kill a Mockingbird

Já há algum tempo que andava para ler este livro. Um clássico destes é incontornável!



Autor: Harper Lee
Sinopse: You never really understand a person until you consider things from his point of view .. until you climb into his skin and walk around in it."
Tomboy Scout Finch comes of age in a small Alabama town during a crisis in 1935. She admires her father Atticus, how he deals with issues of racism, injustice, intolerance and bigotry, his courage and his love.
 
 
Devo confessar que achei o início é um bocadinho penoso e que algumas personagens são um bocadinho superficiais. Então porque é que decidi dar uma classificação tão alta? Para começar, não é fácil escrever um livro do ponto de vista de uma criança. Depois, o tema era bastante controverso na altura em que foi escrito e, para terminar, apesar de todos o problemas literários, é uma história que se lê bem assim que o bichinho pega.

A abordagem aos temas do racismo e hipocrisia é feita de um modo que o livro pode ser lido até pelos mais novos, se bem que o modo tão prolixo, que às vezes dá a sensação que o narrador está a divagar, em que foi escrito poderá afastar os leitores mais jovens. O resultado final acaba por ser mais um documentário do Sul dos Estados Unidos da América durante os anos 30 do que uma história para jovens.

Recomendo a todos os que se interessarem pelo tema e que tenham coragem para enfrentar um início mais monótono. 
 
Classificação: 4 estrelas

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Livros: Sermões

Este livro já estava na minha estante há anos. No outro dia deparei-me com ele e achei que estava na altura de o ler.






Autor: Padre António Vieira
Texto introdutório: Padre António Vieira (Lisboa, 6 de Fevereiro de 1608- Baía a 18 de Julho de 1697) tinha seis anos quando foi para o Brasil. Aos 15 anos descobriu a vocação religiosa e deu entrada na Companhia de Jesus. Ordenado sacerdote em 1635, não tardou a dar mostras de uma percepção excepcional para os problemas sociais e de uma grande facilidade para a retórica e para a escrita. Entre os seus textos imortais destacam-se, por exemplo, o Sermão da Sexagésima e o Sermão de Santo António aos Peixes. Estas duas obras constituem apenas dois exemplos que sustentam a forma como Fernando Pessoa o recordou: "Imperador da língua portuguesa".



Não é um livro de fácil leitura: Tem frases em latim e conteúdo filosófico e teológico tornar-se por vezes bastante complexo. Contudo, é graças a estes sermões que o Padre António Vieira foi considerado por Fernando Pessoa como o imperador da língua portuguesa. Título aliás bem merecido, já que os sermões e cartas estão escritos numa prosa riquíssima. Os temas são abordados de um modo bastante vanguardista para a época e, em especial o sermão aos peixes, são tão actuais como quando foram escritos.

É um livro que recomendo a todos os que queriam enriquecer a sua cultura em língua portuguesa.

Classificação: 4 estrelas




sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Livros: Antic Hay

Encontrei este livro no lixo. Só esteve algumas semanas na minha prateleira até chegar à sua vez de ser lido.



Autor: Aldous Huxley
Sinopse: London life just after World War I, devoid of values and moving headlong into chaos at breakneck speed - Aldous Huxley's Antic Hay, like Hemingway's The Sun Also Rises, portrays a world of lost souls madly pursuing both pleasure and meaning. Fake artists, third-rate poets, pompous critics, pseudo-scientists, con-men, bewildered romantics, cock-eyed futurists - all inhabit this world spinning out of control, as wildly comic as it is disturbingly accurate. In a style that ranges from the lyrical to the absurd, and with characters whose identities shift and change as often as their names and appearances, Huxley has here invented a novel that bristles with life and energy, what the New York Times called "a delirium of sense enjoyment!"


Muitos críticos o comparam ao The Great Gatsby, mas eu considero que está a um nível inferior. Sendo este o segundo livro de Huxley, eu esperava uma melhoria. Infelizmente, considero que está pior. Comecemos pela estrutura: as primeiras páginas fazem antever uma história sobre as calças pneumáticas do senhor Gumbril Jr., contudo, a história não se foca nisso, nem sequer nele. A perspectiva muda de personagem sem qualquer aviso e a narrativa não parece ter outro propósito que não o de escarnecer a sociedade pós Primeira Guerra Mundial. As personagens são caricaturas óbvias mas que não dão vontade de rir, excepto as hilariantes aventuras do Homem Completo. O autor perder-se com frequência e divaga sobre assuntos que não interessam, ou pelo menos não me interessaram.

Apesar dos problemas narrativos, recomendo o livro a todos os se interessam pelo trabalho de Huxley e/ou que se interessam por livros do género do The Great Gatsby.

Classificação: 3 estrelas

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Livros: Contos do Nosso Tempo

Ganhei este livro num sorteio mas esteve na prateleira cerca de um ano, até eu o ler.


Autor: Vários, com a coordenação de Miguel Almeida
Texto da contra-capa: Em traços livres e desassombrados, esta colectânea alimenta-se da matriz que nos deixaram os Grandes Mestres do Conto: o fulgor narrativo e a essencialidade da linguagem.
"O conto é uma forma literária encantadora", disse Trindade Coelho, acrescentando: "E o maior assunto, ou o mais complexo, cabe no conto, pela mesma razão que nas proporções delicadas de uma miniatura pode caber, desafogado, um grande quadro."
Nesta obra, cada autor, cada história, cada conjunto de histórias, assumiu o risco da sua liberdade criativa, assim como o desejo de escrever pelo puro prazer de escrever e a vontade de partilhar.




Em muitos dos contos, fartei-me de consultar o índice, para ver quantas é que teria ainda de suportar enquanto desejava que realmente os autores se tivessem alimentado da matriz deixada pelos grande mestres. Esta é uma daquelas antologias em que não tenho dúvidas em que não houve qualquer tipo de selecção. Eu sei que é uma afirmação dura de se fazer, mas a qualidade da maioria dos textos está num nível muito fraco. O coordenador ou o editor fez um trabalho muito fraco e não tenho reservas em afirmar que a qualidade desta antologia se deve a ele, até porque os contos assinados por ele não se destacavam em termos de qualidade. Quantos aos autores, alguns escrevem muito mal, outros escrevem mal e só alguns o fazem a um nível razoável, mesmo no caso desse últimos, fica a impressão não foram convenientemente ajudados a melhorar os textos. Em resumo, os grandes defeitos dos contos são: má/ou completa ausência de estrutura, palavras/expressões demasiado rebuscadas/desadequadas, demasiado contar e pouco mostrar, mau uso do cliché e falta de revisão. No total, a obra merece uma estrela e só recebe as duas devido a um reduzido número de contos que conseguiram chegar a um nível razoável.

Não recomendo este livro aos amantes de contos.

Classificação: 2 estrelas

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Livros: O Romance da Raposa

Eu já tinha lido este livro quando era um rapazote, mas quando me deram uma cópia há umas semanas atrás, não resisti em ler de novo.



Autor: Aquilino Ribeiro
Sinopse: O Romance da Raposa (1924) é uma narrativa infantil de requintado virtuosismo estilístico, substituindo as ilustrações a preto e branco que forma utilizadas a partir dos anos 60 pela originais a cores da autoria de Benjamim Rabier numa solução plástica que se adequa na perfeição à fábula.Esta edição de Romance da Raposa é, assim, um regresso à versão original de um livro que gerações e gerações de crianças leram.



Apesar de ser um livro para crianças é uma leitura muito agradável também para adultos. Escrita num género fantástico em que os animais adquirem características humanas, quase em género de fábula. Contudo, não é um género fantástico vulgar do tipo das histórias "Era uma vez...", sendo um romance mais terra-a-terra com traços realistas.

As peripécias da Salta-Pocinhas, onde ela prima pela astúcia e engenho, levam-nos às serras portuguesas, polvilhadas de animais típicos de Portugal. Invoca um passado saudoso em que ainda havia raposas e lobos nas nossas florestas. As ilustrações não se ficam atrás: a dos três lobitos me tinha ficado na memória até hoje. Balanço feito, coloco este livro quase ao nível do principezinho.

No final do livro há a transcrição de duas pequenas entrevistas com o autor, que ajudam os mais crescidos a perceberem a génese da obra.

Recomendo tanto aos mais novos como aos mais velhos! É uma leitura indispensável!

Classificação: 5 estrelas

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Livros: Death is a lonely business

Encontrei este livro numa loja de livros de segunda mão, como estava interessado no trabalho deste autor, decidi levá-lo para casa.


Autor: Ray Bradbury
Sinopse: The image of drowned circus cages in the trash-filled canals of Venice, California, both haunts and illuminates famed fantasy and science fiction author Ray Bradbury's rare venture into the mystery field. Like filmmaker Federico Fellini, Bradbury is fascinated by the seedy splendor of cheap carnivals and circuses--"a long time before, in the early Twenties, these cages had probably rolled by like bright summer storms with animals prowling them, lions opening their mouths to exhale hot meat breaths. Teams of white horses had dragged their pomp through Venice and across the fields."
But now it's the early 1950s, and foggy, shabby Venice is the last stop on the circus train for scores of old silent-movie stars and young writers trying to keep their art and their bodies alive. As Bradbury's autobiographical hero, a young writer, pounds out his short stories, someone is killing off the older denizens of the tacky city. The writer joins forces with a quirky detective called Elmo Crumley and a faded screen star to investigates the deaths. Their search begins and ends in one of those iconic, waterlogged cages.



Para começar, considero a escolha de um autobiográfico Ray para personagem principal um golpe de génio, que mostrou que ele ainda não se tinha esquecido do que era ser um escritor nada famoso. Qualquer escritor amador se irá rever nalgumas das peripécias e tiques descritos.

Quanto à história não é ficção cientifica, começa lenta, sem que para isso deixe de prender o leitor. A tensão vai subindo até a um clímax nada expectável. As personagens são excêntricas quanto baste. O cenário ajuda bastante à trama, assim como a ingenuidade da personagem principal. O conjunto escrito num estilo noir, dá um livro bastante agradável de se ler.

Aproveito para deixar aqui a minha citação favorita:

"A day without writing was a little death.”

Recomendo a todos os escritores amadores e amantes de histórias de suspense.

Classificação: 5 estrelas

sábado, 16 de novembro de 2013

Livros: A dialética da liberdade

Comprei este livro há uns oito anos. Esteve por aqui perdido até ao dia que me deparei com ele e decidi lê-lo!


Autor: José Manuel Alves Ribeiro
Resumo: Estamos possivelmente assistindo, nesta conturbada época, à mais vasta e profunda crise da Humanidade.
Crise de valores, ocaso de uma Civilização, ou charneira de duas culturas, caracteriza-se pela instabilidade da vida quanto ao seu ideal, à sua finalidade - e daí um tipo indefinível de Homem que pretende flutuar fora de qualquer força que o fixe: Deus, tradição, família, espaço geográfico, gravidade...
Em que ficaremos?



O autor tenta explicar a sua visão do universo, mas falha completamente! Não digo que não tem ideias interessantes ou que valham a pena ser exploradas, contudo a execução foi a pior possível. O livro está pretensioso demais, usa abreviaturas que só confundem e está cheio de erros ortográficos. Os gráficos não tem qualidade suficiente para poderem ser entendidos e as ideias são demasiado confusas, parecendo que o autor preferiu complicar ao invés de simplificar. Está cheio de erros científicos, mostrado que o autor fala da matemática e física com uma abordagem errada de senso comum. Os diálogos são fraquissimos e os poemas passei por eles como quem passo por uma desconhecido na rua. A leitura foi uma verdadeira tortura!

Recomendo este livro apenas a masoquistas!


Classificação: 1 estrela

sábado, 9 de novembro de 2013

Livros: The Puzzle Box

Recebi este livro através do programa de giveaways do Goodreads.


Autor: The Apocalyptic Four (Eileen Bell, Randy McCharles, Ryan T McFadden e Billie Milholland)
Sinopse: An intriguing anthology where reality is transient and the puzzle box holds the key to the meaning of life.
Archeology Professor Albert Mallory understands reality. He knows the way the world works. When he steals an ancient puzzle box to pay off gambling debts, he thinks the only mysterious thing about the artifact is how to get it open. But when a stranger appears at Albert’s door demanding to see the box, Albert is plunged into mysteries he never dreamt possible.
Through the tales of four others who succeeded in opening the puzzle box — a musician named Warlock with a weakness for witches; photographer Autumn Bailey, with a strange link to the past; video store clerk Angela Matterly with those unworldly eyes; and a comic book illustrator called Sam, on a quest for his life — Albert learns that reality is transient and the way the world works is not found in text books.


Como as diversas partes são distintas, optei por opinar sobre cada uma em separado.

Albert - A história que envolve as outras - 4 estrelas
Mesmo sem ser estritamente necessária ao livro, ela captura o leitor e adiciona um sabor especial ao produto final. Eu gostei bastante da personagem e da sua evolução através das cinco peças do puzzle.

The awakening of Master March - 4 estrelas
Eu adorei esta história! As personagens principais são memoráveis e é muito fácil de sentir empatia por elas. A história decorre fluída e mantêm o leitor interessado.

Autumn Unbound - 2 estrelas
Eu acho que esta é o conto mais fraco do livro. Não conseguiu atrair a minha atenção. Explorar uma Pandora no século XXI é original, mas foi o único ponto positivo.

Angela and Her Three Wishes - 3 estrelas
Esta história é hilariante! Realmente é a melhor palavra para a descrever. O ritmo é rápido e fluente e o humor é o ponto alto.

Ghost in the Machine - 5 stars
Já tinha passado algum tempo desde que fui apanhado desta maneira por um conto. É de longe a melhor história da antologia. É impossível não comparar à referência cultural que é o "Efeito Borbuleta" e nem assim diminui o seu impacto. O ritmo, as personagens e locais estivaram à altura da linha da história.

Classificação: 4 estrelas

sábado, 2 de novembro de 2013

Livros: Game of Thrones

Por fim, li o primeiro volume de A Song of Fire and Ice!



Autor: George RR Martin
Texto da contra-capa: Summers span decades. Winter can last a lifetime. And the struggle for the Iron Throne has begun.

As Warden of the north, Lord Eddard Stark counts it a curse when King Robert bestows on him the office of the Hand. His honour weighs him down at court where a true man does what he will, not what he must … and a dead enemy is a thing of beauty.

The old gods have no power in the south, Stark’s family is split and there is treachery at court. Worse, the vengeance-mad heir of the deposed Dragon King has grown to maturity in exile in the Free Cities. He claims the Iron Throne.


O Jogo dos tronos é um livro que não vai deixar ninguém indiferente. Pela tamanha expectativa gerada em torno dos livros e da série, um leitor que o abandone nas primeiras página vai ficar aborrecido por se achar enganado. Vai haver quem odeie a enorme quantidade de plots paralelos e pelo estilo de escrita. E vai haver quem ache que este é o seu livro favorito, ou muito perto disso. Creio que me encaixo no terceiro grupo!

Tentei ler o livro lentamente, não mais do que um capítulo por dia. Assim se passou quase um mês e meio, até que a história me venceu. Três dias depois tinha terminado o primeiro livro da série. É muito raro um livro que me deixe acordado até às tantas por não o conseguir largar.

A personagens estão muito bem caracterizadas e conseguidas. O mundo está bem construído, cheio de detalhe, mas sem entrar num despejar de informação. A acção começa lentamente, mas assim que pega não deixa largar o livro. O realismo das situações e reacções é notável. As linhas de história paralela só acrescentam à história.O facto de ser baixa fantasia, deixou um gosto especial, como uma cereja em cima do bolo.

Recomendo a quem tiver coragem para se deixar puxar para Westeros!

Classificação: 5 estrelas

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Game of Drinking

Terminei recentemente de ler o Game of Thrones e gostaria de propor um jogo de bebida para quem vai ler o livro ou ver a série. Eis as regras:



  • Sempre que uma personagem assediar outra beber um gole de cerveja
    • Se forem irmãos, bebe outro
    • Se envolver uma personagem infantil ou juvenil (abaixo dos 16 anos), bebe outro
  •  Se houver uma cena de sexo explícito, beber um shot
    • Se envolver menores de idade, bebe outro
    • Se a relação sexual for realizada ao ar livre ou com a presença de expectadores, bebe outro
    • Se envolver irmãos, bebe outro
  • Sempre que uma personagem for dada como morta beber um gole de cerveja
    • Se for uma personagem principal, bebe outro
    • Se for uma criança, bebe outro
    • Se for um Stark, bebe outro
  • Sempre que uma personagem morrer no livro beber um shot
    • Se for um Stark, bebe outro
    • Se for uma criança, bebe outro
    • Se for uma personagem principal, bebe outro
    • Se a morte for especialmente violenta ou cruel, bebe outro
Agora para os prós:
  • Beber um gole do que estiver mais perto sempre que o anão se meter numa alhada por causa da sua língua afiada
  • Sempre que uma personagem adquirir um animal de estimação fora do comum beber um shot por cada animal
  • Sempre que um Stark se meter em sarilhos por agir correctamente, repetir a última bebida.
  • Se as personagens beberem, bebe na mesma quantidade
  • Muda todos os "bebe outro" para duplica. 
  • Se todas as condições extra forem satisfeitas beber de penalti da bebida que se tem na mão.
“When you play a game of drinking you get drunk or are not playing properly.”
George R.R. Martin, A Game of Thrones

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Livros: The Catcher in the Rye

Este era um daqueles livros que já andava há algum tempo à espera de ter tempo para ler.


Autor: J. D. Salinger
Sinopse: Since his debut in 1951 as The Catcher in the Rye, Holden Caulfield has been synonymous with "cynical adolescent." Holden narrates the story of a couple of days in his sixteen-year-old life, just after he's been expelled from prep school, in a slang that sounds edgy even today and keeps this novel on banned book lists. It begins,

"If you really want to hear about it, the first thing you'll probably want to know is where I was born and what my lousy childhood was like, and how my parents were occupied and all before they had me, and all that David Copperfield kind of crap, but I don't feel like going into it, if you want to know the truth. In the first place, that stuff bores me, and in the second place, my parents would have about two hemorrhages apiece if I told anything pretty personal about them."

His constant wry observations about what he encounters, from teachers to phonies (the two of course are not mutually exclusive) capture the essence of the eternal teenage experience of alienation.



Este é outro daqueles livros que eu li tarde demais. Apesar de me conseguir ligar à personagem principal, o facto de já não ser propriamente adolescente não me ajudou a explorar o potencial da obra.

Aquilo que muitos se queixam: as digressões, os palavrões e aparente falta de moralidade na história não são os maiores defeitos da obra, são antes os pontos altos. Acho que este livro não pode obedecer às regras da literatura convencional, pois caso o fizesse, ia destruir a sua essência. Considero que capta a essência de ser adolescente, apesar de não me recordar de ter chegado a este extremo. Será que varri isso da minha memória?

Contudo, acho que falta algo no livro! não sei o que é, mas senti a falta de algo mais.

Recomendo a todos os adolescentes e jovens adultos. O calão, referências à sexualidade, as críticas à sociedade, etc não são nada do outro mundo e escondê-las dos jovens, numa atitude super-protectora, faz mais mal do que bem.

Classificação: 4 estrelas