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domingo, 1 de dezembro de 2013

Chá de Domingo #16: Vanities e Crowdfunding

Uma bronca destas tinha de estalar, era só uma questão de tempo!


Antes que me crucifiquem por opiniões que nem sequer tenho, gostaria de deixar aqui bem claro que não tenho nada contra o crowdfunding feito por artistas que gostariam de divulgar o seu trabalho e não tem dinheiro para o fazer.

E já agora, aproveito para dizer que não tenho nada contra vanities. É um negócio rentável e só cai nos esquemas quem quer. Um bocadinho de pesquisa é quanto chega para se perceber a seriedade dessas empresas prestadoras de serviços.

Não há nada de mal num autor que investe o seu dinheiro numa edição de autor de um livro que foi ignorado pelas editoras tradicionais. Não é uma decisão muito sensata, se ao invés da edição de autor, decidir dar o dinheiro a uma vanitie. Não é sensato, mas não é de todo errado, pois só aceita os termos do contrato se quiser. Não é mau se o autor pedir dinheiro para uma edição de autor através de crowdfuding. Só não acho muito correcto que faça crowdfounding e depois vá dar o dinheiro a uma editora. Porque é que não acho correcto? Porque quem estiver a ajudar na campanha, estará a ajudar mais a empresa prestadora de serviços do que o autor. É verdade, a editora prestadora de serviços irá ficar com a fatia mais gorda dos lucros, quer o livro venda ou não venda.

Agora o que eu não tolero é uma editora, que se tenta fazer passar por séria, recorrer a este método. Ai tal que o crowdfunding é fixe! É fixe, mas é para ser usado com um mínimo de ética. Acho inaceitável uma editora fazer um concurso em que o prémio é a publicação, mas só se arranjarem 90% dos fundos através de crowdfunding. Melhor ainda, os autores é que estarão responsáveis pela divulgação do projecto. Estão a ver onde isto irá parar?

Parece-me que haverá umas 30 almas penadas que irão andar a angariar fundos para essa tal editora séria. A primeira metade do dinheiro irá parar-lhes aos bolsos quando receberem o dinheiro do crowdfunding. E a outra metade irá se conseguirem vender os livros. Dizem eles que financiam 10%. Mas 10% do quê? Afinal são eles que decidem o custo total. Portanto é todo ganho. Um ganho imoral, fazendo-se valer do esforço e do investimento de terceiros. Para mim, isto não é uma editora séria em lado nenhum!

Uma pequena adenda: eles assumem-se mesmo como uma crowdpublisher!

domingo, 24 de novembro de 2013

Chá de Domingo #15: O Valor de um Escritor

Dei comigo a pensar para o meus botões como é que se mediria o valor de um escritor.


O normal é valorizar-se o escritor pelo número de exemplares vendidos. Os editores ostentam esses números nas capas dos livros com todo o orgulho, como se indicasse o valor do conteúdo. Há os que vendem milhares logo na primeira semana e são catapultados para os tops, mas será isso real? Muitas vezes não é! Descobri recentemente que, com algum dinheiro, o meu livro pode tornar-se top mundial de vendas ainda antes de ser lançado, bastando pagar a uma companhia que compre os livros.

Se não é pelo número de exemplares vendidos, também não é pelo número de leitores que realmente lêem. Consigo pensar numa mão cheia de casos em que publicaram, venderam milhões, foram lidos aos milhares e nem por isso tinham qualquer mérito. E de certeza que há muito mais!

Poder-se-ia pensar no valor de um escritor pelo domínio da língua em que escreve: pela quantidade de palavras que consegue empregar, pelo uso correcto das figuras de estilo e pela inovação linguística. Valorizar um escritor só por isso, para além de ser redutor, corre-se o risco de se valorizar textos demasiado rebuscados, numa prosa púrpura totalmente intragável.

Se se valorizar só o conteúdo, corre-se o risco de se chegar a brilhantes ensaios que ninguém tem pachorra para ler. Escolher um escritor que já tenha uma grande carreira é apenas sinónimo que ele escreveu em quantidade e já se sabe que não há uma relação linear com a qualidade. Se optarmos, em exclusivo, por quem inova na forma, podemos cair em exageros ilegíveis. Claro que podemos dizer que só os clássicos têm valor, mas ai caímos no extremo da negação da inovação, sabendo que muitos clássicos só o são num determinado contexto e porque eram fora de série quando foram escritos e seriam clichés se o fossem nos dias de hoje. Por fim, apostar em autores premiados, estamos apenas a basearmos-nos no critério de júris que nem sempre são imparciais, para além de que muitos prémios atribuídos, incluindo o Nobel, tem uma certa componente política.

Assim sendo, como é que se define o valor de um escritor? Creio que é um pouco de tudo em quantidades moderadas. Qual a vossa opinião?

domingo, 17 de novembro de 2013

Chá de Domingo #14: As artes marciais e a escrita

Esta semana vou falar-vos dos benefícios que uma arte marcial pode trazer para um escritor.


Deixando de parte a possibilidade de o vosso livro ou conto poder ter alguma referencia às artes marciais, deixo-vos aqui sete razões para um escritor as praticar:
  • Melhor descrição de cenas de pancadaria: Um escritor que pratique artes marciais tem uma melhor noção de como se processa uma luta. A maior parte dos filmes não são realistas e é um conhecimento dificil de passar pela palavra. O único meio é mesmo experimentar.
  • Melhor concentração: O escritor distrai-se com frequência e cai na doce procratinação ainda mais vezes. A maior parte das artes marciais não é apenas um treino físico, mas também mental. A concentração e disciplina aprendidas numa sala de treino ajudam bastante quando chega a hora de escrever ou rever.
  • Libertar do stress diário: Depois de uma hora ou hora e meia de desporto os músculos ficam mais relaxados do que depois de um dia inteiro sentado.
  • Equilibra a rotina: Por norma, a escrita é uma actividade solitária e estática. Incluir algo movimentado e com iterações com outras pessoas é positivo e ajuda a estabelecer um equilíbrio na rotina.
  • Soluções de segundo plano: Muitas vezes, para chegarmos à solução do problema, a única coisa que temos de fazer é deixar de pensar nele. Isto é válido para a escrita! A cabeça esvazia-se durante o desporto e quando se termina, ao retomar o problema, muitas vezes, a solução surge quase de imediato.
  • Aumenta a sensibilidade: Em especial as artes marciais que envolvem luta com contacto, aguçam os sentidos. Um bom lutador não limita a ver o adversário: ouve-o e sente-o através do movimento do ar. Este treino ajuda o escritor a explorar melhor os sentidos nas suas histórias.
  • Criação de personagens fora do comum: No meio das artes marciais podem-se encontrar muitas pessoas fora do comum que podem muito bem servir como modelos para as vossas personagens.
Entre os escritores que andam por aqui, quem é que pratica artes marciais? O que acham destes benefícios enunciados?

domingo, 10 de novembro de 2013

Chá de Domingo #13: Software especifico para Editoras

Como sabem, faço parte da Editorial Divergência e, como tal, dei por mim a pensar que software seria necessário para o normal funcionamento de uma editora.


Vamos  saltar o óbvio: o software de edição, paginação e edição de imagem que esperamos encontrar numa editora, e vamos analisar o que se passa nos bastiadores.

Ferramentas Monte Carlo

Gerir uma empresa não é uma tarefa trivial. Como definir estratégias? Como encontrar boas relações entre preços, lucros e factores de risco? Nada melhor do que experimentar com uma empresa virtual. Em geral, há empresas de consultoria que têm os seus próprios programas. O problema é que os preços cobrados são proibitivos para uma empresa pequena, na ordem dos milhares de euros. Valerá a pena comprar ou mais vale criar uma versão privada?

Gestão de Submissões

Gerir submissões usando os emails com estrelinhas e o Googledocs não é a maneira mais eficaz. Ter que pedir o feedback do editor para cada artigo, reenviar-lhe os emails e relembrá-lo consome bastante tempo. Qual a solução? Criar uma plataforma que agregue todos esses serviços. Para além disso, deve ser intuitivo e com uma boa performance. Acham que é realizável ou deve-se tentar encontrar uma alternativa grátis?

Website + Vendas Online

O website da editora e o e-commerce não são opcionais nos dias que correm. Ter um website apelativo e funcional pode gerar tantas ou mais vendas que a presença física em livrarias. O leitor de hoje em dia usa motores de busca para encontrar o que quer, ainda há quem vagueie pelas livrarias em busca de títulos, mas essas pessoas estão em vias de extinção. Felizmente, muitos dos alojamentos online já incluem essas ferramentas, não sendo necessário qualquer gasto, mas só uma aprendizagem dos mesmos e escolher entre as várias opções existentes.

Se tivessem uma editora, quais opções escolheriam para cada uma das categorias?

domingo, 3 de novembro de 2013

Chá de Domingo #12: Cursos de Escrita Criativa

Hoje era para falar de antologias, mas parece que vai ter que ficar para a semana, porque uma situação relativa a cursos de escrita criativa ficou-me entalado na garganta.


Há um certo senhor que dá cursos de escrita criativa pelo módico preço de 210 euros. Até aqui tudo bem, aliás, a qualidade paga-se, certo? Não me parece que seja este o caso.

Não fosse este mesmo senhor que censura os comentários no seu blogue e página de facebook, não deixando que ninguém discorde dele. O mesmo senhor que publicou uma catrefada de livros pela Chiado Editora. Acho que a maioria de vós já sabe de quem estou a falar, por isso não vale a pena dizer o nome.

Voltando ao curso, era de esperar que depois de uma formação tão cara, pelo menos para os padrões nacionais, que os autores conseguissem dominar algumas das técnicas básicas da ficção. FALSO! Apesar de não saber qual o conteúdo exacto do curso, tudo me leva a crer que noções básicas de estrutura não foram cobertas.

Como é que eu sei isto? Bem, houve uma pessoa que frequentou um desses cursos e, animado pelo entusiasmo deste senhor, decidiu escrever um livro. O que é certo é que essas noções básicas não foram respeitadas. Poderíamos indulgenciar o formador, imputando a culpa no escritor, contudo, o mesmo senhor que ministrou o curso, cobrou 217 euros para uma revisão do manuscrito e essas falhas continuam lá. Acho que estamos perante um caso de incompetência.

Agora vou adicionar mais umas achas à fogueira. Esse senhor tem uma página na Wikipédia que serve só para lhe bajular o ego. Surpreende-me como é que um autor tão "famoso" ainda não foi publicado por nenhuma editora a sério. A conclusão é simples: estamos perante um burlão.

domingo, 27 de outubro de 2013

Chá de Domingo #11: Nanowrimo

Quem é que este ano vai aceitar o desafio do Nanowrimo?


O que é o Nanowrimo?

O Nanowrimo é National Novel Writing Month em que milhares de escritores de todo o mundo participam. Decorre durante o mês de Novembro e o objectivo é escrever 50000 palavras.

Quem pode participar?

Todos podem participar! Seja um escritor profissional ou apenas alguém que goste de colocar uma palavra à frente da outra sem qualquer objectivo concreto.

O que é preciso para participar?

Registar a tua história em http://nanowrimo.org e escrever! O registo é grátis e ainda podem adquirir algumas lembranças espectaculares na loja.

Mas 50000 palavras não são muitas?

São só 1667 palavras por dia. É assim tão difícil? Para te manteres actualizado podes usar uma das aplicações que vai registando o teu progresso.

Eu acho que é um pouco difícil, o posso fazer para ser mais fácil?

Quase essencial é juntares-te a um grupo. A experiência é uma montanha russa emocional e ajuda estar inserido num ambiente onde haja quem te compreenda.


Adorava poder participar este ano, mas desconfio que estarei demasiado ocupado com outro tipo de escrita, o da minha tese de doutoramento.

domingo, 20 de outubro de 2013

Chá de Domingo #10: Atrasos

Todos temos que lidar com atrasos, umas vezes culpa dos outros, outras nossa (a maldita procrastinação) e as restantes não são culpa de ninguém. O Chá de Domingo desta semana é um bom exemplo de um atraso!


Apesar da postagem dizer que é do dia 20 às 17 horas, na verdade ele foi escrito no dia 26 às 20:00. Esta discrepância deve-se a uma atraso. Até aqui ainda não disse nada de novo, mas pelo menos já mostrei uma das consequências dos atrasos: aborrece as expectativas de outras pessoas. Não sei se há quem esteja habituado a ler esta rubrica todos os Domingos, mas se fosse o meu caso, eu ficaria chateado por não ter um artigo fresquinho à hora do chá!

Porque é que nos atrasamos?

A maior fonte de atrasos somos nós mesmos, ou porque adiamos o que realmente temos que fazer ou porque estamos muito ocupados. Por norma, a primeira é a mais frequente. O que é que podemos fazer contra isso? Organizar, meter uns minutos de parte para organizar e definir os objectivos de cada dia. Depois de sabermos o que queremos fazer, é necessário cumprir escrupulosamente as metas traçadas, sem arranjar desculpas do género: falta-me inspiração.

Quando os atrasos se devem aos outros, sentimos-nos impotentes. Como é que podemos lidar com essa situação? Definir metas e ter a certeza que eles as conhecem e que as vão cumprir. Claro que o cumprimento dos prazos depende da dedicação ao projecto e deve-se sempre tentar trabalhar com pessoas que estejam motivadas.

Por último vem o imprevisto. Na minha opinião, é o menos frequente, apesar de ser o mais citado para camuflar as verdadeiras causas (ninguém gosta de admitir que se atrasou tudo por sua culpa). Como lidar com os imprevistos reais? Na minha opinião, a maneira mais fácil é dar um espaço de manobra para todo o tipo de atrasos.

Agora devem estar curiosos sobre as razões do atraso da rubrica (isto é, se não estiverem demasiado furiosos por ter sido feita em cima do joelho). Durante o fim-de-semana participei num evento desportivo e desde Quarta-feira que ando adoentado (isto foi a desculpa do imprevisto). Na verdade, eu podia ter agendado o artigo antes do fim de semana e não o fiz por pura preguiça!

domingo, 13 de outubro de 2013

Chá de Domingo #9: Editoras

Esta já me andava entalada há algum tempo. Peço desculpa se para algumas pessoas estou a dizer o óbvio, mas muito boa gente anda por ai enganada.


Para deixar isto bem claro, existem três tipos de editoras:

  1. Editoras Comerciais de Grande Público
  2. Editoras Comerciais de Pequeno Público
  3. Editoras Levianas
Vou analisar cada um dos tipos, tentando ser objectivo.

Editoras Comerciais de Grande Público


São editoras que mais importam livros, sendo responsáveis pela maioria das traduções. É muito raro investirem em novos talentos. Fazem-no através de concursos que estão condicionados pelas opiniões dos seus membros. Uma das abordagens mais utilizadas para levar "sangue novo" à editora sem grande compromisso, é a publicação de antologias, no caso da Saída de Emergência. A Presença, por sua vez, tem mostrado mais abertura a autores estreantes através da casa-mãe ou diferentes chancelas. Todavia, essas iniciativas ainda são muito raras. Pertencem a um conjunto de pessoas e por vezes a outras empresas maiores. Não cobram pela edição, mas podem demorar meses a responder, isso é, se alguma vez o chegarem a fazer. São as primeiras a serem abordadas pelos autores, por serem as mais conhecidas. Claro que todos querem publicar por estas editoras, pois elas possuem uma rede de distribuição sofisticada e é garantidos que os livros irão aparecer nas prateleiras das principais livrarias e que haverá uma promoção séria do mesmo. Contudo, o objectivo principal destas editoras é o lucro!


Editoras Comerciais de Pequeno Público


Exemplos: Arauto
São editoras com um orçamento limitado, geridas por pessoas motivadas mais pelo gosto do que pelo lucro. Investem em novos talentos, criando pequenas edições que alvejam pequenos nichos de mercado. Por norma, também não cobram pela edição, mas só aceitam manuscritos de um certo género. Por contraste às de grande público, são empresas pequenas com menos preconceitos em responder às submissões. Não se pode esperar que estas editoras consigam distribuir os livros com eficiência, baseando-se muito na palavra de boca em boca e nos pequenos grupos de fãs. Devido às dificuldades económicas para manter um negócio rentável, tanto aparecem como podem desaparecer passado alguns meses, abrindo falência, mudando a estratégia para o grande público ou tornando-se levianas. Carecem de um plano de negócios forte e vêem-se sobre forte pressão dos outros dois tipos de editoras. Pela sua instabilidade e falta de reputação, os autores não costumam apostar nelas.


Editoras Levianas


Este é o tipo de editora mais numeroso. Em geral são pequenas empresas que editam qualquer género de livro, estando receptivos a qualquer autor, mesmo os desconhecidos. A grande desvantagem deste tipo de negócio é que eles cobram pela edição do livro, não se preocupando muito com a distribuição ou promoção do mesmo. Muitas destas empresas são conhecidas por não reverem os livros e não lhe darem um design profissional, mas como em muitas coisas, há excepções à regra. Por vezes, os contratos são abusivos, prendendo o livro e o autor à editora durante vários anos. Outro esquema usado por estas editoras são antologias, em que aceitam um número imenso de autores, esperando receber o seu lucro pelas vendas dos exemplares aos escritores que participaram.


Quero agradecer ao Carlos Silva e ao Vitor Frazão pelas valiosas sugestões.

domingo, 6 de outubro de 2013

Chá de Domingo #8: Literatura Ordinária

O chá de hoje baseia-se nisto!


Há vários tipos de literatura: há a boa, a razoável, a má e a muito má! Hoje venho-vos falar do que está abaixo da muito má, o lixo literário! Como leram no link acima (mais de metade sei que não leu, por isso é favor de subir e clicar), o panorama literário não é dos melhores.

Já lá vai o tempo em que nem toda a gente podia ser escritor. A segunda revolução industrial e as novas tecnologias de informação trouxeram ao comum dos mortais a possibilidade de ler mais. Com este crescimento do consumo, aumentou também a oferta, criando-se autenticas corporações de entretenimento. Como é sabido, a principal preocupação de uma empresa não se prende com a cultura. A lógica do editor é muito simples, para que preocupar-se com o aperfeiçoamento e publicação de obras realmente únicas se é mais fácil importar e usar escritores fantasma para debitar pseudo-biografias de concorrentes à casa dos degredos (a troca do nome é intencional)?

Se o cuidado dos editores é pouco, o dos leitores é ainda menos, já que suportam tais publicações. Cada vez que leio um livro, estou a investir algumas horas da minha vida, as quais não recupero, por isso é bom que livro valha a pena! E voltamos ao nosso ponto de partida, hoje qualquer pessoa pode escrever um livro. Se não tiver ido a nenhum programa de televisão nem chamar a atenção das editoras tradicionais, pode sempre dar azo a sua leviandade e pagar a sua própria publicação. Não me vou estender sobre as vanities, porque elas dão assunto para um chá completo.

Ao olhar para as prateleiras de uma livraria ou para um website de vendas, às vezes, penso, quantos destes livros é valerão realmente a pena ler? Pelas razões já apontada, a conclusão é muitas vezes desanimadora. Infelizmente, não é por um livro vender bastante que se pode inferir a boa qualidade.

Enfim, o chá de hoje surgiu mais na forma de um desabafo do que uma argumentação estruturada. Quais são os tipos de literatura ordinária que menos gostam e que nunca iriam perder o vosso tempo a ler? Qual acham ser a melhor maneira de melhorar o panorama editorial e tentar que menos árvores sejam deitadas abaixo em vão?

domingo, 29 de setembro de 2013

Chá de Domingo #7: Bloqueios

Chegámos ao Chá de Domingo número 7! Faltam cerca de quarenta e cinco minutos para a hora normal de saída do artigo e eu ainda não sei sobre o que escrever. Houve muitas coisas interessante que aconteceram esta semana, mas nenhuma que valha um artigo. Dou uma olhada para os anteriores: Maus Finais, Procrastinar, Livros por Ler, Sagas Inacabadas, Antagonistas e Deitar livros para o Lixo. Mas só quando volto atrás e leio o que já escrevi é que tenho uma mini-epifania e me ocorre um tema.


Nas últimas semanas dei por mim num bloqueio criativo. Tenho um livro para rever, outro para acabar e um para planear para o Nanowrimo. Com tanta coisa para fazer, era natural que se não me inclinasse para um projecto, pelo menos me deveria inclinar para outro. Mas não! A única coisa produtiva que fiz durante a semana foi arrancar um conto a ferros. São alturas em que até o tecto é mais interessante que o teclado ou a caneta.

Muitos artistas passam pelo mesmo tipo de bloqueio criativo, apesar de ser mais conhecido no caso dos escritores. Este tipo bloqueios podem durar minutos ou até mesmo anos. Existem meios de lutar contra eles, sendo um deles o Nanowrimo.


Parece que o único remédio é aceitar que não podemos produzir sempre que queremos e que há factores limitantes: cansaço, motivação, tempo, etc. Por outro lado aproveitar todos os momentos em que temos condições para escrever. E, como diz a imagem, manter a calma e continuar a escrever.

Outra coisa que faço quando me sinto a bloquear é fazer um chá. E vocês? Quais são os vossos sintomas típicos de bloqueio? O que é que vos faz ficar bloqueados?

domingo, 22 de setembro de 2013

Chá de Domingo #6: Maus Finais

AVISO: Este post contêm spoilers!


O tema desta semana são os finais maus. Quem é que nunca leu um livro e o achou fenomenal mas, ao chegar às páginas finais, ficou desapontado com o desfecho?

Isso já me aconteceu e continua a acontecer com bastante frequência. Na minha opinião, há finais maus, muitos maus e outros que apetece espancar o autor. Vou-me concentrar só nos últimos porque, infelizmente, os primeiros são bastante frequentes. Se o livro for todo mau, já nem é surpresa que o final siga na mesma linha, mas quando o livro foi bom, me prendeu e cativou para depois me mandar com um balde de água fria, é frustrante!

Vou começar com um livro que li há pouco tempo. Um final demasiado previsível porque o autor se descaiu a meio do livro é horrível. Apetecia-me espancar o autor porque desde a primeira página já sabia como é que aquilo ia acabar. Se o miúdo encontrou o corpo, já sabia que eles iam conseguir chegar à América mas que iam morrer! Também sabíamos que eles não conseguiam lançar a bomba atómica desde o início. A única coisa desconhecida era tão fácil de adivinhar que não deu gozo nenhum: o velhote é que era o vilão!

Outro livro que me chateou bastante foi a Fórmula de Deus de José Rodrigues dos Santos. Como é que se escreve um livro com tanto factos rigorosos e no fim se entra no domínio da especulação sem qualquer separação? Passaram uns dois anos antes que me atrevesse a voltar a pegar num livro deste autor.



Outro que me aborreceu bastante e que ainda me está entalado na garganta foi o mais recente livro do Dan Brown: Inferno. Estou a ler um livro de mistério e acção quando, de repente e sem aviso, se torna em ficção científica! Se eu quisesse ler ficção científica nesse dia tinha agarrado outro livro! Já agora, não leiam o livro: o gajo não consegue impedir o vírus de se propagar!


Quais foram os finais que mais vos chatearam e decepcionaram? Porquê?

domingo, 15 de setembro de 2013

Chá de Domingo #5: Procrastinar

O tema desta semana vem mesmo a calhar! Esta semana decidi procrastinar e não escrever o Chá de Domingo durante o fim-de-semana, tornando-se um bom exemplo daquilo que queria aqui falar hoje.


Todo o escritor que é escritor já procrastinou. Não venham cá com negações ou desculpas! Sabem bem que já o fizeram! Não digo que procrastinar é exclusivo dos escritores, porque não é. Aliás, acho que há por ai muita boa gente que procrastina e nem sequer sabe o que a palavra significa.


Apesar de ser uma praga em todas as actividades humanas, afecta em especial os escritores. Por exemplo adiei este artigo! Adiamos o primeiro rascunho, adiamos a revisão, adiamos as mudanças, adiamos os cortes. Um escritor passa a vida a adiar o dia em que dirá que a sua obra está completa. Este desafio pela perfeição impossível impede que muitos livros algum dia vejam a luz do dia.

A procrastinação está tão ligada ao bloqueio que algumas pessoas até confundem uma com a outra. Há partes do livro que não nos apetece escrever e com isso gastamos uma data de tempo, fazendo outras coisas, como se aquela parte se escrevesse sozinha.

Eu combato isso com hábitos de escrita estritos. Há uma hora e local para escrever. Enquanto estou ali, não faço mais nada, não interessa o que estiver pendente! Mesmo assim, raramente consigo cumprir os prazos, mas isso é devido aos imprevistos, que podem ser assunto para outro chá.

É frequente procrastinarem? Acontece-vos muitas vezes ficarem bloqueados? Acham que as duas coisas estão ligadas? O que fazem contra isso?

domingo, 8 de setembro de 2013

Chá de Domingo #4: Livros por ler

O tema desta semana são os livros por ler. Este fim-de-semana começaram as minhas merecidas férias, e com elas o regresso a casa. Uma coisas que reparei é que a prateleira dos livros por ler tem ainda mais volumes do que no ano passado. Faça o que fizer, a única tendência é aumentar.


Sejam viciados na leitura ou não, todos temos livros por ler. Há várias razões que os fazem acumular a um ritmo mais rápido do que os conseguimos ler: encontramos livros que alguém deitou fora, quiseram oferecer-nos livros que já não queriam e nós aceitamos (como me aconteceu esta semana - ver foto abaixo), recebemos livros de presente ou simplesmente não conseguimos resistir na loja. Seja qual for a razão e paradoxalmente, quanto mais viciados somos, maior é a pilha de livros por ler.


Como é que nos podemos livrar desse problema? A solução mais fácil é não comprar mais livros até diminuir a pilha, se bem que para algumas pessoas isso é impossível de fazer. E sim, eu sou uma dessas pessoas. Outra solução é oferecer alguns desses livros: trazer um amigo lá a casa e mostrar a pilha e deixá-lo escolher. Algumas pessoas podem ser alérgicas a essa opção, mas tente ser racionais, se os livros estão na pilha, haverá de certo uma razão. Para facilitar o processo de separação, podem sempre escolher alguns que não querem dar, o que para algumas pessoas significa a pilha inteira. Eu tenho livros que me irão dar para os próximos 10 anos, por isso optei pela segunda alternativa várias vezes, fiz alguém feliz e ganhei algum espaço! Creio que os livros ficam muito melhor com o seu novo dono do que comigo.

Qual o tamanho da vossa pilha de livros por ler? Quais as razões que a levam a crescer? O que fazem para a diminuir?

domingo, 1 de setembro de 2013

Chá de Domingo #3: Sagas Inacabadas

Recebi pelos anos uma caixinha com os 5 primeiros livros do Jogos dos Tronos. Como há um hiato de vários anos entre cada livro, muitos dos fãs receiam que o autor, George RR Martin, possa falecer antes de terminar a saga, que se prevê ter sete livros. Assim, o tema deste Domingo são as sagas inacabadas.


A desculpa que tinha vindo a dar para não comprar a saga mais falada do momento foi precisamente estar inacabada. Vamos pegar num exemplo que me deixou de rastos: Duna. Comecei a ler e fiquei fascinado. O universo, a história, os temas captaram a minha atenção. Confesso que foram dos melhores livros que alguma vez li. Parei no Deus Imperador de Duna, o quarto livro, quando descobri que o final foi escrito pelo filho. Tenho os livros aqui em casa mas não tenho pica para os ler. Foi um dos maiores desapontamentos que recebi. Já tive oportunidade de ler um dos livros da pré-sequela e posso garantir que são bastante bons, quase tão bom como Frank Herbert. Esse quase faz toda a diferença. Tem tudo a ver com as expectativas e as minhas foram frustradas!

Eu tenho o hábito de comprar a colecção toda de uma vez: Os Jogos da Fome comprei só quando saiu o último e A trilogia do século de Ken Follet comprei só quando ele informou na página oficial que tinha terminado o último volume. Gosto de ler uma série toda de seguida! Gosto que tenha sido escrita pelo autor, do início ao fim! Se o escritor não quis ou não pode acabá-la, não me sinto na obrigação de ler!

O que é que acham das séries inacabadas? Qual a série inacabada que mais vos desapontou? O que acham dessas sagas serem completadas por outras pessoas? Acham que vale a pena completarem ou que é melhor deixarem como o autor a terminou?

domingo, 25 de agosto de 2013

Chá de Domingo #2: Antagonistas

O tema desta semana prende-se com os antagonistas, as personagens que se opõem ao herói de um livro, filme ou série.


O antagonista é por norma conhecido por mau da fita e é a personagem com objectivos concorrentes aos do herói. O coração da história é um conflito entre os dois.

Alguns exemplos mais memoráveis são: Sauron no Senhor dos Anéis, Lorde Voldemort no Harry Potter, os Porcos na Revolta dos Porcos, o Agente Smith no Matrix e o inspector Jevert nos Miseráveis. Por vezes, o antagonista é tão bem trabalhado e caracterizado que fica na memória mais tempo do que o próprio protagonista.

Há antagonistas que nos são tão bem apresentados que não conseguimos distingui-los do protagonista. São personagens com princípios e motivações que captam o interesse. Essas são as minhas história favoritas. Ken Follet é um mestre nessa arte e felizmente não é o único. Em grande parte dos seus livros, o antagonista é apresentado sem preconceitos e só através do desenvolvimento da história é que nos apercebemos quem ele realmente é.

Há outras histórias em que o antagonista não é uma personagem, mas antes um grupo de personagens. Pode até ser um objecto, mas é essencial para prender um leitor a um livro, porque sem ele a história não tem conflito. Quem é que se vai interessar por uma história sem conflito?


Quais são os vossos antagonistas favoritos? Quais a características que um um bom antagonista deve ter?

domingo, 18 de agosto de 2013

Chá de Domingo #1: Deitar livros para o lixo

No seguimento da rubrica para pensar (que nunca chegou a ser aquilo que eu esperava dela), eu quis começar algo um pouco mais elaborado. Decidi chamá-la de Chá de Domingo, para enfatizar o tom descontraído das reflexões e opiniões que aqui irei trazer.



O tema de hoje são os livros deitados ao lixo.
Desde que me mudei para este bairro, que é maioritariamente habitado por emigrantes, já encontrei livros deitados ao lixo por várias vezes. O episódio mais dramático aconteceu há cerca de um ano atrás quando descobri um contentor cheio de livros. Era impossível contá-los! Estimo que fossem perto de 500 livros deitados fora, a maioria deles em alemão. A noite já tinha caído, contudo eu separei-os em duas pilhas e levei entre 100 a 150 para casa. Só por morar no quarto andar, ter apenas uma caixa e não ter espaço para os guardar me impediram de trazer mais. Numa observação mais cuidada percebi que os livros, apesar de velhos, estavam em muito bom estado. Acabei por dar a maioria desses livros a um amigo que tem o alemão como segunda língua, coisa que eu ainda estou muito longe de atingir.
O episódio mais recente aconteceu no último domingo, em que encontrei estes livros à chuva.


Devo confessar que nunca iria comprar a maioria destes livros, até porque não sou fã de histórias de vampiros, mas daí até os deitar fora vai uma grande distância. Depois de secar os livros, decidi ficar com alguns e encontrar donos que os estimem para os restantes.

A grande questão que coloco é porquê? Qual será a razão para as pessoas deitarem livros fora desta maneira? Não seria uma alternativa viável doá-los a uma bilioteca, instituição ou oferecer a um amigo? À falta disso, não poderiam metê-los à venda na Amazon ou Ebay por um preço simbólico? Não consigo compreender e o assunto andou-me a semana toda às voltas na cabeça!